Após chuvas prejudicarem colheita e qualidade dos grãos, especialista alerta para irregularidade hídrica e temperaturas elevadas na próxima temporada

Depois de uma safra marcada por oscilações no mercado e por chuvas que dificultaram a colheita e a secagem dos grãos, a cafeicultura brasileira volta as atenções para a safra 2026/27. A possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade aumenta a preocupação com as condições climáticas, principalmente nas áreas de sequeiro, mais vulneráveis à irregularidade das precipitações e às temperaturas elevadas. Em um cenário de preços ainda atrativos, preservar o potencial produtivo e a qualidade do café ganha importância para o produtor.
Segundo o engenheiro agrônomo, mestre e doutor em fisiologia vegetal, professor, pesquisador e consultor Ricardo Teixeira, os preços do café vêm apresentando volatilidade, alternando períodos de alta e baixa, mas permanecem em níveis considerados atrativos ao cafeicultor. Para a atual temporada, a expectativa é de uma safra superior a 66 milhões de sacas de 60 kg, o que desloca parte da atenção para a capacidade de manter a qualidade do produto diante das condições climáticas que vêm se apresentando.
É o caso, por exemplo, das chuvas registradas em junho e julho, que já prejudicaram a colheita e a secagem, especialmente do café arábica produzido em Minas Gerais e São Paulo, com reflexos também sobre a qualidade da bebida. “Os preços ainda são considerados bons, mas com uma safra que aponta maiores preocupações relacionadas à qualidade do café do que propriamente à quantidade produzida. Para o mercado futuro de longo prazo, no entanto, ainda existem muitas incertezas”, avalia Teixeira.
O especialista reforça ainda que o clima está entre os fatores que mais ameaçam a produtividade do cafeeiro justamente por ser aquele sobre o qual o produtor tem menor capacidade de intervenção. Diferentemente da genética, dos tratos culturais e da nutrição, que podem ser planejados e manejados ao longo do ciclo, as condições climáticas exigem que a planta esteja preparada para enfrentar períodos de estresse durante todo o ano. “Hoje, entre os grandes fatores, as alterações climáticas representam aquele no qual temos a possibilidade de sofrer as maiores perdas e, ao mesmo tempo, temos menor capacidade de intervenção. Dessa forma, é necessário preparar as lavouras não apenas durante a florada, formação dos frutos ou enchimento dos grãos, mas ao longo dos 12 meses do ano”, explica.
El Niño coloca próxima safra no radar
Para a safra 2026/27, o comportamento climático passa a ser um dos principais pontos de atenção. A cafeicultura de sequeiro permanece especialmente vulnerável à má distribuição das chuvas. A irrigação reduz essa exposição, mas não elimina completamente os efeitos de condições climáticas adversas.
Caso se confirme um El Niño de forte intensidade, semelhante ao fenômeno observado entre 2023 e 2024, a expectativa é de maior pressão sobre a produção de café. Atualmente, a produtividade média brasileira está próxima de 30 sacas beneficiadas por hectare. “Se isso realmente acontecer de maneira mais intensa, podemos observar uma queda considerável de produtividade dos grãos em comparação à última safra”, afirma Teixeira.
O risco não está restrito à disponibilidade de água. Déficit hídrico, chuvas irregulares, temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar podem interferir em diferentes etapas do ciclo do cafeeiro, desde a florada e o pegamento das flores até a formação e o enchimento dos grãos. Segundo o especialista, a falta de água compromete a absorção e o transporte de nutrientes e reduz a capacidade da planta de produzir energia por meio da fotossíntese.
Já temperaturas muito elevadas podem levar ao fechamento dos estômatos por períodos mais prolongados, impactando a transpiração e dificultando a termorregulação do cafeeiro. “O fechamento desses estômatos reduz a capacidade da planta de transpirar. A diminuição da transpiração eleva a temperatura interna do cafeeiro, dificultando a formação de diversas substâncias diretamente relacionadas não apenas à produtividade, mas também às características que determinam a qualidade da bebida”, explica.
Manejo fisiológico ganha importância
Diante desse cenário, a preparação da lavoura precisa ocorrer durante todo o ano, e não apenas quando uma condição de estresse já está instalada. Para Teixeira, além da irrigação, quando tecnicamente e economicamente viável, a manutenção da saúde do solo e uma estratégia nutricional adequada são fundamentais para ampliar a capacidade de resposta da planta.
Nesse contexto, tecnologias voltadas ao fortalecimento fisiológico e à redução dos impactos do estresse ambiental passam a integrar as estratégias de manejo. Bioestimulantes e soluções com atuação sobre a termorregulação podem contribuir para que o cafeeiro utilize a água de maneira mais eficiente e atravesse períodos de altas temperaturas, baixa umidade e déficit hídrico com menor impacto sobre seu potencial produtivo. “Entre os principais investimentos que podem ser recomendados aos produtores estão, quando possível, a irrigação e a adoção de um manejo voltado ao fortalecimento da planta diante das adversidades climáticas”, destaca.
É nesse contexto que a Agroallianz posiciona seu portfólio para a cafeicultura, com soluções voltadas ao manejo e à preparação das plantas para enfrentar condições de estresse ao longo do ciclo.. “ O melhor entendimento dos fatores ambientais que podem ser limitantes de produtividade, atesta a necessidade de adoção do uso de tecnologias que permitem as plantas suportar estas influências negativa, durante o ciclo produtivo, preservando parte do seu potencial produtivo e rentabilidade ao produtor” destaca Renato Menezes, engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Técnico da Agroallianz.
“A preparação do cafeeiro para um ambiente de maior variabilidade climática exige uma visão integrada do manejo, aonde o Programa de Recomendação Agroallianz para a cultura do café propõe diferentes ferramentas durante as fases fenológicas e a necessidade de manter a planta em condições adequadas para expressar seu potencial.“, reforça o gerente.
Sobre: A Agroallianz atua no desenvolvimento de soluções agrícolas voltadas à proteção de cultivos, nutrição vegetal, bioestimulantes e adjuvantes especiais. A empresa se destaca pela agilidade em identificar as demandas do campo, aliando transferência de tecnologia, competitividade comercial e eficiência logística para ampliar a produtividade e a sustentabilidade das lavouras. Com foco em inovação e geração de valor, a empresa tem como propósito contribuir para que cada hectare cultivado seja fonte de prosperidade para o produtor, o meio ambiente e a sociedade.
