Endocrinologista pediátrico Dr. Miguel Liberato explica por que equilibrar o uso de telas com brincadeiras, movimento e convivência é essencial para o desenvolvimento infantil

Celulares, tablets, videogames e redes sociais fazem parte da rotina de crianças cada vez mais cedo. Em meio a uma infância mais conectada, o desafio para muitas famílias é encontrar equilíbrio entre o universo digital e experiências fundamentais fora das telas, como brincar, correr, criar e conviver.
Para o endocrinologista pediátrico Dr. Miguel Liberato, especialista em crescimento infantil e membro vitalício da Growth Hormone Research Society, as brincadeiras não devem ser vistas apenas como entretenimento, mas como parte importante do desenvolvimento físico, emocional e social.
“As brincadeiras infantis de caráter lúdico e de prática coletiva são fundamentais para o desenvolvimento da criança. Tais atividades são fundamentais para a aquisição de consciência de coletivo, inteligência emocional, desenvolvimento da função motora e da força muscular, linguagem, entre outros diversos benefícios”, explica.
“Muito do que aprendemos ao longo da vida vem de exemplos que vivenciamos, mas parte disso pode ser agregado de forma sutil com os estímulos corretos, que podem vir a partir dessas brincadeiras”, completa.
O cuidado também passa pelo tempo de exposição às telas. As recomendações variam de acordo com a idade: menores de 2 anos devem evitar o uso, com exceção de situações como videochamadas com familiares; entre 2 e 5 anos, o limite indicado é de até uma hora por dia; dos 6 aos 10 anos, até duas horas; e, dos 11 aos 17 anos, até três horas de uso recreativo. Em todas as fases, a orientação é equilibrar os dispositivos com sono, alimentação, estudos, atividade física e convivência familiar.
Para Miguel, os adultos têm papel fundamental nesse processo, principalmente diante da presença constante das telas no cotidiano. “Temos que combater o tempo excessivo de tela, estimular as crianças a se interessarem, o mais precoce possível”, destaca o médico, que ressalta outros cuidados em seu portal na internet www.doutormiguelliberato.com.br
O especialista também recomenda oferecer alternativas dentro e fora de casa. “Pode estimular em casa através de jogos educativos, colocando-as em atividades coletivas supervisionadas e aproveitando o tempo livre para estimular locais onde seja possível realização de atividades com outras crianças. Além de todo benefício já descrito acima, essas atividades também têm um importante efeito protetor contra distúrbios de comportamento”, explica.
Outro ponto de atenção é o acesso precoce às redes sociais e aos smartphones. A recomendação é que crianças não tenham aparelho próprio antes dos 12 anos e que o uso digital seja acompanhado de perto pelos responsáveis. “Atualmente, é cada vez mais difícil manter as crianças, principalmente os adolescentes, longe das redes sociais. O ideal é que não estimulemos esse uso e os pais devem tentar segurar o máximo possível o início do contato da criança com as redes. É uma batalha difícil, pois a pressão vem de todos os lados: de outras crianças que já utilizam, dos próprios pais que utilizam na frente da criança e fortalecem esse exemplo e até mesmo da televisão”, alerta.
Mais do que eliminar a tecnologia da rotina, a proposta é evitar que ela substitua experiências essenciais da infância. Brincar, se movimentar e conviver com outras crianças continuam sendo partes importantes de um desenvolvimento saudável.
