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Startup brasileira lança oficialmente plataforma que detecta deepfakes.

SIGNAIP combina autenticação baseada em credenciais verificáveis incorporadas aos arquivos com análise de imagens e documentos textuais, além de permitir que titulares documentem preferências de uso por sistemas de inteligência artificial baseada em padrões internacionais

Créditos: Imagem de teste meramente ilustrativo e apartidário

Se antes o principal desafio era identificar deepfakes, agora cresce também a necessidade de comprovar a origem de conteúdos autênticos. Em um ambiente no qual imagens e documentos podem ter sua autenticidade questionada, a startup brasileira InspireIP lança oficialmente nesta quinta-feira (6) a SIGNAIP, plataforma de autenticidade digital que combina registro de autenticidade e procedência, credenciais verificáveis incorporadas aos arquivos e análise de possíveis sinais de uso de inteligência artificial em conteúdos digitais.

Após um período de testes, a solução passa a operar no mercado brasileiro com acesso mediante solicitação. A plataforma reúne duas frentes complementares: o registro da procedência e da autenticidade de conteúdos digitais e a análise técnica de imagens e documentos textuais para identificar possíveis sinais de geração, edição ou reescrita com apoio de inteligência artificial.

A plataforma foi desenvolvida para atender criadores, empresas e instituições que precisam documentar a origem de um arquivo, registrar sua anterioridade, acompanhar alterações e estabelecer condições para sua utilização por sistemas de IA.

A inteligência artificial mudou a forma como produzimos conteúdo, mas também mudou a forma como precisamos confiar nele. A discussão deixou de ser apenas identificar conteúdos sintéticos e passou a incluir a capacidade de comprovar a origem, a integridade e o histórico de arquivos digitais. É essa lacuna que a SIGNAIP busca ajudar a preencher“, afirma Caroline Nunes, fundadora da InspireIP e especialista em propriedade intelectual com formação pela USC Gould School of Law.

Credencial verificável de procedência

Durante o registro, a SIGNAIP incorpora ao próprio arquivo uma credencial verificável de procedência contendo informações sobre o titular declarado, as características técnicas do conteúdo, a data do registro e as preferências definidas para seu uso por sistemas de inteligência artificial. A credencial permanece associada ao arquivo registrado, permitindo que essas informações sejam verificadas posteriormente.

A data do registro é ancorada em blockchain, criando uma referência temporal auditável destinada a auxiliar a comprovação de anterioridade. Segundo a InspireIP, as informações associadas à credencial verificável podem ser consultadas por terceiros sem depender exclusivamente da infraestrutura da empresa.

Ao concluir o registro, o usuário recebe o arquivo com a credencial verificável incorporada e um certificado de procedência em PDF.

A estrutura permite relacionar versões e intervenções documentadas em um arquivo, incluindo edições posteriores e a incorporação de elementos gerados por inteligência artificial. O objetivo é formar um histórico consultável das transformações registradas ao longo do ciclo de vida do arquivo.

A preservação dessas informações durante a circulação do conteúdo pode, contudo, depender da forma como o arquivo é editado, exportado, comprimido ou compartilhado.

Padrões internacionais de autenticidade

A SIGNAIP utiliza o C2PA (Coalition for Content Provenance and Authenticity), padrão técnico internacional desenvolvido para associar credenciais verificáveis de procedência a conteúdos digitais.

As credenciais verificáveis registram informações sobre a origem declarada do arquivo e as alterações documentadas ao longo de seu ciclo de vida, permitindo a consulta posterior de seu histórico de procedência.

O padrão é adotado por empresas como Adobe, Google, Meta e OpenAI como parte do desenvolvimento de mecanismos destinados a ampliar a transparência sobre a origem e o histórico de conteúdos digitais.

A InspireIP também é membro da Content Authenticity Initiative (CAI), coalizão internacional dedicada ao desenvolvimento e à adoção de tecnologias de autenticidade e procedência de conteúdos digitais. Segundo a empresa, a companhia integra o grupo de organizações oficialmente homologadas para utilização do padrão C2PA e é atualmente a única empresa brasileira entre as homologadas.

A presença de uma credencial verificável de procedência, porém, não constitui, por si só, comprovação da veracidade do fato retratado. O recurso documenta a origem declarada e o histórico técnico do arquivo, mas não substitui a apuração jornalística, a análise pericial nem a verificação do contexto em que o conteúdo foi produzido.

