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Sua rotina de limpeza pode estar acabando com a vida útil dos seus eletrônicos

Celulares, notebooks, mouses e fones acumulam resíduos diários, mas aplicação incorreta de produtos atua como vilã invisível dos componentes internos, aponta ABRALIMP.

Sua rotina de limpeza pode estar acabando com a vida útil dos seus eletrônicos
credito: pexels

Eles estão nas mesas de trabalho, nos treinos da academia, no transporte público e até nas refeições, acumulando resíduos e marcas do manuseio diário. No entanto, a tentativa de manter celulares, notebooks e fones de ouvido limpos tem gerado um efeito colateral silencioso e caro: a degradação de telas e a corrosão de conectores internos. O alerta é da ABRALIMP (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional), que aponta que o uso de misturas caseiras, álcool inadequado e o excesso de líquido nos aparelhos são os principais responsáveis por danos definitivos nesses equipamentos. 

A associação destaca que a higienização desses equipamentos exige um equilíbrio técnico rigoroso entre a eficiência na remoção de sujidades e a preservação dos componentes mecânicos e eletrônicos. Por serem superfícies sensíveis e de toque frequente, o procedimento requer conhecimento dos insumos e das metodologias aplicadas. 

“Eletrônicos pessoais e compartilhados exigem higienização frequente, mas são sensíveis a líquidos e produtos abrasivos. O desafio é limpar sem danificar”, explica Fernando Augusto Domingues Filho, Superintendente Executivo da Centrallimp, empresa do setor de limpeza e conservação.

Cuidados essenciais antes de iniciar o procedimento

A ABRALIMP reforça que qualquer intervenção deve começar pela preparação do dispositivo: o equipamento precisa estar desligado e desconectado de carregadores ou fontes de energia. Acessórios removíveis, como capas e películas, devem ser retirados para higienização em separado. Antes de aplicar qualquer solução úmida, é indispensável remover a poeira e os resíduos soltos com um pano macio e limpo. Caso haja sujeira aderida, a limpeza úmida pode ser feita, desde que a superfície seja compatível e o procedimento utilize o mínimo de umidade.

Um dos erros mais frequentes identificados por especialistas é a aplicação direta de líquidos nos aparelhos. A orientação técnica é pulverizar uma pequena quantidade do produto em um pano macio, limpo e sem fiapos — preferencialmente microfibra adequada para superfícies delicadas. Para as superfícies externas, recomendam-se produtos com pH próximo ao neutro, formulados com tensoativos suaves, baixa espumação e baixo resíduo.

“A limpeza de equipamentos eletrônicos é bem delicada. Deve-se sempre utilizar produtos neutros feitos com tensoativos suaves e de baixa espumação. A aplicação deve ser feita pulverizando o produto sobre um pano de microfibra e nunca diretamente sobre a superfície dos eletrônicos”, ressalta Cristina S. Venezuela Miranda, Química Responsável da Perol, empresa fabricante de produtos de limpeza profissional.

Insumos proibidos e o uso correto do álcool isopropílico

A consulta prévia às orientações dos fabricantes é indispensável. Devem ser rigorosamente evitados: água em excesso, produtos abrasivos, solventes, acetona, cloro, água sanitária, amônia, limpa-vidros e misturas caseiras improvisadas.

A ABRALIMP faz ainda um alerta específico sobre o álcool isopropílico. Embora seja amplamente utilizado na indústria e na manutenção técnica de placas e conectores por ter alto grau de pureza, rápida evaporação e não conduzir eletricidade, seu uso não deve ser generalizado para todas as superfícies externas ou equipamentos sem avaliação prévia.

“O álcool isopropílico é usado na indústria para a limpeza de placas eletrônicas porque não conduz energia elétrica. Porém, ele não é, em si, um produto saneante: é um componente químico que pode estar presente em um produto saneante”, esclarece Thiago Lopes, Gerente Técnico Comercial da LimSept. O especialista destaca ainda que saneantes destinados à limpeza ou desinfecção devem possuir regularização aplicável junto à Anvisa.

