
Seja por meio das músicas tradicionais, das receitas passadas entre gerações ou das quadrilhas que marcam a infância, os festejos de São João fazem parte da memória afetiva nacional. E essa conexão emocional, segundo especialistas, pode ter um papel importante na estimulação cognitiva, favorecendo processos relacionados à memória, à linguagem, à atenção e ao bem-estar.
Embora sejam frequentemente associadas ao lazer, as festas juninas reúnem elementos capazes de estimular diferentes áreas do cérebro, segundo Martha Valeria Medina, neuropsicóloga da NeuronUP, startup espanhola de terapia neurocognitiva. “Em um país que envelhece rapidamente, buscar alternativas culturais e acessíveis para frear o declínio cognitivo tornou-se uma prioridade de saúde pública. É aqui que esta metodologia ganha relevância, já sendo utilizada por milhares de especialistas no Brasil para personalizar terapias por meio da cultura local”, comenta.
Atividades inspiradas em festividades locais representam uma ferramenta valiosa para tornar a estimulação cognitiva mais próxima da realidade dos pacientes. “As atividades inspiradas em festividades locais podem ser utilizadas como uma ferramenta valiosa dentro dos programas de estimulação cognitiva, pois permitem trabalhar diferentes funções cognitivas a partir de conteúdos familiares, significativos e emocionalmente relevantes para a pessoa”, afirma.
De acordo com a especialista, elementos característicos das festas juninas podem ser utilizados em diferentes exercícios terapêuticos. “Podem ser propostos exercícios de memória por meio do reconhecimento de músicas ou receitas típicas; atividades de linguagem com a evocação de vocabulário relacionado à festividade; tarefas de atenção e discriminação visual utilizando imagens de elementos típicos das festas; exercícios de funções executivas por meio do planejamento de uma celebração; ou atividades de orientação temporal trabalhando calendário, datas e estações do ano”, explica.
Memórias afetivas fortalecem o engajamento
Um dos principais benefícios de utilizar temas culturais nas intervenções cognitivas está na conexão emocional que eles despertam. As festas juninas fazem parte da história de muitas pessoas e facilitam o acesso a lembranças autobiográficas importantes.
“Utilizar temas familiares pode aumentar o engajamento dos pacientes porque conecta a terapia a experiências conhecidas, agradáveis e emocionalmente significativas. Quando uma atividade está relacionada a lembranças, tradições ou situações do cotidiano, o paciente tende a sentir-se mais motivado, confortável e disposto a participar”, destaca Martha.
Músicas tradicionais, receitas passadas entre gerações e lembranças de quadrilhas e brincadeiras típicas podem servir como ponto de partida para exercícios que estimulam não apenas a memória, mas também a linguagem, o raciocínio e a organização do pensamento.
Participação social também faz diferença
Além do ganho cognitivo, as festividades ajudam a fortalecer vínculos sociais e o sentimento de pertencimento, fatores importantes para a saúde mental e o envelhecimento saudável. “As iniciativas sazonais, como as festas juninas, ajudam a promover a participação social porque oferecem uma oportunidade de trabalhar a cognição em um contexto compartilhado, dinâmico e emocionalmente positivo”, explica Martha.
Ela ressalta que essas atividades favorecem a interação, a comunicação e a troca de experiências entre os participantes. “Em idosos ou pacientes com dificuldades cognitivas, esse tipo de iniciativa pode contribuir para o bem-estar emocional, reduzir a sensação de isolamento e proporcionar momentos de prazer dentro do processo terapêutico.”
Tecnologia e cultura juntas na estimulação cognitiva
A personalização das atividades é um dos fatores que contribuem para melhores resultados terapêuticos. Nesse contexto, plataformas digitais especializadas permitem adaptar exercícios às características, interesses e vivências de cada paciente.
A NeuronUP, plataforma voltada à neurorreabilitação e estimulação cognitiva, permite que profissionais personalizem atividades de memória, atenção, linguagem e funções executivas utilizando elementos culturalmente relevantes, incluindo datas comemorativas e tradições locais.
“A plataforma possibilita que os profissionais selecionem atividades de acordo com os objetivos terapêuticos, o nível de dificuldade, as funções cognitivas que desejam trabalhar e as características pessoais, sociais e culturais de cada usuário”, explica Martha.
Segundo ela, atividades como caça-palavras, exercícios de classificação, planejamento e memória podem ser adaptadas com temas relacionados às festas juninas, utilizando termos como quadrilha, fogueira, milho, bandeirinhas, música, dança e comidas típicas.
“Quando o paciente percebe que as atividades têm relação com sua vida, seus interesses ou sua cultura, é mais provável que participe ativamente das sessões”, conclui.
Sobre a NeuronUP
Plataforma líder de neurorreabilitação projetada para atuar como suporte fundamental para profissionais envolvidos em processos de reabilitação e estimulação cognitiva. Com presença em mais de 75 países e utilizada por mais de 7 mil especialistas, possui sistema de monitorização e gestão de pacientes, que permite ajustar terapias em tempo real para mais de 245 mil usuários, melhorando os resultados e consolidando-se como a plataforma número um na Espanha e na América Latina.
