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Palidez que não passa, febre que volta, manchas sem motivo: 8 sinais que merecem atenção na criança

Sintomas comuns da infância, quando persistem, se repetem ou fogem do padrão habitual, merecem avaliação médica; história de Maitê mostra como a atenção da família pôde ser o primeiro passo para investigar o câncer infantil

criança deitada em cama de hospital com ursinho de pelúcia no colo e sensor de oximetria preso a um dedo

Febre, dor de barriga, manchas roxas ou cansaço fazem parte da infância e, na maioria das vezes, estão relacionados a situações comuns. O desafio está em reconhecer quando um sintoma deixa de seguir o padrão habitual da criança, persiste ou volta sem uma explicação clara. Nesses casos, a orientação é procurar o pediatra para uma avaliação.

Nenhum desses sinais, isoladamente, significa câncer. Mas alterações persistentes ou recorrentes merecem atenção, porque alguns tipos de câncer infantil podem começar com manifestações que se confundem com problemas frequentes na infância.

Em 29 de junho de 2026, entrou em vigor a Lei 15.442/2026, que altera a Política Nacional de Atenção à Oncologia Pediátrica para determinar que campanhas de saúde pública priorizem a divulgação dos sinais e sintomas do câncer infantil, e que capacitem profissionais da atenção primária para reconhecê-los. A motivação: o câncer é hoje a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil, mas também um dos mais curáveis quando descoberto a tempo. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano no país entre 2026 e 2028.

O que observar

Febre persistente ou recorrente: episódios que duram vários dias, desaparecem e voltam ou não apresentam uma causa evidente.

Palidez que não melhora: criança mais pálida que o habitual de forma persistente.

Manchas roxas ou pontinhos vermelhos sem explicação: especialmente quando surgem espontaneamente, em maior quantidade ou em locais incomuns.

Dor que não passa: principalmente dores ósseas ou nas pernas que persistem, pioram ou atrapalham a rotina da criança.

Barriga inchada ou caroços: aumento do volume abdominal sem uma causa aparente ou presença de nódulos no pescoço, axila ou virilha.

Ínguas que não desaparecem: gânglios podem aumentar após infecções, mas precisam ser avaliados quando permanecem aumentados por semanas.

Alterações nos olhos: reflexo branco na pupila em fotografias com flash, estrabismo de início recente ou alterações na visão.

Dor de cabeça recorrente: principalmente quando acorda a criança, é mais intensa pela manhã ou aparece acompanhada de vômitos ou alterações de equilíbrio.

A recomendação é que os sinais sejam avaliados em conjunto com a história clínica da criança. “Na oncologia pediátrica, muitos sintomas iniciais podem se confundir com problemas comuns da infância. Por isso, o mais importante não é criar uma lista de sinais para os pais diagnosticarem o câncer, e sim orientar quando é preciso voltar ao pediatra e investigar uma alteração que persiste ou foge do padrão daquela criança”, afirma o oncologista pediátrico Sidnei Epelman, diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde e fundador e presidente da TUCCA.

Quando um sintoma comum pede uma segunda avaliação

Foi uma alteração no abdômen que chamou a atenção da família de Maitê. Quando tinha pouco mais de 1 ano de idade, a menina começou a apresentar constipação e distensão abdominal, que não apresentavam melhora. O que inicialmente poderia parecer um quadro comum levou a família a procurar atendimento e, poucos dias depois, a um diagnóstico que mudaria a rotina de todos.

“Nenhuma mãe que gera um filho tão esperado imagina que um dia vai ouvir essa palavra tão terrível: câncer”, conta Yasmin, de 22 anos, mãe da criança.

Encaminhada para acompanhamento pelo Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde em parceria com a TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer), Maitê foi diagnosticada, em 2025, com hepatoblastoma, um tumor raro do fígado, já com metástase no pulmão. Diante do quadro, a indicação inicial incluía a necessidade de um transplante hepático.

“O desespero maior era limpar o pulmão, porque o fígado da Maitê já não servia mais. Precisava de transplante urgente”, relembra a mãe.

O tratamento começou com quimioterapia. Após três ciclos, os exames mostraram uma resposta importante: a doença pulmonar deixou de ser identificada e parte do fígado pôde ser preservada, afastando a necessidade do transplante. Na sequência, Maitê passou por uma cirurgia de alta complexidade, com 12 horas de duração, para a retirada do tumor.

“Voltamos com a Maitê completamente limpa. Não tinha mais metástase no pulmão e o tumor foi retirado. Hoje, estamos finalizando o tratamento”, afirmava Yasmin, em maio.

Meses depois, a família atualizou a notícia: as metástases pulmonares continuavam ausentes e Maitê havia entrado na fase de acompanhamento.

Para o pai, Eliton Júnior, de 26 anos, o período foi marcado por uma rotina dividida entre o trabalho como motorista de aplicativo e os cuidados com a filha. Enquanto a mãe permanecia com Maitê durante a internação, ele fazia diariamente o trajeto entre casa e o Santa Marcelina Saúde, levando roupas limpas e tudo o que a menina precisava.

