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R$ 40 mil para não parar de treinar: empresas brasileiras criam o primeiro programa de saúde com recompensa coletiva atrelado à Copa do Mundo

Em um país que a OMS classifica como o mais sedentário da América Latina, marcas apostam que incentivo financeiro e responsabilidade coletiva resolvem o que campanhas de saúde tradicionais não conseguiram

Primeiro programa de saúde com recompensa coletiva atrelado à Copa do Mundo
Divulgação

Quatro empresas brasileiras vão pagar R$ 40 mil a quem treinar com regularidade durante a Copa do Mundo de 2026. O programa, batizado de Copa GymRats, reúne 300 inscritos em 30 times de 10 pessoas e começa em 11 de junho, mesmo dia da abertura do Mundial nos Estados Unidos, Canadá e México, estendendo-se até 10 de agosto. A aposta é que dinheiro e responsabilidade coletiva façam o que nenhuma campanha de saúde pública conseguiu: manter brasileiros ativos durante os 39 dias de maior concentração televisiva do país.

O contexto justifica a urgência. O Brasil é o país mais sedentário da América Latina e o quinto mais inativo do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Dados do IBGE mostram que 47% dos adultos brasileiros não praticam atividade física suficiente. O Ministério da Saúde associa a inatividade física a cerca de 300 mil mortes por ano no país. A janela da Copa, um período em que o comportamento de consumo de mídia se intensifica e o tempo sedentário cresce, é considerada pelas organizadoras o momento de maior risco para a manutenção de hábitos saudáveis.

O perfil dos 300 inscritos revela algo que contraria o senso comum sobre programas de atividade física: a maioria já treina. Quase metade (46,2%) pratica exercício cinco vezes ou mais por semana. Outros 36,2% mantêm frequência de três a quatro sessões. Apenas 5,4% são sedentários retomando uma rotina. Isso muda o enquadramento do programa: a ação não é uma campanha de conscientização para quem não se mexe. É uma tese sobre o que acontece com quem já treina quando o ambiente conspira para que pare.

A composição dos times foi desenhada para reproduzir exatamente esse conflito, os participantes foram distribuídos de forma estratégica (atletas de alta performance, praticantes regulares e iniciantes no mesmo grupo) para garantir que a dinâmica coletiva funcione em ambas as direções: quem tem consistência puxa quem está começando, e quem está recomeçando encontra suporte em quem já percorreu esse caminho. O equilíbrio entre times evita a concentração de vantagem e torna a competição genuinamente disputada.

O critério de pontuação não é carga ou intensidade, mas regularidade: o time que acumular o maior volume de minutos de atividade física ao longo dos 60 dias leva o prêmio. O monitoramento é feito pelo aplicativo GymRats, compatível com os dispositivos já usados pela maioria dos inscritos: 42,3% usam Garmin, 28,5% Apple Watch e 22,3% a plataforma Strava. A penetração de wearables entre os participantes não é acidental: ela reflete um perfil de pessoa que já monitora o próprio corpo e, portanto, tem os dados para prestar conta de si mesma e do grupo.

“A maioria dos programas de saúde trata o exercício como responsabilidade individual. Aqui, o resultado é coletivo: sua equipe perde se você para. Isso muda completamente a dinâmica de adesão”, afirma Felipe Cabral, cofundador da Centeni.

A distribuição geográfica dos inscritos aponta para o alcance nacional do programa: participantes de 11 estados e 20 cidades. São Paulo concentra 80% dos inscritos, com a capital sozinha respondendo por 65% do total, e Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e outros estados somam os 20% restantes. A distribuição por gênero é praticamente paritária: 50,8% mulheres e 49,2% homens, um dado relevante num segmento que historicamente registra maior adesão masculina a programas de desafio com recompensa financeira.

O projeto reúne quatro marcas de mercados complementares. A Barte é uma plataforma de infraestrutura financeira para empresas, com tecnologia voltada a fluxos de capital, IA e eficiência operacional. A Centeni atua em gestão de saúde e longevidade, com programa anual que mapeia biomarcadores e acompanha a evolução clínica dos usuários. A LIQUIDZ opera no segmento de hidratação funcional, com suplementação de eletrólitos para a prática esportiva. E a INSIDER, referência nacional em moda tecnológica e sustentável, reforça o desafio com a mesma lógica dos seus produtos: consistência e durabilidade como estilo de vida.

“Nossos clientes de maior performance têm uma relação consistente com atividade física, não por coincidência, mas porque disciplina física e disciplina de negócios compartilham os mesmos mecanismos. Esse programa testa essa hipótese em larga escala”, diz Raphael Dyxklay, presidente da Barte.

“A INSIDER foi construída sobre a premissa de que durabilidade não é detalhe, é escolha. Apoiar um programa que coloca consistência no centro é uma extensão natural dessa visão”, afirma Yuri Gricheno, CEO e cofundador da INSIDER.

A dinâmica que as marcas desenharam no papel aparece nos relatos de quem está dentro. “Eu sempre fui aquela pessoa que começava a treinar e parava na primeira semana. A diferença dessa vez foi não estar sozinha: tinha um time inteiro contando comigo, e ninguém quer ser o motivo da equipe perder. Comecei no dia da abertura da Copa, meio sem acreditar, e hoje treino todos os dias. É curioso, porque o campeonato que sempre me deixou parada na frente da TV foi justamente o que me tirou do sofá. Acabei entrando no clima da competição, só que a minha era outra”, conta Juliana Kristine Moreira, 29 anos, product designer em São Paulo.

O regulamento completo do programa pode ser acessado em: https://centeni.com.br/copa-gymrats.