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Dia dos Pais: leitura compartilhada fortalece o vínculo entre pais e filhos

Estudos recentes reforçam que ler em família favorece o desenvolvimento infantil e cria momentos de conexão entre pais e filhos

Separar alguns minutos do dia para ler com os filhos pode fortalecer a relação familiar e incentivar o gosto pelos livros
Foto: Anna Pou/Pexels

Ler uma história antes de dormir, dividir um livro no sofá ou acompanhar as primeiras descobertas de uma criança por meio das páginas pode parecer um gesto simples, mas faz diferença no desenvolvimento infantil. Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Frontiers in Psychology, que reuniu resultados de diversos estudos sobre leitura compartilhada, concluiu que esse hábito fortalece o desenvolvimento da linguagem, das habilidades cognitivas e socioemocionais, além de estreitar a relação entre pais e filhos.

Outro estudo, publicado em 2026 na revista Pediatric Research, acompanhou crianças desde o nascimento e observou que aquelas que tiveram mais momentos de leitura compartilhada apresentaram melhores indicadores de desenvolvimento na primeira infância.

Para a psicóloga clínica Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa, esses resultados reforçam o que já é percebido na prática. “Ler para uma criança é muito mais do que apresentar histórias. É dizer, sem palavras: ‘eu tenho tempo para você’. A leitura oferece presença, segurança e fortalece a conexão entre pais e filhos, algo essencial para o desenvolvimento saudável”, afirma

Segundo a especialista, quando pais e filhos compartilham esse momento, a criança associa a leitura a uma experiência de acolhimento e segurança. “Quando um adulto lê para uma criança, ambos compartilham atenção, imaginação e afeto. Esse momento cria memórias de segurança emocional e faz com que a criança associe a presença dos pais ao acolhimento e à escuta”, analisa.

O hábito pode começar ainda nos primeiros meses de vida. Mesmo sem compreender as palavras, o bebê reconhece a voz, o ritmo e a entonação de quem está lendo.”Essas experiências estimulam o cérebro, fortalecem o vínculo afetivo e contribuem para o desenvolvimento da linguagem”, explica Anastacia.

As histórias também ajudam a criança a compreender o que sente. Ao acompanhar personagens enfrentando desafios, medos, alegrias e frustrações, ela encontra referências para lidar com as próprias emoções. “As histórias permitem que a criança entre em contato com diferentes sentimentos de forma segura. Ao acompanhar personagens que sentem medo, tristeza, alegria ou frustração, ela aprende a reconhecer as próprias emoções e percebe que todas elas podem ser acolhidas e elaboradas”, afirma.

Para Carmen Pareras, diretora da Distribuidora Librum, a leitura compartilhada é uma oportunidade de criar momentos de qualidade entre pais e filhos. “Quando um pai lê para o filho, ele demonstra interesse pelo universo daquela criança. A história acaba, mas a conversa continua. São esses momentos que ajudam a construir vínculos, despertam a curiosidade pelos livros e criam lembranças que permanecem por muitos anos”, observa.

Histórias aproximam e abrem espaço para  conversar

Entre os títulos mais procurados pelas famílias está a coleção “O Lobo”, conhecida por unir humor e situações que fazem parte da infância.

Em “O lobo que domou suas emoções”, o personagem aprende a identificar e lidar com diferentes sentimentos.”Esse é um dos livros mais queridos da coleção porque ajuda pais e filhos a conversarem sobre emoções de forma leve. Muitas vezes, a história facilita um diálogo que seria mais difícil começar sem esse apoio”, comenta Carmen.

Em “O lobo que queria ser artista”, o personagem experimenta diferentes formas de criar e expressar suas ideias, mostrando que errar faz parte do aprendizado e estimula a criatividade.

Já “O lobo que descobriu o país dos contos” leva o leitor por uma viagem aos clássicos da literatura infantil, despertando o interesse por novas histórias e personagens.

Outro destaque é “O lobo que queria ser super-herói”, que mostra que coragem também está presente em atitudes simples do dia a dia. “A obra apresenta uma ideia de heroísmo muito próxima da realidade das crianças. Ser herói também é cuidar, respeitar, dividir e ajudar quem está ao nosso lado”, destaca Carmen.

Dez minutos já fazem diferença

Para Anastacia, criar o hábito da leitura não exige uma rotina complicada. O mais importante é que esse momento aconteça com frequência e sem cobranças.

“O exemplo é o maior incentivo. Quando a criança vê os adultos lendo e percebe que os livros fazem parte da rotina da família, ela entende que a leitura tem valor. Criar pequenos momentos diários, mesmo que sejam apenas dez minutos antes de dormir, costuma ser mais eficaz do que transformar a leitura em uma obrigação”, destaca.

Em uma época em que celulares, tablets e televisores disputam a atenção das famílias, abrir um livro também significa reservar um tempo para conversar, ouvir e compartilhar experiências.

“Enquanto a leitura convida à conversa, à imaginação e à concentração, ela também aproxima pais e filhos de uma forma que poucas atividades conseguem proporcionar”, conclui a psicóloga.

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