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Melanoma sob a unha: cirurgia conservadora pode evitar amputação do dedo em casos selecionados

O Congresso Brasileiro de Câncer de Pele, promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), em Goiânia, discutirá avanços no tratamento do melanoma subungueal e de outros tumores da pele. Programação inclui avaliação dos linfonodos no carcinoma espinocelular, inteligência artificial no diagnóstico, tratamento antes e depois da cirurgia, cirurgia de Mohs, melanoma na gestação e novas abordagens para tumores raros

Melanoma sob a unha: cirurgia conservadora pode evitar amputação do dedo em casos selecionados

A cidade de Goiânia recebe o IV Congresso Brasileiro de Câncer de Pele e o II Congresso Internacional de Câncer de Pele entre os dias 22 e 24 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia.

O evento, organizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), reunirá especialistas nacionais e internacionais para discutir os principais avanços no diagnóstico e tratamento da doença. A programação completa e inscrições estão disponíveis em cancerdepele2026.com.br.

Entre os temas de destaque da programação está uma aula dedicada ao câncer de pele sob a unha, conhecido como melanoma do aparelho ungueal frequentemente chamado de melanoma subungueal ou melanoma sob a unha.

O foco será a comparação entre a amputação, historicamente utilizada no tratamento do melanoma do aparelho ungueal, e as cirurgias conservadoras, que em casos selecionados permitem retirar o tumor preservando o dedo e sua função, sem comprometer os princípios de segurança oncológica.”A aula “Melanoma subungueal: amputação vs. cirurgia conservadora?” será ministrada por Mauro Enokihara, chefe do Departamento de Dermatologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), no último dia do congresso, sábado (24), no bloco “Melanoma: apresentações especiais”.

O melanoma subungueal é raro e representa aproximadamente 0,7% a 3,5% dos melanomas em todo o mundo.

Embora seja raro na população geral, o melanoma do aparelho ungueal representa proporcionalmente uma parcela maior dos melanomas diagnosticados em pessoas negras, asiáticas e hispânicas, em parte porque outros subtipos de melanoma cutâneo são menos frequentes nessas populações. Os dados são apresentados em revisão disponível no StatPearls, da National Library of Medicine.

De acordo com Flávio Cavarsan, cirurgião oncológico, vice-coordenador da Comissão de Neoplasias da Pele da SBCO e presidente da Comissão Organizadora do congresso, o encontro busca integrar conhecimentos e experiências de diferentes áreas envolvidas no cuidado ao paciente com câncer de pele. “Vamos discutir os avanços terapêuticos, trazer atuais e novos protocolos para os cânceres de pele e compartilhar experiências entre diversas especialidades que tratam o tumor”, explica Cavarsan.

Outro tema previsto é o carcinoma espinocelular (CEC), um dos principais tipos de câncer de pele não melanoma, ao lado do carcinoma basocelular.

Felice Riccardi, cirurgião oncológico e membro da SBCO e diretor do Grupo Brasileiro de Melanoma, ministrará a aula “Abordagem da base linfonodal no CEC cutâneo”, com foco nos casos considerados de alto risco.

A discussão abordará como avaliar os linfonodos, quando investigar uma possível disseminação da doença e em quais situações a abordagem cirúrgica pode ser indicada.

Os linfonodos são pequenas estruturas do sistema linfático e podem estar entre os primeiros locais atingidos quando determinados tumores se disseminam. “A identificação de um possível comprometimento linfonodal pode influenciar a definição da estratégia de tratamento e o acompanhamento do paciente. Durante a aula, serão discutidos os critérios utilizados para avaliar esse risco e as situações em que a cirurgia dos linfonodos pode fazer parte do tratamento”, explica Cavarsan.

O especialista ressalta que o tratamento do câncer de pele tem evoluído em diferentes frentes, permitindo considerar as características do tumor e do paciente na definição da estratégia terapêutica. “Hoje, há diferentes estratégias para tratar o câncer de pele e a escolha depende do tipo de tumor, do estágio da doença e das características de cada paciente. O diagnóstico precoce continua sendo fundamental, mas, mesmo nos casos mais avançados, temos ampliado as possibilidades de tratamento e controle da doença”, afirma.

Câncer de pele

O câncer de pele é o mais incidente no Brasil. Segundo as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028, são esperados 263.280 novos casos de câncer de pele não melanoma por ano no país, o equivalente a mais de 720 novos diagnósticos por dia. O tipo permanece como o câncer mais frequente entre homens e mulheres.

Embora menos frequente, o melanoma merece atenção por seu maior potencial de disseminação.

Para o período de 2026 a 2028, o INCA estima 9.360 novos casos por ano no Brasil, sendo 4.930 em homens e 4.430 em mulheres. “Os números reforçam a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, temas que estarão entre os principais assuntos do Congresso”, aponta Paulo Henrique Fernandes, cirurgião oncológico e presidente da SBCO.

Em Goiás, sede do evento, são estimados 13.780 novos casos de câncer de pele não melanoma e 170 de melanoma em 2026, totalizando 13.950 casos novos estimados.

Apenas em Goiânia, a estimativa é de 2.360 novos casos de câncer de pele não melanoma e 50 de melanoma no ano.

Sintomas e fatores de risco

A exposição à radiação ultravioleta (UV) está entre os principais fatores relacionados ao desenvolvimento do câncer de pele.

Exposição excessiva ao sol, histórico de queimaduras solares, uso de câmaras de bronzeamento artificial e pele clara estão entre os fatores associados a maior risco.

No caso específico do melanoma do aparelho ungueal, entretanto, a associação com exposição solar não está estabelecida da mesma forma que nos melanomas cutâneos convencionais.

