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Obrigatoriedade de plástico reciclado em embalagens chega às pequenas e médias empresas em julho

Prazo se soma a um mercado de resinas plásticas ainda em reorganização após o maior choque de preços do setor em décadas, segundo a ABIPLAST

Obrigatoriedade de plástico reciclado em embalagens chega às pequenas e médias empresas em julho
Divulgação

A partir de julho, pequenas e médias indústrias brasileiras de embalagens plásticas passam a ser obrigadas a usar pelo menos 22% de plástico reciclado pós-consumo (PCR) em suas embalagens, conforme o Decreto Federal nº 12.688/2025. A exigência já vale desde janeiro para grandes fabricantes e chega agora ao restante da cadeia produtiva, num momento em que o mercado de resinas plásticas ainda se reorganiza depois de meses de forte instabilidade de preços.

Em abril, a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) classificou, em seu boletim EconoPlast, a alta acumulada de até 80% em PP, PE e PVC como o maior choque de preços da história recente do setor, superior, segundo a entidade, ao observado durante a pandemia. O movimento foi atribuído à crise de fornecimento da Braskem, a sobretaxas antidumping sobre resinas importadas e à pressão cambial. Consultorias citadas pela própria Braskem projetam melhora de cerca de 50% nos spreads petroquímicos no segundo trimestre em relação ao primeiro, mas a defasagem entre o custo da matéria-prima e os preços repassados ao transformador, que costuma levar semanas a meses, sugere que o pico da pressão sobre os convertedores pode ainda não ter sido sentido em toda a cadeia.

É nesse cenário que a obrigatoriedade de PCR passa a alcançar empresas com menor escala e menor poder de negociação com fornecedores, justamente o grupo que tem menos estrutura para qualificar, em poucas semanas, uma cadeia de reciclado que atenda a critérios técnicos de qualidade, estabilidade e rastreabilidade. No Paraná, por exemplo, o Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado (Simpep) aponta que 62% das empresas já enfrentam dificuldades de acesso à matéria-prima — um retrato regional que ilustra o tipo de fragilidade que a nova exigência de PCR encontra pela frente nas pequenas e médias indústrias do país.

“Quem deixou para resolver isso de última hora vai sentir agora a dificuldade de achar fornecedor de reciclado com garantia técnica e jurídica. Não é uma decisão de compra, é uma decisão de engenharia: qual proporção de PCR a linha aguenta sem perder performance, e quem garante a origem desse material”, afirma Luiz Grilo, Diretor Institucional e Novos Negócios da Yattó.

A incorporação de PCR em escala industrial envolve variáveis específicas, qualidade e estabilidade do material reciclado, homologação de novos fornecedores e ajustes no processo produtivo, que se tornam mais sensíveis quando a adequação precisa ser feita sob pressão de prazo. O decreto também prevê exigências crescentes de rastreabilidade, incluindo acesso do poder público aos dados dos sistemas de logística reversa das empresas.

“O prazo de julho não é o fim da história. A meta é reciclar todos os anos até 2040. Quem resolver isso agora só de forma reativa vai precisar resolver de novo, e de novo, a cada novo ciclo”, completa Grilo.