[Opinião] Libertinagem de Opressão – por Gabriel Ogata Nogueira


gabriel ogata

Sim, outra chacina promovida por radicais religiosos causa furor e protestos no Velho Mundo. Sim, o coro mais uma vez dos politicamente corretos evocam a Liberdade de Expressão na terra onde Joana D’Arc foi queimada sob falsa acusação de bruxa. Chefes de Estado rezam pela paz ao mesmo tempo em que promovem a guerra, ou ignoram por não ser um bom negócio. Holofotes ao atentado em Paris, no sequestro em Sidney e no julgamento de Boston. Enquanto isso centenas morrem em Bagdá, Cairo, Damasco, Faixa de Gaza…e ninguém vê muito menos se comenta a respeito.

Aos desinformados: o terrorismo tem como principal objetivo provocar pânico e medo no meio social onde realizam seus atos. Algumas células do Oriente Médio ficaram craques, e fazem questão de usar o Islamismo como escudo fajuto, e o ocidente – em paranóia desde o 11 de setembro e as explosões de Madrid (2004) e Londres (2005) – levanta acusações infundadas aos seguidores de Maomé e Alá. No Corão não há qualquer menção clara ao machismo nem à comparação entre deuses (Alá em árabe significa O Deus).

Na lógica durkheimiana todos os fatos são preparados, e na invasão ao Charlies Hebdo não foi diferente. Movimentos contra a difusão do islã na Europa, pregando a xenofobia quiçá o fascismo, além de charges com alto teor provocativo resultaram na barbárie condenável e evitável.

A redação não poupava ninguém das críticas (desde católicos até políticos da própria França), mas lidar com muçulmanos sempre foi um terreno minado. Kurt Westergaard e Salman Rushdie sabem muito bem disso. Isso fora algumas leis polêmicas impostas pelo governo francês aos refugiados e ciganos.

Je suis Charlie (Eu sou Charlie), ironicamente usando o nome do representante maior do cristianismo, tem o mesmo objetivo da enfadonha ‘Somos todos…’ no Brasil, mas com resultados distintos: enquanto aqui os protestos tem pouca durabilidade e argumentos na Europa não medem esforços ao cobrar as autoridades, havendo paralisações acompanhadas, infelizmente, de badernas.

“Mas a charge é uma crítica saudável e deve ser respeitada!” Óbvio que sim, e o respeito de humoristas com alguns assuntos espinhosos, já sabidos de antemão pelos mesmos? Campanhas como #drawmuhammed correram solto nas redes sociais, mas e se Jesus, Moisés ou o poder dos membros do Conselho de Segurança da ONU fossem rotulados de forma ácida?

A opressão de ambos os lados da questão só pioram as negociações de paz e acordos. Extinguir de vez grupos separatistas como Al Qaeda e Estado Islâmico são essenciais. Todavia, dosar o conteúdo humorístico para evitar represálias certeiras também é um caminho a ser seguido. Conforme o dito comum: Não se pode confundir liberdade com libertinagem.

por Gabriel Ogata Nogueira

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