Nova pesquisa aponta que a saúde do pai antes da concepção pode influenciar o desenvolvimento cerebral da criança; o pediatra Antonio Carlos Turner explica o que a ciência já sabe sobre o tema

A preparação para a chegada de um bebê costuma concentrar os cuidados na saúde da mulher. No entanto, uma pesquisa publicada na revista científica Molecular Psychiatry reforça que os hábitos e a saúde do pai antes da concepção também podem exercer influência sobre o desenvolvimento da criança.
O estudo identificou que o espermatozoide carrega informações epigenéticas, modificações químicas capazes de regular a expressão dos genes sem alterar o DNA, que podem interferir no desenvolvimento cerebral do bebê. Ao acompanhar famílias com histórico de transtorno do espectro autista (TEA), os pesquisadores observaram uma associação entre determinadas marcas epigenéticas presentes no esperma paterno e aspectos relacionados à comunicação e ao comportamento social das crianças aos 3 anos de idade.
Entre os principais achados, os cientistas identificaram 94 regiões do DNA do espermatozoide com alterações epigenéticas relacionadas ao desenvolvimento infantil. Muitas dessas regiões correspondem a genes que também participam da formação e do funcionamento do cérebro e que já vêm sendo estudados por sua associação ao transtorno do espectro autista.
Segundo os autores, a pesquisa amplia a compreensão sobre os fatores envolvidos no desenvolvimento infantil e reforça que condições como o autismo resultam da interação entre fatores genéticos, ambientais e epigenéticos, sem atribuir responsabilidade exclusiva aos pais.
Para o pediatra e CEO da Rede de Clínicas TotalKids, Dr. Antonio Carlos Turner (CRM 52.46851-4 / RQE 49635), a descoberta fortalece a importância do planejamento da gestação envolvendo toda a família.
“A saúde do bebê não depende apenas da mãe. Esse estudo mostra que o espermatozoide não é um simples transportador de DNA. Ele também carrega informações biológicas que refletem o ambiente e os hábitos de vida do pai, podendo influenciar o desenvolvimento da criança. Por isso, cuidar da saúde masculina antes da concepção deve fazer parte do planejamento familiar”, afirma.
De acordo com o especialista, hábitos como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o estresse, dormir bem, evitar o cigarro e o consumo excessivo de álcool, além de realizar acompanhamento médico antes de planejar uma gestação, contribuem para uma melhor saúde reprodutiva.
Embora o estudo não estabeleça uma relação de causa e efeito, ele reforça um conceito cada vez mais presente na medicina: o período anterior à gravidez representa uma oportunidade para que tanto homens quanto mulheres adotem hábitos saudáveis que podem beneficiar a saúde da futura criança.