A doença pode se manifestar de diferentes formas, incluindo feridas que não cicatrizam, pintas que mudam de cor, formato ou tamanho, aparecimento de novas pintas e lesões escuras com assimetria ou bordas irregulares.

Alterações persistentes na pele devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Outros temas do congresso

A programação está dividida entre cursos pré-congresso e atividades gerais.

No dia 22 de outubro, dois cursos serão voltados a conhecimentos fundamentais para cirurgiões que atuam no tratamento do câncer de pele.

Os conteúdos incluem identificação dos tumores, uso da dermatoscopia para reconhecer sinais de melanoma, técnicas de reconstrução após a retirada de tumores no nariz, pálpebras, lábios e outras regiões da face, além de sessões interativas com atividade prática e quiz. No dia 23, um dos temas será a “Estratificação molecular no prognóstico do melanoma”, apresentada por Clóvis Antônio Lopes Pinto, médico patologista do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo.

A discussão mostrará como características genéticas e moleculares do tumor podem ajudar a estimar seu comportamento, risco de progressão e resposta a determinados tratamentos.

O convidado internacional Gabriel Salerni, médico argentino especialista em câncer de pele, que atua no Hospital Provincial del Centenario de Rosário e na Universidad Nacional de Rosário, participará do debate sobre a abordagem do lentigo maligno da face, tipo de melanoma que costuma surgir em áreas do rosto expostas ao sol ao longo dos anos.

Ele também abordará o avanço da inteligência artificial no diagnóstico do câncer de pele.

Outro convidado internacional, Abel Gonzalez, médico argentino e cirurgião de cabeça e pescoço, apresentará dados de 35 anos de acompanhamento de pacientes submetidos à cirurgia de Mohs.

A técnica, na qual Gonzalez é um dos principais nomes na América Latina, permite remover o tumor com controle microscópico sistemático das margens cirúrgicas, preservando a maior quantidade possível de tecido saudável.

Também no dia 23, Veridiana Pires de Camargo Camargo, oncologista clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, apresentará uma aula sobre a seleção de pacientes com melanoma em estádios II e III de alto risco para tratamento adjuvante, realizado após a cirurgia. “A palestra abordará quais características podem indicar maior risco de retorno da doença e ajudar na definição dos pacientes que podem se beneficiar desse tratamento”, explica Paulo Henrique Fernandes.

No sábado, 24, o tratamento realizado antes da cirurgia estará entre os assuntos do bloco “Neoadjuvância em Melanoma”.

A chamada terapia neoadjuvante consiste no uso de outro tratamento, como a imunoterapia, antes do procedimento cirúrgico.

Milton Barros, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center, discutirá a escolha do tratamento sistêmico e as alternativas quando essa estratégia não alcança o resultado esperado.

Outra apresentação abordará a relação entre as respostas clínica, metabólica e patológica observadas após a imunoterapia.

Na sequência, João Duprat, diretor do departamento de Câncer de Pele do A.C.Camargo Cancer Center e cirurgião oncológico, abordará o papel da retirada dos linfonodos após a terapia neoadjuvante, discutindo a extensão da cirurgia linfonodal após tratamento neoadjuvante, incluindo o papel da retirada do linfonodo índice e a necessidade, ou não, de linfadenectomia completa em pacientes selecionados.

A programação também inclui recomendações para o manejo do melanoma durante a gestação, apresentadas por Frederico Teixeira, cirurgião oncológico, responsável Responsável pelo Grupo de Cirurgia Oncológica da Divisão de Clínica Cirúrgica pela Faculdade de Medicina da USP, com discussão dos cuidados e das estratégias de tratamento diante de um diagnóstico durante a gravidez.

Entre os tumores raros, Ivna Gonçalves, cirurgiã oncológica do Tumores Cutâneos do A.C. Camargo Cancer Center e também membro da SBCO, abordará o dermatofibrossarcoma protuberans, câncer de pele que pode se estender além da área visível e apresentar risco de voltar no mesmo local.

A aula discutirá a PDEMA, técnica cirúrgica que permite examinar detalhadamente as margens durante o procedimento para confirmar a retirada completa do tumor e preservar tecido saudável, além de comparar essa estratégia com outras formas de cirurgia.

Na expectativa de Paulo Henrique Fernandes, o congresso permitirá a atualização dos diferentes profissionais envolvidos no cuidado ao paciente, do diagnóstico ao acompanhamento após o tratamento. “O câncer de pele exige uma abordagem cada vez mais integrada, personalizada e baseada nas melhores evidências, envolvendo diferentes profissionais desde o diagnóstico até o seguimento. Os congressos são uma oportunidade de atualização científica, troca de experiências e integração entre as especialidades, com o objetivo final de levar ao paciente um tratamento cada vez mais seguro, efetivo e individualizado”, finaliza.

SERVIÇO

IV Congresso Brasileiro de Câncer de Pele e II Congresso Internacional de Câncer de Pele
Data: 22 a 24 de outubro de 2026
Local: Centro de Convenções de Goiânia
Endereço: Rua 4, nº 1.400, Setor Central – Goiânia (GO)
Realização: Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)
Informações e inscrições: cancerdepele2026.com.br
Credenciamento para imprensa: Bárbara Conti de Oliveira (11) 98203-4946 / Moura Leite Netto (11) 99733-5588.

Sobre a SBCO

– Fundada em 31 de maio de 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, que agrega cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com câncer.

Sua missão é também promover educação médica continuada, com intercâmbio de conhecimentos, que promovam a prevenção, detecção precoce e o melhor tratamento possível aos pacientes, fortalecendo e representando a cirurgia oncológica brasileira.

É presidida pelo cirurgião oncológico Paulo Henrique de Sousa Fernandes (2025-2027).

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