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Temporal deixa um morto, 370 famílias desalojadas e rastro de destruição em Ribeirão Preto

Tempestade severa atingiu a cidade durante a madrugada, derrubou árvores e torres de transmissão, comprometeu hospitais, interrompeu o abastecimento de água e levou ao reconhecimento federal da situação de emergência.

Posto de combustível ficou destruído após fortes chuvas • Defesa Civil de São Paulo – fonte

O temporal que atingiu Ribeirão Preto e municípios da região na madrugada de sexta-feira, 24 de julho, deixou uma pessoa morta, uma ferida e centenas de famílias fora de suas casas. Em aproximadamente meia hora, a tempestade provocou danos em praticamente todos os setores essenciais da cidade.

O balanço atualizado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional aponta 370 famílias desalojadas, que precisaram deixar temporariamente suas residências, e duas famílias desabrigadas, que perderam as condições de permanecer em seus imóveis e necessitaram de acolhimento público.

As consequências incluíram desabamentos, destelhamentos, centenas de árvores caídas, interrupções de energia, falta de água, semáforos apagados, bloqueios de rodovias e danos em hospitais, escolas e outros prédios públicos.

Temporal começou antes do amanhecer

A tempestade mais intensa começou por volta das 5h30, atingindo Ribeirão Preto quando grande parte da população ainda dormia. Na estação meteorológica instalada no Aeroporto Leite Lopes, foram registradas rajadas de aproximadamente 70 km/h às 5h40.

Em apenas 20 minutos, caíram entre 23 e 24 milímetros de chuva em pontos da cidade. Antes do temporal, Ribeirão Preto havia acumulado somente cerca de um milímetro de chuva durante todo o mês de julho.

As medições variam conforme o local e o período considerado. O Ministério da Integração informou acumulado próximo de 30 milímetros durante o evento, enquanto dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais indicaram 47,4 milímetros em Ribeirão Preto no intervalo de 12 horas.

Além da chuva concentrada, a tempestade foi acompanhada por grande quantidade de raios, granizo em alguns pontos e ventos destrutivos.

Idoso morreu após estrutura atingir residência

Um homem de 82 anos morreu após uma estrutura ceder e atingir a residência onde ele estava, na Rua Santo Barban, no Jardim Salgado Filho. O socorro foi acionado, mas a vítima não resistiu.

Outro desabamento, registrado na Avenida Antônio e Helena Zerrener, deixou uma pessoa ferida. A vítima foi retirada com vida e encaminhada para atendimento médico.

O Corpo de Bombeiros atendeu aproximadamente 250 ocorrências relacionadas diretamente ao desastre, principalmente quedas de árvores, desabamentos, destelhamentos e situações envolvendo fios elétricos e estruturas danificadas.

Mais de 250 árvores e dezenas de torres derrubadas

A força dos ventos derrubou mais de 250 árvores em Ribeirão Preto, segundo dados divulgados durante a operação de recuperação da rede elétrica. Algumas árvores atingiram veículos, imóveis, postes, fios e vias movimentadas.

O dano mais grave ocorreu no sistema de transmissão de energia. A CPFL Paulista identificou 34 torres de linhas de transmissão de 138 kV danificadas ou derrubadas. A queda dessas estruturas provocou o desligamento de subestações e deixou grandes áreas de Ribeirão Preto e de cidades vizinhas sem eletricidade.

Além das torres, mais de 250 postes precisaram ser substituídos. Cerca de 300 equipes, incluindo profissionais deslocados de Franca, Araraquara, Campinas e Piracicaba, foram mobilizadas para reconstruir a rede.

Na noite de sexta-feira, aproximadamente 152 mil clientes ainda estavam em processo de restabelecimento em Ribeirão Preto. Até as 11h30 de sábado, mais de 304 mil unidades já haviam sido religadas, enquanto aproximadamente 58 mil permaneciam sem fornecimento normalizado.

Falta de energia provocou crise no abastecimento de água

A interrupção elétrica também atingiu as estações e os poços administrados pela Secretaria de Água e Esgoto de Ribeirão Preto, a Saerp.

Segundo o balanço federal, cerca de 30% da capacidade energética ligada ao sistema de abastecimento foi afetada. No momento mais crítico, 64 poços ficaram inoperantes, comprometendo a distribuição de água em vários bairros.

Geradores foram enviados para pontos estratégicos, incluindo hospitais e sistemas de captação de água. Mesmo após a retomada da energia, a normalização do abastecimento ocorre gradualmente, porque reservatórios e redes precisam recuperar pressão e volume.

Hospitais foram atingidos e atendimentos precisaram ser reorganizados

A rede hospitalar enfrentou uma das situações mais delicadas durante as primeiras horas da emergência.

A Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto sofreu danos e precisou ser temporariamente fechada para o recebimento de pacientes. Cirurgias e procedimentos foram reorganizados, e casos de urgência tiveram de ser direcionados para outras unidades.

No Hospital Santa Lydia, uma árvore bloqueou a rua de acesso e a enxurrada invadiu parte do prédio. O hospital continuou operando com auxílio de geradores, sem registro de vítimas dentro da unidade.

A Santa Casa, a Beneficência Portuguesa e outros hospitais também enfrentaram falta de energia ou restrições em determinados serviços. Durante o momento mais crítico, a Prefeitura informou que apenas 13 leitos de urgência estavam disponíveis na cidade, exigindo articulação com hospitais particulares e com o Governo do Estado.

Escolas, semáforos e serviços públicos foram afetados

As aulas foram suspensas em 23 unidades da rede municipal devido à falta de energia, quedas de árvores, dificuldades de acesso e necessidade de avaliação das estruturas.

