Mundialmente, cerca de uma em cada três mulheres e quase um em cada quatro homens não se exercita o suficiente para evitar doenças comuns, segundo um novo relatório da OMS.

A tendência de níveis insuficientes de atividade física em todo o mundo está piorando, e não melhorando, revela o novo estudo publicado na edição da Lancet Global Health (anexo). Mais de um quarto de todos os adultos (27,5%) – 1,4 bilhão de pessoas em todo o mundo – estavam inadequadamente ativos em 2016, em comparação com 23,3% em 2010.

O Brasil está no grupo de países que compõem a América Latina e Caribe, o qual apresenta o pior índice de insuficiência de atividade física (39,1%). Além disso, o Brasil se destaca como o pior país do seu grupo (47%), mas se comparado com todos os pesquisados fica atrás de Kwait e Samoa Americana, respectivamente 67% e 53,4%.

O novo estudo analisou 358 pesquisas que coletaram dados de quase 2 milhões de pessoas que relataram seus níveis de atividade tanto no trabalho quanto em casa. Os participantes são pessoas com 18 anos ou mais em 168 países, um aumento em relação ao estudo anterior da OMS de 2010 , que incluiu apenas 146 países.

O estudo apresentou, também, que mais mulheres que homens relataram ser insuficientemente ativos, com uma margem de 10% ou mais entre os sexos em três regiões: Sul da Ásia (43% das mulheres inativas versus 24% dos homens), Ásia Central, Oriente Médio e Norte da África (40% vs. 26%) e países ocidentais de alta renda (42% vs. 31%).

Na América Latina e Caribe a margem foi abaixo de 10% (43,7% vs. 34,3%) Porém nesta comparação entre gêneros entre todos os países, o Brasil mais uma vez se destaca negativamente, ficando os homens no grupo de países com o penúltimo pior índice (entre 40% e 49,9%) e no pior grupo entre as mulheres (maior ou igual a 50%).

Em 2016, a atividade física variou entre grupos de renda: apenas 16% das pessoas pesquisadas em países de baixa renda revelaram uma quantidade inadequada de exercício, em comparação com 37% em países de alta renda.

Os países mais ricos fizeram a transição para ocupações sedentárias, mais recreação e transporte motorizado, e isso poderia explicar os níveis mais altos de inatividade em comparação com países de baixa renda, onde tanto o trabalho quanto o transporte geralmente exigem atividade física, escreveram os autores.

Os declínios na atividade física são inevitáveis à medida que os países prosperam e o uso da tecnologia aumenta, dizem eles.

Dos 65 países com dados de tendências ao longo do tempo, 28 tinham níveis decrescentes de atividade insuficiente, enquanto os níveis estavam aumentando em 37 países. As maiores diminuições (> 15%) ocorreram nas Ilhas Cook, na Jordânia, Tokelau, Samoa, Myanmar, Ilhas Salomão eTonga, enquanto os maiores aumentos (> 15%) ocorreram no Brasil, Bulgária, Alemanha, Filipinas e Cingapura. A mudança média em todos os 65 países foi menor que 0 · 01%.

O novo estudo sugere que políticas nacionais precisam ser implementadas para incentivar o uso não-motorizado nos meios de transporte, como caminhar e andar de bicicleta, e promover a participação em atividades recreativas e esportes.

Tais políticas são particularmente importante em países com rápida urbanização, como Argentina, Brasil e Colômbia, 27 que contribuem para a os altos níveis de atividade insuficiente na América Latina e o Caribe.

Os números são preocupantes, pois a prática de atividade física é o método mais fácil, barato e disponível para se tratar e prevenir uma série de problemas de saúde, explica Marcus Yu Bin Pai, fisiatra da Clínica Dr. Hong Jin Pai e médico especialista em dor, pesquisador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

O estudo destaca a importância da conscientização, e os altos custos que o sedentarismo traz para a população.

Os exercícios, tanto aeróbicos como anaeróbicos, podem ser realizados por pessoas de todas as idades, mesmo pessoas com problemas cardíacos, desde que acompanhadas por um médico, finaliza Yu Bin Pai.

Para falar mais sobre o novo estudo, sugiro o médico Marcus Yu Bin Pai, médico fisiatra da Clínica Dr. Hong Jin Pai e especialista em dor, pesquisador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Fonte:

Organização Mundial da Saúde (OMS)