Por trás de transmissões assistidas por milhões de pessoas existe uma estrutura preparada para operar sem interrupções, modelo que especialistas defendem também para o ambiente corporativo

Enquanto a Copa do Mundo mobiliza bilhões de espectadores e exige operações capazes de funcionar sem interrupções, empresas de diferentes setores enfrentam um desafio semelhante nos bastidores. Segundo o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, o custo médio global de uma violação de dados chegou a US$ 4,88 milhões, evidenciando como falhas tecnológicas e vulnerabilidades operacionais podem gerar impactos financeiros significativos em negócios cada vez mais dependentes de sistemas conectados.
Para Pericles D’Elia Junior, empresário e especialista em infraestrutura tecnológica, segurança eletrônica e audiovisual, os bastidores dos grandes eventos oferecem lições valiosas para empresas que dependem da tecnologia para operar, mas ainda subestimam a importância da preparação para situações críticas.
“Em uma transmissão ao vivo ninguém trabalha acreditando que nada vai falhar. O planejamento parte justamente do princípio de que problemas podem acontecer e que a operação precisa continuar funcionando mesmo assim. Essa mentalidade ainda faz falta em muitas empresas”, afirma.
Segundo ele, uma das principais diferenças entre grandes produções e parte do ambiente corporativo está na preparação para cenários de risco. Em eventos de grande porte, equipamentos críticos contam com redundância, equipes monitoram continuamente o desempenho dos sistemas e existem planos de contingência para situações imprevistas.
“Se uma conexão cai, existe outra disponível. Se um equipamento apresenta falha, há alternativas prontas para assumir a operação. Tudo é pensado para evitar que um único problema interrompa o funcionamento do evento”, explica.
Nos últimos anos, Pericles participou de produções como Canta Comigo, The Masked Singer Brasil e Acerte ou Caia, além de eventos como Red Bull BC One e Red Bull Ladeira Abaixo. A experiência em ambientes onde não há espaço para interrupções reforçou sua visão sobre a importância da continuidade operacional.
“Quando estamos falando de uma transmissão ao vivo, não existe a possibilidade de parar tudo para resolver um problema técnico. A solução precisa acontecer enquanto a operação continua funcionando. Por isso a prevenção recebe tanta atenção”, diz.
O especialista observa que muitas empresas ainda operam com pontos únicos de falha. Um único link de internet, um único servidor ou a ausência de monitoramento adequado podem transformar um problema relativamente simples em uma paralisação capaz de afetar diferentes áreas do negócio.
“A tecnologia passou a ser o centro das operações. Vendas, atendimento, financeiro, logística e comunicação dependem de sistemas conectados. Quando a infraestrutura para, o impacto não fica restrito ao departamento de tecnologia”, afirma.
Na avaliação de Pericles, outro aprendizado importante dos grandes eventos está relacionado ao monitoramento constante dos ambientes tecnológicos. Em vez de agir apenas quando um problema já ocorreu, equipes técnicas trabalham acompanhando indicadores que permitam identificar riscos antes que eles afetem a operação.
“Muitas falhas dão sinais prévios. Lentidão, instabilidade e comportamentos fora do padrão costumam aparecer antes de uma interrupção mais grave. O monitoramento existe justamente para identificar esses sinais e agir com antecedência”, explica.
Com empresas cada vez mais dependentes de plataformas em nuvem, inteligência artificial, automação e ambientes digitais, o especialista acredita que conceitos amplamente utilizados em grandes eventos tendem a ganhar espaço também no mundo corporativo.
“A Copa do Mundo mostra diariamente o valor de uma infraestrutura preparada para suportar pressão, imprevistos e alta demanda. A principal lição para as empresas é que investir em tecnologia não significa apenas adquirir novas ferramentas. Significa garantir que toda a estrutura por trás delas esteja pronta para funcionar quando mais for necessária”, conclui.
Fonte utilizada:
IBM Cost of a Data Breach Report 2025
https://www.ibm.com/reports/
Sobre Pericles D’Elia Junior
Pericles D’Elia Junior é empresário e especialista em infraestrutura tecnológica, segurança eletrônica e audiovisual, com mais de 25 anos de experiência no setor de tecnologia. Durante mais de 18 anos liderou sua própria empresa de soluções em tecnologia, atuando em projetos de redes corporativas, servidores, cabeamento estruturado, monitoramento eletrônico e conectividade para empresas de diferentes segmentos.
Nos últimos anos, ampliou sua atuação para o mercado audiovisual, participando de produções televisivas, eventos e transmissões de grande porte, incluindo projetos como Canta Comigo, The Masked Singer Brasil, Acerte ou Caia, Red Bull BC One e Red Bull Ladeira Abaixo.
Atualmente, desenvolve projetos nos Estados Unidos nas áreas de infraestrutura tecnológica, segurança eletrônica e audiovisual.
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