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Mais da metade das obras públicas do Brasil está parada, e especialistas apontam falha estrutura

Governo federal tem prazos para adotar BIM em obras públicas, mas gap entre lei e prática persiste enquanto TCU aponta que mais de R$ 9 bilhões já foram desperdiçados em canteiros paralisados

Créditos: Freepik

O Brasil tem um problema crônico com obras públicas inacabadas  e os números do Tribunal de Contas da União mostram que ele está piorando. Até abril de 2025, das 22.621 obras mapeadas pelo TCU, 11.469 estavam paralisadas, representando 50,7% do total. Essas obras já consumiram R$ 9 bilhões em recursos federais e precisariam de mais R$ 29,4 bilhões para serem concluídas. As áreas mais afetadas são educação e saúde, que concentram 70% das paralisações. Pior: das 5.505 obras iniciadas entre abril de 2024 e abril de 2025, cerca de 1.200 já estão paradas, o que mostra que o problema não é herança do passado, é estrutural e se reproduz nas obras novas.

O diagnóstico mais comum aponta para falta de orçamento ou vontade política. Mas para Jean Sacenti, engenheiro civil com 15 anos de experiência em gestão de obras e CEO e fundador da Predialize, o problema tem uma dimensão técnica que raramente entra no debate público: gestores de obras públicas tomam decisões sem dados confiáveis, em tempo real, sobre o que está acontecendo no canteiro.

“Inconsistências entre projeto, memorial e especificações técnicas são identificadas tarde demais, quando o custo de corrigir já é exponencialmente maior do que seria no início. A análise manual de documentação demora horas e está sujeita a falhas humanas. A tecnologia que resolve isso já existe e é acessível. O que falta é adoção”, afirma Sacenti.

O governo federal deu um passo nessa direção. O Decreto 11.888/2024 estabeleceu a Estratégia Nacional de Disseminação do BIM, sigla em inglês para Modelagem da Informação da Construção, tecnologia que cria modelos digitais completos de uma obra e integra dados de projeto, execução e operação em uma plataforma única. A lei de licitações públicas em vigor desde janeiro de 2024 determina que o BIM seja adotado preferencialmente em obras e serviços de engenharia. Na prática, porém, o gap entre legislação e implementação ainda é amplo.

Quando integrado à inteligência artificial, o BIM muda completamente a dinâmica de gestão de obras públicas. Erros de projeto que demandariam horas de análise manual são identificados em segundos. Relatórios estruturados e auditáveis são gerados automaticamente, protegendo tanto construtoras quanto órgãos públicos em eventuais disputas jurídicas. Decisões que hoje dependem da memória ou experiência individual de um gestor passam a ser sustentadas por dados rastreáveis.

“O problema não é que as obras param por acidente. É que o modelo de gestão vigente não tem mecanismos para detectar os sinais de alerta antes que a paralisação aconteça. Visibilidade em tempo real e documentação técnica rigorosa não são luxo. São o mínimo para gerir dinheiro público com responsabilidade”, diz Sacenti.

Sobre a Predialize

Fundada em 2020, a Predialize é uma empresa de tecnologia especializada em gestão pós-obra para construtoras e incorporadoras. Por meio de uma inteligência de dados, a plataforma automatiza processos, reduz custos de atendimento pós-obra e facilita a tomada de decisão das empresas com base na satisfação dos usuários, atuando como a solução mais completa do mercado, desde o momento da venda do imóvel até o término das garantias.