Avanços no rastreamento e tratamentos mais personalizados reforçam a importância do autocuidado e da atenção aos sinais do corpo

Campinas/SP: A oncologia vive uma transformação importante no tratamento dos tumores ginecológicos, com novas estratégias de rastreamento e terapias cada vez mais direcionadas às características de cada tumor. Uma das principais mudanças está justamente no rastreamento do câncer do colo do útero. O Brasil passou a implementar progressivamente o teste molecular para detecção do DNA-HPV oncogênico como método primário de rastreamento, estratégia que amplia a capacidade de identificar mulheres sob risco de desenvolver lesões precursoras. Para o Grupo SOnHe, porém, os avanços da medicina não diminuem a importância de uma atitude que continua sendo decisiva: o cuidado com a própria saúde antes que qualquer doença apareça. Alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso, vacinação, exames de rastreamento e atenção aos sinais do corpo fazem parte dessa rotina de prevenção.
Os números do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram a dimensão do desafio. Para cada ano do triênio 2026 a 2028, são estimados 19.310 novos casos de câncer do colo do útero, 9.650 de câncer do corpo do útero e 8.020 de câncer de ovário no Brasil. Entre as mulheres, o câncer do colo do útero é o terceiro tumor mais incidente, atrás dos cânceres de mama e de cólon e reto, quando excluídos os tumores de pele não melanoma.
A vacinação contra o HPV continua sendo uma das principais formas de prevenção ao câncer do colo do útero e permanece disponível pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de estratégias de resgate para jovens que não foram imunizados anteriormente.
“Quando falamos em tumores ginecológicos, é importante que a mulher entenda que prevenção não começa no consultório do oncologista. Ela começa muito antes, inclusive com a vacinação contra o HPV na idade indicada, com os exames de rastreamento e com a percepção de que alguma mudança no corpo merece ser investigada”, afirma Susana Ramalho, oncologista clínica do Grupo SOnHe e integrante dos núcleos de câncer de mama e tumores ginecológicos.
A atenção ao próprio corpo é especialmente importante diante de sintomas persistentes ou alterações fora do padrão habitual. Sangramentos fora do período menstrual, após relações sexuais ou depois da menopausa, por exemplo, devem ser investigados. No câncer de ovário, sintomas como aumento persistente do volume abdominal, dor ou desconforto abdominal, alterações urinárias ou intestinais e perda de apetite também merecem avaliação médica.
“Existe uma falsa ideia de que cuidar da saúde é procurar ajuda apenas quando aparece algum sintoma. O cuidado é muito mais amplo. Alimentação, movimento, peso saudável, vacinação e os exames indicados para cada fase da vida fazem parte de uma mesma estratégia”, explica Leonardo Silva, oncologista clínico do Grupo SOnHe e integrante dos núcleos de câncer de mama e tumores ginecológicos.
O autocuidado também se relaciona à prevenção de outros tipos de câncer. Manter uma alimentação adequada, praticar atividade física regularmente e evitar o excesso de peso são medidas associadas à redução do risco de diversas neoplasias. O INCA destaca, ainda, a relação entre excesso de gordura corporal e diferentes tipos de câncer, incluindo os tumores do endométrio e de mama. A atividade física, por sua vez, apresenta benefícios que vão além do controle do peso e está relacionada à redução do risco de alguns tipos de câncer.
“A atividade física previne e ajuda no tratamento do câncer. Para nós, oncologistas, o movimento faz parte da indicação às pacientes. É fundamental que elas se movimentem durante o acompanhamento para um resultado mais eficaz”, reforça Susana Ramalho.
Ao mesmo tempo em que a prevenção ganha novas ferramentas, o tratamento também avança em direção a uma oncologia mais personalizada. Nos tumores ginecológicos, características moleculares do câncer já ajudam a identificar pacientes que podem se beneficiar de determinadas terapias, ampliando as possibilidades de tratamento de acordo com o perfil de cada tumor. Em setembro, mês dedicado à conscientização sobre os tumores ginecológicos, a campanha ganha como símbolo o laço verde-água. Mais do que uma cor, a mobilização reforça a importância da informação para que a mulher conheça as formas de prevenção, mantenha seus exames em dia e não ignore mudanças persistentes em seu corpo.
Sobre o Grupo SOnHe
O Grupo SOnHe – Oncologia e Hematologia é formado por 20 oncologistas e hematologistas que fazem atendimento oncológico alinhado às recentes descobertas da ciência, com tratamento integral, humanizado e multidisciplinar em importantes centros de referência, como o Hospital Vera Cruz, Hospital Santa Tereza, Hospital PUC-Campinas e Vera Cruz Indaiatuba. O SOnHe oferece excelência no cuidado oncológico e na produção de conhecimento de forma ética, científica e humanitária, por meio de uma equipe inovadora e sempre comprometida com o ser humano. Fazem parte do grupo os oncologistas André Deeke Sasse, David Pinheiro Cunha, Vinícius Correa da Conceição, Vivian Castro Antunes de Vasconcelos, Rafael Luís, Susana Ramalho, Leonardo Roberto da Silva, Higor Mantovani, Débora Curi, Amanda Negrini, Laís Feres, Nayara Nardini, Giselle Rocha, Nathalia Monnerat, Thaís Reina e pelos hematologistas Lorena Bedotti, Jamille Cunha, Lucas Weiss, Gessika Gutierrez e Guilherme Machado.
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