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Ginecologia regenerativa redefine cuidado com a saúde feminina

Mulheres vivem mais, permanecem ativas por mais tempo e buscam envelhecer com qualidade de vida. A medicina acompanha essa transformação e aposta em tecnologias capazes de preservar a funcionalidade e o bem-estar feminino ao longo dos anos

Créditos: Magnific

Campinas, SP: A mulher mudou e a medicina está mudando com ela. As brasileiras vivem mais, estudam mais, ocupam mais espaço no mercado de trabalho e adiam projetos pessoais, entre eles a maternidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, a expectativa de vida feminina chegou a 79,9 anos em 2024, um dos maiores índices já registrados no país. Ao mesmo tempo, a idade média para ter filhos vem aumentando, reflexo de uma sociedade em transformação.

Essa nova realidade tem levado a medicina a rever conceitos e ampliar seu olhar sobre o envelhecimento feminino. Se antes sintomas como ressecamento vaginal, dor nas relações sexuais, perda de elasticidade dos tecidos e incontinência urinária eram encarados como consequências inevitáveis da idade, hoje a proposta é outra: preservar a qualidade de vida e a funcionalidade da mulher em todas as fases da vida.

É nesse contexto que ganha força a ginecologia regenerativa, área que utiliza tecnologias para estimular os mecanismos naturais de reparação do organismo e recuperar a saúde íntima feminina. “A mulher contemporânea não quer apenas viver mais, ela quer viver bem. Ela trabalha, pratica atividades físicas, viaja, constrói novos relacionamentos e deseja manter sua autonomia. A ginecologia regenerativa nasce justamente para acompanhar essa evolução, oferecendo recursos que vão além do tratamento dos sintomas e buscam restaurar a função dos tecidos e o bem-estar”, afirma a ginecologista e obstetra Ana Carolina Massarotto.

Entre as principais indicações desses tratamentos está a síndrome geniturinária da menopausa, condição que afeta milhões de mulheres e engloba sintomas como ressecamento vaginal, ardência, coceira, dor durante as relações sexuais, diminuição da lubrificação e alterações urinárias, como urgência para urinar e episódios de perda involuntária de urina. Apesar de bastante frequente, muitas mulheres ainda acreditam que esses desconfortos são naturais do envelhecimento e deixam de buscar ajuda.

Uma das tecnologias utilizadas nesse contexto é o laser íntimo Fotona, que atua por meio do aquecimento controlado dos tecidos vaginais, estimulando a produção de colágeno, a melhora da vascularização e a remodelação das fibras de sustentação. O procedimento é minimamente invasivo e tem sido empregado em tratamentos voltados para a atrofia vaginal, flacidez, síndrome geniturinária da menopausa e incontinência urinária leve, com o objetivo de recuperar a funcionalidade e proporcionar mais conforto às pacientes. Na prática clínica, os resultados costumam impactar aspectos que vão muito além dos sintomas físicos. “Muitas pacientes chegam ao consultório acreditando que perderam uma parte importante da qualidade de vida. Elas evitam relações sexuais por dor, deixam de praticar atividades físicas por medo da perda urinária e convivem com desconfortos diários que afetam a autoestima. Após o tratamento, o que mais ouvimos é: ‘voltei a me sentir eu mesma’. Elas relatam mais segurança, mais conforto e mais liberdade para viver a rotina que desejam”, conta Ana Carolina.

Para a ginecologista Isabela Simionatto, o avanço científico representa uma mudança importante na forma de cuidar da saúde feminina e responde a uma demanda de mulheres que não aceitam mais que o envelhecimento seja sinônimo de limitações. “Essa paciente de hoje é muito ativa. Ela está trabalhando, viajando, iniciando novos relacionamentos, praticando exercícios e quer continuar fazendo tudo isso com bem-estar. O que ouvimos no retorno é que elas se sentem mais confiantes, voltam a ter prazer nas relações e recuperam a tranquilidade para realizar atividades do dia a dia. É uma medicina que acompanha a evolução humana e entende que envelhecer pode significar continuar ativa, saudável e protagonista da própria história.”

Mais do que uma tendência, a ginecologia regenerativa representa uma nova visão de cuidado. Uma medicina que reconhece que a longevidade feminina veio acompanhada de novas expectativas e que busca oferecer respostas para que as mulheres continuem vivendo plenamente, em qualquer idade.

 

Sobre as médicas:

Ana Carolina Massarotto: médica graduada pela Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, CRM Ginecologista e Obstetra pelo Hospital e Maternidade Celso Pierro da PUC-Campinas, especializada em endoscopia ginecológica pelo Hospital das Clínicas – USP, em Ribeirão Preto. Mestre em Ciências e Saúde pela PUC-Campinas, com a dissertação “Radioterapia parcial e acelerada de mama utilizando braquiterapia de alta taxa de dose para pacientes com estádio inicial de câncer de mama: análise uni-institucional.