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Suplementos: quando fazem sentido, quando não funcionam e quando viram desperdício

Uso de vitaminas, minerais e compostos nutricionais cresceu nos últimos anos; especialistas explicam em quais situações eles podem complementar a alimentação e por que não substituem hábitos fundamentais para a saúde

Créditos: Magnific

O mercado de vitaminas, minerais e compostos nutricionais cresceu globalmente nos últimos anos, impulsionado pela busca por mais energia, melhora da performance física, envelhecimento saudável e prevenção de doenças. No entanto, apesar da popularização desses produtos, especialistas alertam que a indicação deve considerar as necessidades individuais de cada pessoa, já que nem todo composto traz benefício quando utilizado sem uma avaliação adequada.

Segundo dados da pesquisa Consumer Survey on Dietary Supplements, publicada pelo Council for Responsible Nutrition (CRN) em 2024, cerca de três em cada quatro adultos relatam utilizar algum tipo de produto dessa categoria. No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD) aponta que o consumo desses produtos também vem crescendo, especialmente entre pessoas interessadas em saúde, bem-estar e qualidade de vida.

Apesar da presença cada vez maior desses itens na rotina, o uso desses produtos exige critério e avaliação individualizada. “O suplemento pode ser uma ferramenta importante quando existe uma necessidade específica, como uma deficiência identificada, uma demanda aumentada do organismo ou uma estratégia dentro de um plano individualizado. O problema acontece quando ele passa a ser usado como uma tentativa de compensar uma rotina que não sustenta a saúde”, explica o nutricionista Brian Sumner, da Atma Soma.

De acordo com a endocrinologista e PhD Alessandra Rascovski, autora do livro Atmasoma – O equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor, o primeiro passo é entender que a saúde depende do funcionamento integrado do organismo. “Nenhum produto isolado consegue substituir os pilares que sustentam a saúde: alimentação adequada, sono, movimento e equilíbrio metabólico. Antes de pensar em suplementar, é preciso compreender o que o corpo realmente precisa”, afirma.

Deficiência, necessidade aumentada ou promessa de resultado rápido?

A indicação de vitaminas, minerais e outros compostos pode fazer sentido em diferentes contextos, como deficiências nutricionais comprovadas, restrições alimentares específicas, fases da vida com maior demanda nutricional ou condições clínicas acompanhadas por profissionais de saúde. Nesses casos, a avaliação individual ajuda a definir qual nutriente deve ser utilizado, em qual quantidade e por quanto tempo.

“A deficiência de vitamina D está entre as alterações nutricionais mais frequentemente investigadas na prática clínica. Já a reposição de ferro pode ser indicada em casos de deficiência comprovada, especialmente quando há anemia por falta do mineral. Em atletas ou pessoas com treinos intensos, alguns produtos também podem ter aplicações específicas, como a creatina, cuja eficácia para aumento de força e desempenho em exercícios de resistência é amplamente estudada.

Segundo Brian, outro ponto importante é diferenciar evidência científica de promessas associadas ao mercado de suplementação. “Existe uma expectativa de que determinados produtos possam entregar mais energia, acelerar resultados ou melhorar a saúde de forma ampla. Mas os efeitos dependem do mecanismo envolvido, do estado nutricional da pessoa e do objetivo daquele uso. Sem esse contexto, a chance de não haver benefício é maior”, explica.

Estudos publicados em 2024 no periódico Nutrients reforçam que a creatina apresenta resultados consistentes quando associada ao treinamento de resistência. Uma revisão sistemática com meta-análise avaliou 23 estudos e mostrou que o uso combinado da creatina com exercícios de força esteve associado a ganhos significativos de força muscular em adultos com menos de 50 anos. Já outros compostos apresentam resultados mais dependentes do contexto individual e da existência de uma necessidade específica.

A Dra. Alessandra reforça que exames e avaliação clínica são fundamentais para evitar excessos. “O organismo não funciona melhor simplesmente porque recebe mais nutrientes. Existe uma faixa de equilíbrio. Tanto a deficiência quanto o excesso podem gerar alterações, por isso essa estratégia precisa estar alinhada ao funcionamento daquele indivíduo”, afirma.

Quando o uso vira desperdício

Um dos principais equívocos relacionados à suplementação é associar produtos específicos a benefícios amplos e garantidos, como mais energia, emagrecimento ou prevenção de doenças. A literatura científica mostra que, para a maioria das pessoas sem deficiência nutricional, o consumo indiscriminado de vitaminas e minerais não necessariamente produz os efeitos esperados.

“Uma revisão publicada no Annals of Internal Medicine concluiu que, para adultos sem deficiências nutricionais diagnosticadas, o uso rotineiro de suplementos vitamínicos apresenta benefícios limitados na prevenção de doenças crônicas.”

Para Brian, a alimentação continua sendo a principal fonte de nutrientes e compostos bioativos. “Os alimentos entregam uma combinação de fibras, proteínas, vitaminas, minerais e outros componentes que trabalham em conjunto. Um suplemento pode complementar uma estratégia, mas dificilmente reproduz a complexidade de uma alimentação equilibrada”, explica.

Além disso, o consumo sem orientação pode levar a gastos desnecessários e, em alguns casos, ao excesso de determinados nutrientes. Doses elevadas de algumas vitaminas e minerais podem trazer riscos, especialmente quando utilizadas por períodos prolongados.

Para Alessandra, o uso consciente passa por abandonar a ideia de que existe uma solução isolada para melhorar a saúde. “A suplementação deve ser vista como parte de um cuidado maior, não como um atalho. O objetivo dessa visão sistêmica é entender o contexto completo da pessoa e utilizar recursos que façam sentido para aquele organismo”, conclui.

 

Sobre a Atma Soma

Liderada pela endocrinologista Alessandra Rascovski, autora do livro Atmasoma: o equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor – a clínica tem foco na prática da medicina de soma, unindo várias especialidades em prol dos pacientes, respeitando a sua individualidade e oferecendo a eles uma vida longa e autônoma.

A clínica conta com um time de médicos e profissionais assistenciais de diversas áreas, como endocrinologia, urologia, ginecologia, nutrição, gastroenterologia, geriatria, dermatologia, estética, medicina oriental e ayurveda, com olhar dedicado à prática do cuidado focado no eixo neurocognitivo, metabólico e hormonal.