“Não existe um único produto que seja o mais indicado para a limpeza de todos os equipamentos eletrônicos. A escolha deve considerar o tipo de equipamento, a superfície, a sujidade presente e, principalmente, as recomendações do fabricante”, complementa Fábio Lorenzo, Diretor Técnico da Indeba.

Técnica de aplicação e particularidades por equipamento

Na limpeza úmida, a técnica correta faz toda a diferença: o pano deve deslizar em uma única direção para recolher a sujeira de um ponto ao outro. Movimentos circulares ou produtos que espumam podem deixar resíduos que embaçam a superfície e facilitam a aderência de nova poeira.

A entidade detalha os cuidados específicos por categoria:

  • Celulares e tablets: Limpeza da tela, bordas, capas e traseira com pano adequado, sem permitir a entrada de líquidos em microfones, alto-falantes e conexões.
  • Notebooks: Remoção prévia de poeira e limpeza do teclado e tela com baixa umidade aplicada exclusivamente no pano.
  • Teclados e mouses: Remoção de poeira e migalhas antes do pano umedecido com produto compatível, evitando desmontagens não autorizadas ou objetos pontiagudos.
  • Fones de ouvido: Higienização das superfícies externas e de acessórios removíveis, protegendo entradas e alto-falantes de qualquer umidade.

Limpeza x Desinfecção e gestão de processos

A ABRALIMP enfatiza que a limpeza remove a sujeira e a oleosidade por ação mecânica, enquanto a desinfecção exige agentes químicos específicos, dosagem correta e tempo de contato com a superfície.

“Em equipamentos compartilhados, é importante aumentar a frequência da limpeza e concentrar a atenção nas áreas mais tocadas. O registro em checklist contribui para que o procedimento seja realizado de maneira uniforme e rastreável”, conclui Fernando Augusto Domingues Filho.

Checklist rápido de segurança ABRALIMP

  1. Desligue e desconecte o equipamento da tomada;
  2. Consulte as orientações do fabricante;
  3. Remova a poeira antes de iniciar a limpeza úmida;
  4. Utilize pano de microfibra e produto compatível, aplicado sempre no pano;
  5. Controle a umidade e proteja conectores, frestas e alto-falantes;
  6. Abandone produtos abrasivos, misturas caseiras e objetos pontiagudos;
  7. Aguarde a secagem completa antes de religar o aparelho;
  8. Para limpeza interna, recorra sempre à assistência técnica especializada.

Regra de ouro: Aparelho desligado, pano adequado, produto compatível e umidade controlada.

Sobre a ABRALIMP  

A Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (ABRALIMP) é uma entidade sem fins lucrativos fundada em 1986, dedicada ao fortalecimento e à valorização do setor de higienização no Brasil. Reunindo mais de 240 empresas associadas de toda a cadeia produtiva, a entidade promove desenvolvimento técnico, capacitação, integração setorial e representatividade institucional. 

Sua atuação é estruturada em cinco câmaras setoriais (Distribuidores, Químicos, Máquinas, Equipamentos e Prestadores), que funcionam como verticais estratégicas de articulação técnica e empresarial, reunindo especialistas e lideranças para discutir regulamentação, inovação, qualificação profissional, boas práticas e evolução de mercado em cada segmento prioritário da cadeia. Essas câmaras são hoje os principais motores internos de avanço técnico e institucional da Abralimp, contribuindo diretamente para a profissionalização e o fortalecimento do setor em âmbito nacional. 

Entre suas principais iniciativas estão a Higiexpo, a UniAbralimp e o congresso Higicon, além de publicações técnicas e estudos de mercado. A Abralimp atua com base em princípios de ética, transparência, autonomia e imparcialidade, consolidando-se como referência nacional em conhecimento, conexão e representatividade para a limpeza profissional. 

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