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MED 2.0 do Pix rastreia dinheiro por várias contas após golpes; veja como funciona

Mecanismo Especial de Devolução foi ampliado para acompanhar o caminho dos recursos além da primeira conta usada na fraude e pode aumentar as chances de recuperação

Celular com aplicativo bancário representando contestação de golpe via Pix

Quem cai em um golpe envolvendo Pix pode ter mais chances de recuperar o dinheiro com a versão aprimorada do Mecanismo Especial de Devolução (MED), conhecida como MED 2.0. A principal mudança é a possibilidade de rastrear o caminho dos recursos para além da primeira conta que recebeu a transferência fraudulenta.

O aprimoramento busca enfrentar uma prática comum em golpes financeiros: assim que recebem o Pix, criminosos transferem rapidamente o dinheiro para outras contas, dificultando o bloqueio dos valores.

Segundo o Banco Central, o mecanismo passou a identificar possíveis caminhos percorridos pelos recursos e compartilhar essas informações entre as instituições participantes do Pix. A funcionalidade ampliada tornou-se obrigatória para os participantes do sistema em 2 de fevereiro de 2026.

Dinheiro pode ser localizado em outras contas

No modelo anterior, a devolução dependia principalmente da existência de saldo na conta originalmente usada para receber o dinheiro da fraude. Com o aprimoramento, o sistema pode acompanhar transferências posteriores e buscar recursos em contas de outros envolvidos.

Para Andressa Lipski, diretora de governança da Trio, empresa especializada em tecnologia para pagamentos, essa mudança ataca uma das principais estratégias usadas por golpistas.

“O principal gargalo do MED antigo era conseguir rastrear e bloquear os recursos apenas na conta do primeiro recebedor. A evolução busca justamente fechar essa brecha”, afirma.

Na prática, a mudança amplia a possibilidade de identificar onde o dinheiro foi parar depois que deixou a primeira conta. Isso não significa, porém, que toda vítima terá o valor recuperado.

MED não garante devolução do dinheiro

O Banco Central alerta que o MED é um mecanismo para tentar recuperar valores enviados em casos de fraude, golpe ou crime, mas a devolução depende da análise das instituições e da existência de saldo nas contas envolvidas.

O mecanismo não serve para cancelar qualquer Pix. Entre as situações em que o MED não se aplica estão desacordos comerciais, transferências feitas por engano para a pessoa errada e casos envolvendo terceiros de boa-fé.

Fui vítima de golpe no Pix: o que fazer?

Quem perceber que caiu em uma fraude deve agir o mais rápido possível. O Banco Central orienta que a vítima acesse o aplicativo da própria instituição financeira e conteste a transação para acionar o MED.

O pedido pode ser registrado em até 80 dias depois da transferência, mas quanto mais cedo a fraude for comunicada, maiores são as chances de ainda haver recursos disponíveis para bloqueio.

O GuaíraNews já explicou anteriormente como funciona o botão de contestação do Pix para casos de golpes e fraudes, disponível nos aplicativos das instituições participantes.

Também é recomendável guardar comprovantes, conversas, números de telefone, perfis e outros registros relacionados ao golpe e registrar boletim de ocorrência quando necessário.

Prevenção continua sendo essencial

Mesmo com o rastreamento ampliado, a prevenção continua sendo a forma mais eficaz de evitar prejuízos. Antes de confirmar um Pix, confira o nome do destinatário, desconfie de pedidos acompanhados de pressão ou urgência e nunca compartilhe senhas ou códigos de segurança.

Em golpes envolvendo falsas centrais de atendimento, supostos funcionários de bancos ou mensagens pedindo transferências imediatas, a recomendação é interromper o contato e procurar a instituição financeira pelos canais oficiais.

Fontes: Banco Central do Brasil e Andressa Lipski, diretora de governança da Trio.

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