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Renovação de ar eficiente vira aliada da saúde em ambientes fechados

Ambientes de uso coletivo exigem projetos que combinem conforto térmico, renovação, circulação e filtragem do ar com eficiência operacional

10 mitos e verdades sobre o ar-condicionado que todo consumidor deve saber
10 mitos e verdades sobre o ar-condicionado que todo consumidor deve saber

Ambientes fechados com muitas pessoas e baixa renovação de ar favorecem a transmissão de infecções respiratórias. Um estudo publicado em maio de 2026 na Nature Communications, baseado na análise de surtos reais, mostrou que a combinação entre alta ocupação e baixa entrada de ar limpo aumenta a exposição a aerossóis respiratórios. A pesquisa reforça uma questão que vai além do conforto térmico: quanto mais tempo as pessoas compartilham o mesmo ar sem renovação suficiente, maior é a importância de garantir a entrada de ar externo, sua adequada filtragem e a retirada do ar acumulado no ambiente para reduzir a concentração de contaminantes.

Patrick Galletti, engenheiro mecatrônico e CEO do Grupo RETEC, empresa especializada em climatização, ventilação, refrigeração e qualidade do ar, afirma que ainda é comum confundir um local refrigerado com um espaço que possui boa renovação e qualidade do ar. “O ar-condicionado controla a temperatura, mas isso não significa necessariamente que exista renovação de ar suficiente. Esse processo precisa considerar não apenas a entrada de ar externo, mas também a filtragem, a circulação e a retirada do ar interno, para que o ambiente receba ar em quantidade e qualidade adequadas”, explica o engenheiro.

O trabalho publicado pela Nature Communications analisou a relação entre quantidade de pessoas, volume dos espaços, tempo de exposição e fluxo de ar. Os pesquisadores concluíram que locais lotados e com baixa renovação de ar representam uma combinação especialmente desfavorável para a disseminação de infecções respiratórias e destacaram a necessidade de considerar a renovação e a qualidade do ar nas estratégias de saúde para espaços internos.

No Brasil, o tema ganha relevância diante da circulação recorrente de vírus respiratórios. Dados do InfoGripe, da Fiocruz, registraram aumento expressivo de Síndrome Respiratória Aguda Grave entre crianças e adolescentes entre o fim de julho e agosto. Ao comentar o movimento, o coordenador do programa, Marcelo Gomes, reforçou a necessidade de melhorar a renovação e a circulação de ar nos espaços compartilhados.

Renovar o ar não é apenas abrir uma janela

A renovação de ar pode ocorrer naturalmente, por portas, janelas e aberturas corretamente posicionadas, ou por sistemas mecânicos projetados para captar ar externo, filtrá-lo e distribuí-lo adequadamente pelos ambientes. A solução adequada depende de fatores como tamanho do local, número de ocupantes, atividade realizada e período de permanência.

Em edifícios corporativos, clínicas, escolas, restaurantes, academias e outros imóveis com grande circulação, apenas abrir janelas pode não oferecer a vazão necessária nem garantir que o ar introduzido tenha a qualidade adequada. Nesses casos, sistemas de ventilação mecânica permitem estabelecer uma troca contínua e controlada, com filtragem compatível com as características de cada espaço.

“Não existe uma quantidade única de renovação de ar que sirva para qualquer edifício. Uma sala de reunião cheia tem uma necessidade diferente de uma área administrativa com poucas pessoas. O projeto precisa partir da ocupação real, do uso de cada espaço e das condições do ar que será introduzido no ambiente”, explica o executivo.

A filtragem é parte desse processo porque o ar externo também pode carregar poeira, partículas e outros contaminantes. Por isso, renovar não significa simplesmente trazer ar de fora para dentro. É necessário avaliar como esse ar será captado, filtrado, distribuído e posteriormente retirado do espaço.

O dióxido de carbono é uma das ferramentas usadas para acompanhar esse comportamento. O CO₂ não transmite vírus, mas, como é liberado pela respiração, concentrações elevadas podem funcionar como sinal de que o ar exalado está se acumulando e a renovação pode estar abaixo do necessário.

Sensores permitem acompanhar esses níveis e integrar os dados aos sistemas prediais. Dependendo do projeto, a renovação de ar pode aumentar quando a ocupação cresce e diminuir em áreas vazias, o que ajuda a conciliar qualidade do ar e eficiência energética.

