Pular para o conteúdo

Nova combinação de medicamento oral e imunoterapia amplia controle do melanoma avançado

Estudo internacional apresentado na ESMO 2026 mostrou aumento de 7,4 para 11,7 meses na mediana de tempo sem progressão da doença; pesquisa contou com participação de centros brasileiros

Pescoço e ombro de mulher com lesão pigmentada marrom sendo examinada com lupa por mãos com luvas brancas

Uma nova estratégia de tratamento trouxe resultados promissores para pacientes com melanoma avançado, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele.

A combinação de um medicamento oral experimental com imunoterapia aumentou o tempo que os pacientes permaneceram sem progressão da doença em um estudo internacional de fase 3 apresentado nesta sexta-feira (23), durante o Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO 2026), em Madri, na Espanha.

Os resultados do estudo HBI-8000-303 apontaram que a associação do medicamento HBI-8000 ao nivolumabe, uma imunoterapia já utilizada no tratamento de diferentes tipos de câncer, reduziu em 27% o risco de progressão da doença em comparação com o uso de nivolumabe associado a placebo.

A pesquisa envolveu 404 pacientes de diferentes países e contou com a participação de centros brasileiros, além do oncologista Dr. Rodrigo Perez Pereira, líder nacional da especialidade pele da Oncoclínicas, entre seus autores e investigadores.

Na análise principal, a mediana de sobrevida livre de progressão foi de 11,7 meses entre os pacientes que receberam a combinação, contra 7,4 meses no grupo tratado apenas com nivolumabe.

Isso representa uma diferença de 4,3 meses entre as medianas dos grupos e indica que a nova estratégia conseguiu prolongar o período de controle da doença.

“Nos últimos 15 anos, a imunoterapia mudou o cenário do tratamento do melanoma avançado, proporcionando sobrevida prolongada a muitos pacientes. Agora, estamos investigando novas formas de potencializar essa resposta e ampliar os benefícios do tratamento. O estudo traz resultados importantes nessa direção, especialmente porque avalia um medicamento com um mecanismo de ação diferente daqueles que já utilizamos”, afirma o Dr. Rodrigo Perez Pereira.

Uma nova maneira de potencializar a imunoterapia

A imunoterapia revolucionou o tratamento de diversos tipos de câncer ao estimular o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais.

O nivolumabe atua bloqueando a proteína PD-1, uma espécie de freio que pode ser explorado pelo câncer para escapar das defesas do organismo.

O HBI-8000, por sua vez, é um medicamento oral experimental que atua sobre enzimas chamadas histona deacetilases (HDAC), envolvidas na regulação da atividade dos genes.

A proposta é modificar o ambiente em que o tumor se desenvolve, favorecendo o reconhecimento das células cancerígenas pelo sistema imunológico e potencializando a ação da imunoterapia.

Em termos simples, a ideia é tornar o ambiente tumoral mais favorável à atuação das células de defesa. Essa abordagem busca superar um dos desafios do tratamento do melanoma: a capacidade que alguns tumores têm de escapar da resposta imunológica ou desenvolver resistência ao longo do tempo.

O estudo também identificou resultados expressivos em um grupo específico de pacientes: aqueles que apresentavam níveis normais de desidrogenase láctica (LDH) no início do tratamento.

Essa enzima, medida em um exame de sangue, é utilizada na avaliação do prognóstico do melanoma metastático.

Nesse subgrupo, a mediana de sobrevida livre de progressão chegou a 20 meses entre os pacientes que receberam a combinação, ante 7,4 meses no grupo tratado com nivolumabe e placebo.

O resultado reforça o interesse em compreender quais características clínicas podem ajudar a identificar os pacientes com maior probabilidade de se beneficiar de novas estratégias terapêuticas. Como se trata de uma análise de subgrupo, porém, o achado precisa ser interpretado no contexto do conjunto dos resultados.

“Um aspecto importante é que o benefício foi ainda mais expressivo entre os pacientes que tinham LDH normal no início do estudo. Esse é um dado que merece atenção porque nos ajuda a aprofundar a compreensão sobre quais pacientes podem obter melhores resultados. A proposta é continuar avançando para tratamentos cada vez mais eficazes e adequados às características de cada pessoa”, destaca o oncologista.

Avanço científico com atenção à qualidade de vida

O desenvolvimento de novas combinações é uma das frentes de pesquisa para ampliar as possibilidades de tratamento do melanoma avançado.

Nesse contexto, os resultados do HBI-8000-303 representam um avanço na investigação de estratégias que possam prolongar o controle da doença por meio de mecanismos complementares.

Como parte da avaliação, os pesquisadores também analisaram a segurança da combinação.

Diarreia e náuseas estiveram entre os efeitos adversos mais frequentes, além de alterações nas células sanguíneas.

Esses dados reforçam a importância de avaliar os benefícios em conjunto com a segurança, a tolerabilidade e o impacto na qualidade de vida.

O HBI-8000 permanece em investigação e ainda não está disponível comercialmente para essa indicação.

Sua eventual incorporação à prática clínica dependerá da análise completa das evidências e da avaliação pelas autoridades regulatórias.

Além dos resultados clínicos, o estudo destaca a participação brasileira na pesquisa internacional em oncologia.

A colaboração entre centros de diferentes países contribui para ampliar o conhecimento científico e avaliar novas alternativas que, no futuro, possam beneficiar pacientes com melanoma avançado.

“É importante termos estudos que investiguem novas possibilidades de tratamento para uma doença tão desafiadora. A participação brasileira em pesquisas internacionais como essa mostra a capacidade dos oncologistas brasileiros para a produção de conhecimento em oncologia. Nosso objetivo é transformar os avanços científicos em alternativas cada vez melhores para os pacientes, sempre com atenção à eficácia, à segurança e à qualidade de vida”, conclui o Dr. Rodrigo Perez Pereira.

Sobre a Oncoclínicas&Co

A Oncoclínicas&Co, um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, oferece um modelo hiperespecializado e inovador voltado para toda a jornada oncológica do paciente.

Presente em 136 unidades em 47 cidades, a companhia reúne um corpo clínico formado por mais de 1.750 médicos especializados na linha de cuidado do paciente oncológico.

Com a missão de democratizar o acesso à oncologia de excelência, realizou cerca de 537 mil tratamentos nos últimos 12 meses.

Com foco em pesquisa, tecnologia e inovação, a Oncoclínicas segue padrões internacionais de alta qualidade, integrando clínicas ambulatoriais a cancer centers de alta complexidade, potencializando o tratamento com medicina de precisão e genômica.

A companhia mantém iniciativas globais, como a Boston Lighthouse Innovation, nos Estados Unidos. Integra ainda o índice IDIVERSA da B3, reforçando seu compromisso com a diversidade. Saiba mais em: www.oncoclinicas.com.

Feed principal

Últimas notícias

Carregando mais notícias…