Mais de 50 semáforos ficaram apagados ou apresentaram problemas, agravando os congestionamentos e aumentando o risco de acidentes. Equipes da RP Mobi, Guarda Civil Metropolitana e Defesa Civil foram enviadas aos cruzamentos e às principais avenidas.

O Centro POP, responsável pelo atendimento de pessoas em situação de rua, teve parte do telhado destruída e precisou interromper temporariamente as atividades. Outros prédios públicos, unidades de saúde e equipamentos municipais também sofreram danos.

Rodovias e avenidas foram interditadas

A queda de árvores provocou bloqueios em diversas ruas e avenidas de Ribeirão Preto. Entre os pontos atingidos estavam trechos das avenidas Nove de Julho, Caramuru e Bandeirantes.

A Avenida Bandeirantes, no trecho da SPA-325/322 entre Ribeirão Preto e Sertãozinho, precisou ser interditada. A Rodovia Mário Donegá, que liga Ribeirão Preto a Pradópolis, também sofreu bloqueios temporários.

Em alguns locais, a enxurrada deslocou tampas de bueiros e poços de visita, criando riscos adicionais para motoristas, motociclistas e pedestres.

O que provocou uma tempestade tão forte?

A tempestade foi provocada pela passagem de uma frente fria pelo Estado de São Paulo. Antes da chegada do sistema, o interior paulista enfrentava vários dias de calor, tempo seco e temperaturas acima do normal para o inverno.

O encontro da frente fria com essa camada de ar quente criou condições para o desenvolvimento rápido de nuvens de tempestade muito altas e carregadas.

Segundo análise técnica da Climatempo, a hipótese mais provável é que tenha ocorrido uma sequência de microexplosões atmosféricas na região.

A microexplosão acontece quando uma corrente de ar frio e muito intensa desce rapidamente de uma nuvem de tempestade. Ao atingir o solo, o vento se espalha horizontalmente com grande velocidade, podendo derrubar árvores, postes, telhados e estruturas.

Os meteorologistas não identificaram evidências de tornado. Os danos foram registrados em uma área extensa e em vários municípios, comportamento mais compatível com sucessivas microexplosões do que com a passagem de um tornado.

A tempestade também não foi causada diretamente pelo El Niño. Embora o fenômeno climático esteja em desenvolvimento, especialistas apontam a frente fria, o calor acumulado e a instabilidade atmosférica como os fatores imediatos do evento.

Vento chegou a 121,7 km/h em Pradópolis

A medição mais extrema da região ocorreu em Pradópolis, onde uma estação do Instituto Nacional de Meteorologia registrou rajada de 121,7 km/h por volta das 6h.

A velocidade é comparável à de um furacão de categoria inicial na escala utilizada para ciclones tropicais, embora o fenômeno registrado no interior paulista não tenha sido um furacão.

O dado ajuda a explicar a destruição observada não apenas em Ribeirão Preto, mas em diversas cidades próximas.

Estragos se espalharam por outros municípios

Além de Ribeirão Preto, foram registrados danos em Pradópolis, Dumont, Guariba, Barrinha, Taquaritinga e outras cidades da região.

Em Dumont, todo o município ficou sem energia elétrica e parte da estrutura de uma empresa localizada na zona rural desabou. Não houve registro de vítimas.

Em Taquaritinga, árvores caíram sobre ruas e redes elétricas, o telhado de uma residência desabou no Jardim dos Ipês e uma rodovia precisou ser parcialmente interditada.

Guariba apresentou o cenário mais crítico de danos à infraestrutura fora de Ribeirão Preto. A rede elétrica, unidades de saúde e equipamentos públicos foram severamente atingidos, obrigando serviços essenciais a operar com geradores.

Em Pradópolis e Barrinha também ocorreram destelhamentos, quedas de árvores, interrupção de energia e danos em imóveis.

Situação de emergência foi reconhecida pelo Governo Federal

A Prefeitura de Ribeirão Preto instalou um gabinete de crise e decretou situação de emergência ainda na manhã de sexta-feira.

Posteriormente, a Defesa Civil Nacional reconheceu, de forma sumária, a situação de emergência de Ribeirão Preto, Taquaritinga e Dumont. As portarias foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União.

O reconhecimento permite que os municípios apresentem planos de trabalho e solicitem recursos federais para ações de socorro, assistência humanitária, restabelecimento dos serviços públicos e reconstrução da infraestrutura.

Uma equipe do Grupo de Apoio a Desastres, ligado ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, chegou a Ribeirão Preto na manhã de sábado para auxiliar as autoridades estaduais e municipais.

A equipe federal deve permanecer na região até 28 de julho, com possibilidade de prorrogação. Também estão previstas visitas técnicas a Dumont e Guariba para levantamento dos danos e orientação dos municípios sobre o registro das ocorrências no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres.

Um evento rápido, mas com impacto de grandes proporções

A maior parte da destruição foi provocada em aproximadamente 30 minutos. Entretanto, a reconstrução das torres, postes, telhados, hospitais, escolas, redes de água e demais estruturas deve levar dias ou semanas.

Na avaliação inicial da Defesa Civil Municipal, Ribeirão Preto não enfrentava uma combinação semelhante de chuva e vento desde um grande temporal registrado em 1994.

O desastre demonstrou como uma tempestade localizada e de rápida formação pode comprometer simultaneamente energia, água, saúde, trânsito, comunicações e assistência social.

Os números ainda poderão ser atualizados conforme as equipes concluam as vistorias em imóveis, equipamentos públicos e áreas rurais.

Onde acompanhar as atualizações

Fontes: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Defesa Civil, Prefeitura de Ribeirão Preto, CPFL Paulista, Climatempo e imprensa regional. Dados atualizados até a noite de 25 de julho de 2026.

GSH Banco de Sangue de Ribeirão Preto faz apelo urgente à população

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