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Megaoperação contra celulares roubados: especialista explica por que adulterar o IMEI não apaga os rastros

Como manter seus aplicativos de banco seguros no celularCréditos: PixelVista/iStock

Nesta quinta-feira (10), o Gaeco do Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Frank Mobile, após cerca de dois anos de investigação. A ação mobiliza 1.700 agentes, com 84 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão em São Paulo e Goiás. Segundo o MP, lojas que funcionavam formalmente como assistências técnicas removiam bloqueios de ativação, desvinculavam aparelhos de contas na nuvem e alteravam o IMEI, com uso de softwares de desbloqueio remoto e até troca física de placas-mãe, para que celulares registrados como roubados voltassem a funcionar e fossem revendidos. Em mensagens citadas pela investigação, a troca de placa de um aparelho bloqueado aparece cotada a R$ 250.

Para explicar o que acontece com o aparelho e com os dados da vítima depois do roubo, a CertiFace disponibiliza como fonte Pedro Tavares, Diretor de Produtos e Dados da CertiFace, pioneira em biometria facial e antifraude.

A adulteração não apaga todos os rastros

Mesmo após a adulteração ou substituição do componente que comunica o IMEI, o celular mantém outras camadas de identificação que podem ser cruzadas pela perícia.

“O IMEI é apenas uma das formas de identificação do aparelho. Dependendo do modelo, há número de série, identificadores de componentes, registros de fabricação e ativação, que são dados mantidos por fabricantes e operadoras. A perícia pode comparar essas camadas. Quando elas não coincidem, pode surgir a evidência de adulteração. Nem sempre será possível reconstruir toda a identidade original, especialmente após a troca da placa, mas a adulteração não apaga automaticamente todos os rastros”, destaca Tavares

Dos dados da vítima ao consumidor que compra sem saber

A investigação aponta que os criminosos também tentavam usar aplicativos bancários das próprias vítimas para fazer transações e obter dados pessoais para golpes. Tavares explica por que as primeiras horas são decisivas:

“O intervalo entre o roubo e o bloqueio é crítico, porque o celular concentra e-mail, mensagens, redes sociais, bancos e mecanismos de recuperação de senhas. Se estiver desbloqueado ou se o criminoso obtiver a senha, pode haver tentativas de acesso a contas e serviços. A vítima deve agir rapidamente: bloquear o aparelho e a linha, avisar os bancos, proteger as contas, usar recursos como o Celular Seguro e registrar a ocorrência.”

Na outra ponta da cadeia está quem compra o aparelho:

“Um consumidor também pode comprar um aparelho adulterado sem saber. Por isso é importante consultar o IMEI em bases oficiais, comparar os identificadores do telefone com a documentação, exigir a nota fiscal e, quando o IMEI constar na documentação ou embalagem original, conferir se ele corresponde ao apresentado pelo aparelho. A Anatel também alerta que até nota fiscal falsa pode existir; portanto, nota + IMEI + procedência precisam ser analisados juntos. Uma consulta sem restrição ajuda, mas não garante, sozinha, que o aparelho seja regular.”

Como o celular ganha uma “nova identidade”

“O IMEI é como o chassi de um carro: um identificador próprio do celular, usado pelas redes para reconhecer o aparelho. O criminoso tenta fazer com que o aparelho se apresente à rede com um identificador diferente do registrado como roubado. É como se um carro passasse a circular com outro número de chassi: o bloqueio associado ao IMEI original pode deixar de identificar aquele aparelho. ”

Segundo Tavares, a adulteração pode envolver software, hardware ou ambos: “Pode manipular informações ligadas ao modem e ao firmware ou substituir fisicamente a placa principal, que concentra uma parte importante da identidade eletrônica do telefone.” Ele diferencia as etapas: “Desbloquear pode significar contornar uma proteção de acesso ou um bloqueio de ativação; alterar o IMEI é interferir na identidade apresentada à rede; trocar a placa é substituir fisicamente um dos principais componentes do aparelho. Essas técnicas podem ser combinadas, mas não são a mesma coisa.”

Há ainda uma outra camada de segurança: o próprio cadastro de aparelhos impedidos precisa permitir o desbloqueio legítimo, por exemplo quando o proprietário recupera um telefone que havia sido bloqueado. Isso significa que existem processos e acessos autorizados capazes de retirar uma restrição do sistema.

“Como em qualquer sistema crítico, esses acessos privilegiados também precisam ser fortemente protegidos, registrados e auditados. Em tese, uma fraude interna, o comprometimento de uma credencial administrativa ou uma falha no processo de autorização poderia resultar em um desbloqueio indevido. Isso é uma hipótese de risco de segurança; não significa, porém, que haja até o momento evidência pública de que esse mecanismo tenha sido utilizado nesta operação.”

O que precisa avançar

“Mesmo um celular bloqueado pode continuar valioso para a cadeia criminosa quando é desmontado e vendido em peças. A resposta exige várias medidas: proteger identificadores, dificultar a substituição fraudulenta, manter bases atualizadas, rastrear peças e exigir comprovação de origem no mercado de reparo e de usados. O ponto central aqui é econômico, pois o roubo se sustenta porque há uma cadeia capaz de receber, adulterar, desmontar e revender esses aparelhos.”

Segurança by design

É importante fazer uma ressalva: pelo próprio desenho técnico do sistema, o IMEI não deveria ser alterável, regravável ou mascarável livremente. Ele foi concebido para funcionar como um identificador persistente do equipamento, justamente porque isso é importante para segurança, combate a fraudes, bloqueio de aparelhos roubados e também para a operação e integridade das redes das empresas de telecomunicações.

Por isso, quando há adulteração, estamos falando de uma violação dos mecanismos de proteção previstos para esse identificador, e não de uma função normal do aparelho.

Sobre o porta-voz

Pedro Tavares é Diretor de Produtos e Dados da CertiFace, empresa pioneira em biometria facial e antifraude.

Sobre a CertiFace

Pioneira em biometria facial no Brasil, a CertiFace é uma IDTech especializada em soluções de prevenção à fraude e autenticação de identidade digital. Com uma trajetória iniciada em 1996 e um DNA de inovação constante, a empresa protege ecossistemas digitais por meio de tecnologias avançadas de validação de identidade, garantindo segurança, escala e alta performance. Presente em segmentos como varejo, bancos, fintechs, iGaming, seguros e transporte, apoia organizações na construção de jornadas digitais mais seguras e eficientes.

Mais informações: certiface.io

Linkedin: https://www.linkedin.com/company/certifaceio/

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