“O impacto foi em tudo: psicologicamente, financeiramente e sentimentalmente. Abrimos mão de tudo para cuidar dela. Eu não perdi um dia de visita. Fazia esse caminho todos os dias entre casa e hospital e tentava encaixar o trabalho nos intervalos.”

Foi acompanhando a filha durante o tratamento que Júnior passou a enxergar a própria experiência de outra maneira. “Eu via tudo o que ela estava passando, toda a dor. Enquanto eu chorava, tinha medo, pensava nas dívidas e na possibilidade de perdê-la, a Maitê, que estava vivendo tudo aquilo na pele, era forte e resistente. Foi com ela que aprendi a ser mais forte.”

Mais do que isso, diz ele, a experiência mudou sua relação com o cotidiano. “Aprendi a dar valor aos momentos. Cada instante perto dela passou a ter outro significado.”

Depois do sinal, começa outra etapa: chegar ao diagnóstico e ao tratamento

A história de Maitê também mostra que reconhecer uma alteração é apenas o começo de um caminho que envolve investigação, diagnóstico e acesso a uma equipe especializada.

“Quando existe uma suspeita, cada etapa importa. É preciso investigar, chegar ao diagnóstico correto e, quando necessário, encaminhar a criança para um serviço especializado. Em oncologia pediátrica, não existe um tratamento único, pois cada tumor e cada paciente precisam ser avaliados de maneira individual”, afirma Sidnei Epelman.

O que fazer quando alguma coisa chama a atenção

Nenhum desses sinais deve ser interpretado isoladamente como indicação de câncer. A orientação é observar mudanças persistentes ou fora do padrão e procurar o pediatra, que poderá avaliar o histórico da criança, realizar o exame clínico e decidir se é necessário investigar mais.

Na rede pública, o atendimento inicial pode acontecer na Unidade Básica de Saúde (UBS), que faz o encaminhamento conforme a necessidade. Quando há suspeita de câncer, o acesso a um serviço especializado é uma etapa fundamental para dar continuidade à investigação e, quando confirmado o diagnóstico, iniciar o tratamento adequado.

“Os pais não precisam carregar sozinhos a responsabilidade de identificar uma doença tão complexa. O papel da família é perceber que existe algo diferente e buscar avaliação. A partir daí, cabe à equipe de saúde investigar, orientar e, quando necessário, encaminhar. Quanto mais ágil e bem estruturado é esse caminho, maiores são as possibilidades de oferecer o cuidado adequado no tempo certo”, conclui Sidnei Epelman.

Sobre a TUCCA

Fundada em 1998 pelo oncologista pediátrico Sidnei Epelman e pela psicanalista Claudia Epelman (in memoriam), a TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer) é uma organização sem fins lucrativos que desenvolveu um modelo pioneiro de parceria público-privada na oncologia pediátrica que atende pacientes do Brasil e da América Latina.

Em parceria com o Santa Marcelina Saúde – hospital de alta complexidade na Zona Leste de São Paulo -, mantém o primeiro e único serviço dedicado ao tratamento do câncer infantojuvenil da região, oferecendo tratamento integral baseado em diagnóstico rápido e preciso, terapias de ponta, equipe altamente qualificada e medicamentos de alto custo. Todo o tratamento é gratuito, viabilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) complementado com doações que garantem acesso a atendimento multidisciplinar de excelência e a toda a assistência necessária ao longo do tratamento.

A estrutura abrange desde o atendimento ambulatorial, para infusões e consultas, até toda a infraestrutura de internação, garantindo suporte completo a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A assistência vai além do cuidado médico e inclui suporte social e emocional por meio de uma equipe multidisciplinar que acompanha os pacientes e suas famílias durante toda a jornada.

Entre os diferenciais estão o Centro de Atenção Integrada à Criança com Retinoblastoma, referência nacional no tratamento da doença, um Laboratório de Patologia Molecular (o primeiro para pacientes SUS em São Paulo, que beneficia pessoas de todo o Brasil e da América Latina desde 2018), o primeiro hospice pediátrico do país, inaugurado em 2013, e transporte gratuito para eliminar barreiras de acesso ao tratamento. Esse olhar humanizado tem resultado em índices de cura de 80%, taxa comparável à dos principais centros de referência em oncopediatria da Europa e dos Estados Unidos. Nesse contexto, a TUCCA | Santa Marcelina Saúde é a primeira organização da América Latina a integrar o programa global de câncer pediátrico do Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK), fortalecendo o intercâmbio de conhecimento, protocolos e inovação.

Ao longo de mais de 25 anos, a parceria com o Santa Marcelina Saúde já beneficiou aproximadamente 6 mil crianças e jovens, provando que é possível democratizar a excelência oncológica quando há sinergia entre capacidade instalada e investimento estratégico por meio da filantropia. Toda essa estrutura é integralmente mantida por doações, patrocínios e eventos beneficentes, reforçando o compromisso da TUCCA com a saúde, a vida e a dignidade de seus pacientes.

Para apoiar ou saber mais: www.tucca.org.br

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