Análise do relatório de agosto aponta melhora nos fundamentos do milho, enquanto a soja ainda precisa de novos gatilhos para sustentar altas mais consistentes

O relatório de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado em 12 de agosto, trouxe leituras diferentes para milho e soja e voltou a movimentar o mercado agrícola.
Segundo análise da Biond Agro, o milho recebeu sinais mais favoráveis, enquanto a soja apresentou um quadro mais equilibrado, com fatores positivos e negativos se compensando.
Milho ganha suporte com balanço mais apertado
No milho, a leitura considerada mais relevante foi a redução dos estoques finais americanos e a melhora das exportações dos Estados Unidos.
De acordo com Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, a relação entre estoques e uso caiu, reforçando a percepção de um balanço mais apertado para o cereal.
“A relação estoque sobre uso caiu de 11% para 10,12%. Isso significa um balanço americano de milho mais apertado”, afirma.
Esse cenário tende a dar suporte às cotações internacionais, mas, para o produtor brasileiro, o comportamento do câmbio, dos prêmios e do ritmo das exportações segue determinante para o preço recebido no mercado interno.
Soja ainda encontra resistência para sustentar alta
Na soja, a redução da produtividade americana foi parcialmente compensada pelo aumento da área colhida e da produção nos Estados Unidos.
“Produtividade menor é positiva, mas área maior, produção maior e estoques acima do esperado neutralizam boa parte desse efeito”, explica Yedda.
Segundo a analista, a manutenção da projeção de importações chinesas em 115 milhões de toneladas também limitou uma reação mais forte das cotações.
Para que a soja encontre espaço para altas mais consistentes, o mercado deve acompanhar especialmente novos sinais de demanda chinesa, eventuais perdas adicionais na safra americana e a evolução das exportações.
Produtor brasileiro deve manter cautela
Mesmo com a melhora dos fundamentos do milho, a orientação permanece cautelosa. Fatores externos, câmbio e condições comerciais no Brasil continuam tendo peso relevante na formação dos preços.
O relatório WASDE é divulgado mensalmente pelo USDA e reúne estimativas de oferta e demanda para as principais commodities agrícolas nos Estados Unidos e no mercado mundial.
Fonte: USDA e análise de Yedda Monteiro, da Biond Agro.
