Celulares, notebooks, mouses e fones acumulam resíduos diários, mas aplicação incorreta de produtos atua como vilã invisível dos componentes internos, aponta ABRALIMP.

Eles estão nas mesas de trabalho, nos treinos da academia, no transporte público e até nas refeições, acumulando resíduos e marcas do manuseio diário. No entanto, a tentativa de manter celulares, notebooks e fones de ouvido limpos tem gerado um efeito colateral silencioso e caro: a degradação de telas e a corrosão de conectores internos. O alerta é da ABRALIMP (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional), que aponta que o uso de misturas caseiras, álcool inadequado e o excesso de líquido nos aparelhos são os principais responsáveis por danos definitivos nesses equipamentos.
A associação destaca que a higienização desses equipamentos exige um equilíbrio técnico rigoroso entre a eficiência na remoção de sujidades e a preservação dos componentes mecânicos e eletrônicos. Por serem superfícies sensíveis e de toque frequente, o procedimento requer conhecimento dos insumos e das metodologias aplicadas.
“Eletrônicos pessoais e compartilhados exigem higienização frequente, mas são sensíveis a líquidos e produtos abrasivos. O desafio é limpar sem danificar”, explica Fernando Augusto Domingues Filho, Superintendente Executivo da Centrallimp, empresa do setor de limpeza e conservação.
Cuidados essenciais antes de iniciar o procedimento
A ABRALIMP reforça que qualquer intervenção deve começar pela preparação do dispositivo: o equipamento precisa estar desligado e desconectado de carregadores ou fontes de energia. Acessórios removíveis, como capas e películas, devem ser retirados para higienização em separado. Antes de aplicar qualquer solução úmida, é indispensável remover a poeira e os resíduos soltos com um pano macio e limpo. Caso haja sujeira aderida, a limpeza úmida pode ser feita, desde que a superfície seja compatível e o procedimento utilize o mínimo de umidade.
Um dos erros mais frequentes identificados por especialistas é a aplicação direta de líquidos nos aparelhos. A orientação técnica é pulverizar uma pequena quantidade do produto em um pano macio, limpo e sem fiapos — preferencialmente microfibra adequada para superfícies delicadas. Para as superfícies externas, recomendam-se produtos com pH próximo ao neutro, formulados com tensoativos suaves, baixa espumação e baixo resíduo.
“A limpeza de equipamentos eletrônicos é bem delicada. Deve-se sempre utilizar produtos neutros feitos com tensoativos suaves e de baixa espumação. A aplicação deve ser feita pulverizando o produto sobre um pano de microfibra e nunca diretamente sobre a superfície dos eletrônicos”, ressalta Cristina S. Venezuela Miranda, Química Responsável da Perol, empresa fabricante de produtos de limpeza profissional.
Insumos proibidos e o uso correto do álcool isopropílico
A consulta prévia às orientações dos fabricantes é indispensável. Devem ser rigorosamente evitados: água em excesso, produtos abrasivos, solventes, acetona, cloro, água sanitária, amônia, limpa-vidros e misturas caseiras improvisadas.
A ABRALIMP faz ainda um alerta específico sobre o álcool isopropílico. Embora seja amplamente utilizado na indústria e na manutenção técnica de placas e conectores por ter alto grau de pureza, rápida evaporação e não conduzir eletricidade, seu uso não deve ser generalizado para todas as superfícies externas ou equipamentos sem avaliação prévia.
“O álcool isopropílico é usado na indústria para a limpeza de placas eletrônicas porque não conduz energia elétrica. Porém, ele não é, em si, um produto saneante: é um componente químico que pode estar presente em um produto saneante”, esclarece Thiago Lopes, Gerente Técnico Comercial da LimSept. O especialista destaca ainda que saneantes destinados à limpeza ou desinfecção devem possuir regularização aplicável junto à Anvisa.
“Não existe um único produto que seja o mais indicado para a limpeza de todos os equipamentos eletrônicos. A escolha deve considerar o tipo de equipamento, a superfície, a sujidade presente e, principalmente, as recomendações do fabricante”, complementa Fábio Lorenzo, Diretor Técnico da Indeba.
Técnica de aplicação e particularidades por equipamento
Na limpeza úmida, a técnica correta faz toda a diferença: o pano deve deslizar em uma única direção para recolher a sujeira de um ponto ao outro. Movimentos circulares ou produtos que espumam podem deixar resíduos que embaçam a superfície e facilitam a aderência de nova poeira.
A entidade detalha os cuidados específicos por categoria:
- Celulares e tablets: Limpeza da tela, bordas, capas e traseira com pano adequado, sem permitir a entrada de líquidos em microfones, alto-falantes e conexões.
- Notebooks: Remoção prévia de poeira e limpeza do teclado e tela com baixa umidade aplicada exclusivamente no pano.
- Teclados e mouses: Remoção de poeira e migalhas antes do pano umedecido com produto compatível, evitando desmontagens não autorizadas ou objetos pontiagudos.
- Fones de ouvido: Higienização das superfícies externas e de acessórios removíveis, protegendo entradas e alto-falantes de qualquer umidade.
Limpeza x Desinfecção e gestão de processos
A ABRALIMP enfatiza que a limpeza remove a sujeira e a oleosidade por ação mecânica, enquanto a desinfecção exige agentes químicos específicos, dosagem correta e tempo de contato com a superfície.
“Em equipamentos compartilhados, é importante aumentar a frequência da limpeza e concentrar a atenção nas áreas mais tocadas. O registro em checklist contribui para que o procedimento seja realizado de maneira uniforme e rastreável”, conclui Fernando Augusto Domingues Filho.
Checklist rápido de segurança ABRALIMP
- Desligue e desconecte o equipamento da tomada;
- Consulte as orientações do fabricante;
- Remova a poeira antes de iniciar a limpeza úmida;
- Utilize pano de microfibra e produto compatível, aplicado sempre no pano;
- Controle a umidade e proteja conectores, frestas e alto-falantes;
- Abandone produtos abrasivos, misturas caseiras e objetos pontiagudos;
- Aguarde a secagem completa antes de religar o aparelho;
- Para limpeza interna, recorra sempre à assistência técnica especializada.
Regra de ouro: Aparelho desligado, pano adequado, produto compatível e umidade controlada.
Sobre a ABRALIMP
A Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (ABRALIMP) é uma entidade sem fins lucrativos fundada em 1986, dedicada ao fortalecimento e à valorização do setor de higienização no Brasil. Reunindo mais de 240 empresas associadas de toda a cadeia produtiva, a entidade promove desenvolvimento técnico, capacitação, integração setorial e representatividade institucional.
Sua atuação é estruturada em cinco câmaras setoriais (Distribuidores, Químicos, Máquinas, Equipamentos e Prestadores), que funcionam como verticais estratégicas de articulação técnica e empresarial, reunindo especialistas e lideranças para discutir regulamentação, inovação, qualificação profissional, boas práticas e evolução de mercado em cada segmento prioritário da cadeia. Essas câmaras são hoje os principais motores internos de avanço técnico e institucional da Abralimp, contribuindo diretamente para a profissionalização e o fortalecimento do setor em âmbito nacional.
Entre suas principais iniciativas estão a Higiexpo, a UniAbralimp e o congresso Higicon, além de publicações técnicas e estudos de mercado. A Abralimp atua com base em princípios de ética, transparência, autonomia e imparcialidade, consolidando-se como referência nacional em conhecimento, conexão e representatividade para a limpeza profissional.
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