Análise de imagens e documentos textuais

Além do registro de procedência, a SIGNAIP realiza análises probabilísticas para identificar possíveis sinais de participação de ferramentas de inteligência artificial na criação, edição ou reescrita de imagens e documentos textuais.

Em arquivos visuais, a tecnologia considera metadados, características técnicas e padrões estruturais associados à geração ou à manipulação digital. Em documentos textuais, pode analisar padrões de linguagem, uniformidade de estilo, características estatísticas e variações entre diferentes trechos. Em materiais extensos, o conteúdo pode ser dividido em blocos, permitindo que o relatório apresente resultados distintos ao longo do documento.

Durante a fase de testes, tecnologias desenvolvidas pela InspireIP foram empregadas na avaliação de imagens e documentos cuja autenticidade ou forma de produção havia sido questionada publicamente. Segundo a empresa, essas experiências contribuíram para o aprimoramento dos métodos de análise e reforçaram a importância de combinar indicadores probabilísticos com informações de procedência, metadados, integridade do arquivo e contexto.

Resultados não são prova conclusiva

A InspireIP ressalta que as análises de conteúdo sintético têm natureza probabilística. Os resultados não constituem, isoladamente, prova conclusiva de autoria, manipulação ou utilização de inteligência artificial.

Ferramentas de correção, revisão editorial, padronização de estilo, compressão, redimensionamento e sucessivas alterações podem modificar as características examinadas e, em determinados casos, produzir falsos positivos. Por isso, os relatórios devem ser interpretados em conjunto com outros elementos técnicos, documentais e contextuais. Uma estimativa probabilística, isoladamente, não permite determinar quem criou determinado conteúdo nem afirmar, de forma conclusiva, que um arquivo foi produzido ou modificado com inteligência artificial.

A análise de possíveis sinais de uso de IA é apenas um dos elementos da verificação. A autenticidade de um conteúdo depende da combinação entre procedência, contexto e evidências técnicas“, afirma Caroline Nunes.

Preferências para o uso por sistemas de IA

A plataforma permite que autores e titulares registrem preferências sobre a utilização de seus conteúdos digitais por sistemas de inteligência artificial.

O responsável pelo arquivo pode autorizar ou restringir separadamente quatro modalidades de uso: treinamento de modelos de IA generativa; treinamento de modelos não generativos, como sistemas de classificação de imagens; mineração de dados; e inferência de inteligência artificial.

As preferências passam a integrar a credencial verificável de procedência incorporada ao arquivo, documentando as condições estabelecidas pelo titular para cada modalidade de uso.

Segundo a InspireIP, essas informações são registradas em formato legível por máquinas e podem ser consultadas por plataformas e desenvolvedores que tenham acesso ao arquivo. A efetiva observância dessas preferências, contudo, depende da adoção desse padrão pelos sistemas que utilizarem o conteúdo e não impede, por si só, usos não autorizados.

Lançamento

A SIGNAIP passa a operar oficialmente nesta quinta-feira (6). Nesta etapa, o acesso à plataforma será concedido mediante solicitação e análise dos pedidos pela equipe da InspireIP.

A solução é voltada a ilustradores, fotógrafos, criadores de conteúdo, agências, produtoras, redações, escritórios especializados em propriedade intelectual, marcas e organizações que precisam registrar, verificar ou documentar a autenticidade e a procedência de ativos digitais.

A plataforma já oferece recursos de registro, verificação e análise para imagens, documentos textuais, arquivos PDF, áudio e vídeo. As solicitações de acesso podem ser realizadas em https://signaip.inspireip.io/ .

Sobre a InspireIP

Fundada em 2020, a InspireIP é uma startup brasileira de tecnologia dedicada à proteção de direitos de propriedade intelectual por meio de soluções baseadas em blockchain. A empresa atua no desenvolvimento de tecnologias voltadas à rastreabilidade, autenticidade, prova digital e procedência de ativos digitais, com foco em registro autoral, integridade de conteúdo e verificação digital na era da inteligência artificial. A plataforma oferece soluções de registro e comprovação de anterioridade com registros auditáveis em blockchain e mecanismos de prova digital com validade jurídica. Ao longo de sua trajetória, a companhia realizou projetos envolvendo ativos digitais e autenticidade de conteúdo em parceria com organizações como SBT, Spotify e MSP Estúdios.

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