Pular para o conteúdo

Remédios de uso contínuo mudam a saúde bucal dos idosos e sintomas costumam passar despercebidos

Especialistas alertam que boca seca, dificuldade para usar próteses, alterações no paladar e aumento de cáries podem estar relacionados a medicamentos prescritos para doenças crônicas, mas poucos pacientes fazem essa associação

Créditos: Pexels

O Brasil envelhece em ritmo acelerado e, com isso, cresce também o número de pessoas que dependem de medicamentos de uso contínuo. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, mostram que as doenças crônicas já atingem cerca de metade da população adulta brasileira, com maior concentração entre idosos. Hipertensão, diabetes, depressão e Parkinson estão entre as condições que mais exigem tratamento permanente, mas um efeito colateral ainda recebe pouca atenção: o impacto desses medicamentos sobre a saúde bucal.

Segundo Cristiane Vasconcellos, mestre em Clínica Odontológica Integrada e diretora clínica da Odontolar, em Vitória – ES, especializada no atendimento odontológico de idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida, diversos medicamentos podem reduzir a produção de saliva, alterar a flora bucal e favorecer problemas que comprometem diretamente a alimentação, a fala e a qualidade de vida. “É muito comum o paciente acreditar que a boca seca, a dificuldade para usar a prótese ou a alteração no paladar fazem parte do envelhecimento, quando, na verdade, esses sintomas podem estar relacionados a algum tratamento medicamentoso. Quanto mais cedo essa relação é identificada, maiores são as chances de prevenir complicações e melhorar a sintomatologia”, afirma.

O efeito colateral que poucos pacientes conhecem

Entre os medicamentos mais frequentemente associados a esses efeitos estão antidepressivos, ansiolíticos, anti hipertensivos, diuréticos, antialérgicos, remédios para doença de Parkinson e alguns medicamentos utilizados no controle do diabetes. A diminuição da saliva, conhecida como xerostomia, reduz uma das principais barreiras naturais de proteção da boca, aumentando o risco de cáries, doença periodontal, candidíase, feridas recorrentes e dificuldade de adaptação às próteses.

A preocupação também aparece na literatura científica. Um consenso publicado pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia destaca que a polifarmácia, caracterizada pelo uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos, é frequente entre idosos e está diretamente associada ao aumento de reações adversas, incluindo alterações na cavidade bucal. Estudos publicados pela American Dental Association (ADA) também apontam a xerostomia medicamentosa como um dos principais fatores de risco para cárie radicular e infecções orais em pacientes idosos.

Na prática clínica, Cristiane observa que muitos pacientes só procuram atendimento quando os sintomas já interferem na alimentação ou provocam dor. “A saliva tem papel fundamental na proteção dos dentes, da mucosa e das próteses. Quando sua produção diminui, o paciente passa a sentir dificuldade para mastigar alimentos secos, precisa beber água durante as refeições, percebe alteração no sabor dos alimentos e pode desenvolver lesões que comprometem até a fala”, explica.

Quando a boca dá sinais de que algo está errado

Além da boca seca persistente, alguns sinais merecem atenção. A especialista destaca o aparecimento frequente de cáries, principalmente próximas à gengiva, ardência na boca, feridas que demoram para cicatrizar, sensação de queimação, mau hálito, dificuldade para engolir, próteses que deixam de se adaptar corretamente e infecções por fungos, como a candidíase oral.

A cirurgiã ressalta que interromper o uso da medicação por conta própria nunca é uma solução. O acompanhamento odontológico deve caminhar junto ao tratamento médico para reduzir os efeitos adversos e preservar a saúde bucal. “Existem estratégias capazes de minimizar esses impactos, como hidratação adequada, uso de substitutos salivares quando indicados, laserterapia em alguns casos, ajustes nas próteses, reforço da higiene bucal e aplicação periódica de remineralizantes para reduzir o risco de cáries. O importante é que médico e dentista atuem de forma integrada”, afirma.

Quando procurar um dentista especialista

O acompanhamento torna-se ainda mais importante entre idosos que utilizam próteses dentárias, apresentam doenças neurodegenerativas ou possuem mobilidade reduzida, grupos que costumam enfrentar maior dificuldade para identificar alterações na boca e buscar atendimento precocemente.

Para os especialistas, alguns sintomas justificam uma consulta odontológica sem esperar a revisão periódica: boca seca por várias semanas, dor ou ardência persistente, dificuldade para mastigar ou engolir, surgimento de feridas, sangramento gengival frequente, próteses que passaram a machucar ou perder estabilidade e alterações no paladar sem causa aparente. A avaliação permite identificar se o problema está relacionado aos medicamentos, ao envelhecimento ou a outras doenças que também exigem tratamento específico.

Embora a revisão odontológica periódica continue sendo indispensável, reconhecer esses sinais precocemente pode evitar infecções, perda dentária e dificuldades nutricionais que comprometem a saúde geral do idoso. Em muitos casos, pequenos ajustes no cuidado diário e no acompanhamento especializado são suficientes para preservar conforto, autonomia e qualidade de vida.

Sobre Cristiane Vasconcellos

Cristiane Vasconcellos é cirurgiã-dentista, mestre em Clínica Odontológica Integrada e diretora clínica da Odontolar, em Vitória (ES). Atua há mais de duas décadas no atendimento odontológico voltado à idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida, com foco em atendimentos hospitalares, em instituições geriátricas  e atendimento domiciliares. Ao longo da carreira, consolidou sua atuação no Espírito Santo levando estrutura clínica e tecnologia até a casa de pacientes que não conseguem se deslocar até os consultórios odontológicos.

Especialista em Geriatria e Gerontologia, Odontogeriatria, Odontologia Hospitalar, Laserterapia, Prótese Dentária e Saúde Coletiva, dedica sua prática à integração entre saúde bucal, qualidade de vida e cuidado humanizado nesse tipo de pacientes.

Para mais informações acesse, instagram

Sobre a Odontolar

A Odontolar é uma clínica odontológica sediada em Vitória (ES) especializada no atendimento a idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida. Com  25 anos de atuação, a clínica se consolidou como referência no Espírito Santo em odontogeriatria, odontologia hospitalar e atendimento domiciliar, levando estrutura clínica e tecnologia para pacientes que não conseguem se deslocar até consultórios tradicionais.

Sob direção da cirurgiã-dentista Cristiane Vasconcellos, a Odontolar desenvolve um modelo de cuidado que integra atendimento humanizado, tecnologia e visão interdisciplinar. A clínica realiza tratamentos odontológicos em domicílio e também na sede fixa. Atua com recursos como laserterapia e reabilitação protética, com foco na qualidade de vida e na saúde bucal de pacientes em situações de fragilidade ou dependência.

Para mais informações, acesse instagram

Feed principal

Últimas notícias

Carregando mais notícias…