O problema aparece quando muita gente divide o mesmo ar

Um estudo anterior, publicado pela Nature Communications em novembro de 2025, acompanhou 67 estudantes durante seis semanas e identificou 87 infecções por vírus respiratórios. Os participantes permaneciam, em média, 5,3 horas por dia em salas compartilhadas. Durante aproximadamente 1,9 hora diária, os níveis de CO₂ ultrapassaram 1.000 ppm.

A pesquisa encontrou associação entre o dobro do tempo exposto a essas condições e uma taxa de transmissão 1,9 vez maior dentro das turmas. O tempo prolongado no mesmo recinto também apresentou associação mais forte com a transmissão do que a proximidade física isoladamente, reforçando o peso do ar compartilhado por várias horas.

Situações reais ajudam a dimensionar esse impacto. Em abril, uma escola municipal de Indaial, em Santa Catarina, chegou a suspender temporariamente as aulas depois que 30 alunos e 14 profissionais tiveram influenza confirmada, enquanto outras cerca de 45 pessoas foram afastadas com sintomas.

Não há evidências que relacionem aquele surto específico às condições de ventilação da unidade. O episódio demonstra, porém, a velocidade com que doenças respiratórias podem afetar a rotina de locais com alta ocupação. O mesmo princípio vale para empresas, serviços de saúde e outros estabelecimentos nos quais diferentes pessoas permanecem reunidas diariamente.

“A engenharia não impede que uma pessoa infectada entre em um prédio. O que podemos fazer é trabalhar para que o ar exalado não permaneça concentrado durante horas. Renovação, filtragem e circulação precisam funcionar de forma integrada para reduzir o acúmulo de contaminantes e melhorar a qualidade do ar que chega às pessoas”, ressalta o especialista.

Manutenção define se a renovação funciona

Instalar um sistema também não encerra o problema. Filtros saturados, entradas de ar obstruídas, dutos contaminados, componentes desregulados e equipamentos operando abaixo da vazão projetada podem reduzir a eficiência da renovação e da filtragem sem que os ocupantes percebam.

A preocupação já está prevista na legislação brasileira. A Lei 13.589 de 2018 determina que edifícios de uso público e coletivo com climatização artificial disponham de Plano de Manutenção, Operação e Controle, o PMOC. A legislação inclui entre os parâmetros relacionados à qualidade do ar a temperatura, a umidade, a velocidade, a taxa de renovação e o grau de pureza.

Para o CEO do Grupo RETEC, a mudança necessária é tratar a renovação e a qualidade do ar como infraestrutura permanente, e não como medida adotada somente durante surtos. “Durante muito tempo, o foco da climatização ficou concentrado em deixar o espaço frio. Hoje precisamos perguntar também quanto o ar está sendo renovado, como está sendo filtrado e qual é a qualidade do ar que efetivamente chega às pessoas. A renovação adequada precisa fazer parte do projeto, da operação e da manutenção de qualquer local de uso coletivo”, conclui Galletti.

A melhoria da renovação, da circulação e da filtragem do ar não substitui a vacinação, higiene das mãos, afastamento de pessoas sintomáticas ou acompanhamento médico. Ela atua em outra frente da prevenção, ao reduzir a exposição prolongada ao ar compartilhado em locais fechados.

Sobre Patrick Galletti

Patrick Galletti é Engenheiro Mecatrônico, pós-graduando em Engenharia de Climatização e estudante do curso “O impacto das mudanças climáticas na saúde das pessoas”, pela Universidade de Harvard. Possui experiência em engenharia de orçamento, gerenciamento de riscos de construções, obras e operações offshore em uma das maiores empresas do Brasil, além de oito anos de atuação no mercado de climatização. Atualmente, é CEO do Grupo RETEC, uma empresa pioneira e referência com mais de 42 anos de atuação no mercado de AVAC-R (aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração).

Sobre o Grupo RETEC

O Grupo RETEC é referência, há mais de 40 anos, no setor de climatização e refrigeração no Distrito Federal e Goiás, oferecendo soluções integradas para instalação de ar-condicionado, ventilação, isolamento térmico e renovação de ar. Com uma equipe altamente qualificada e parcerias com fabricantes líderes, a empresa garante acesso às tecnologias mais avançadas e inovadoras do mercado. Oferecendo suporte técnico especializado e produtos com pronta-entrega, o Grupo RETEC está comprometido com a excelência, inovação e satisfação de seus clientes em projetos de diferentes portes.

Para mais informações, acesse o site oficial, Linkedin ou pelo Instagram.

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