Com o crescimento da procura por procedimentos estéticos no mundo, cirurgiã plástica esclarece que cirurgia e aplicações periódicas não são concorrentes, e sim complementares

A procura por procedimentos estéticos continua em crescimento no mundo, mas também aumenta uma das principais dúvidas dos pacientes: afinal, vale mais a pena investir em aplicações periódicas ou recorrer à cirurgia plástica facial? Dados mais recentes da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) mostram que foram realizados aproximadamente 37,9 milhões de procedimentos estéticos em todo o mundo, sendo cerca de 20,5 milhões não cirúrgicos e 17,4 milhões cirúrgicos. O Brasil permanece entre os maiores mercados globais do setor, impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo aumento da expectativa de vida e pela busca por uma aparência mais natural.
Para a cirurgiã plástica facial Dra. Danielle Gondim, formada pelo Instituto Ivo Pitanguy, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e com formação complementar em centros internacionais de referência em cirurgia facial, a resposta depende menos da técnica escolhida e mais da indicação correta para cada paciente. Segundo ela, comparar cirurgia e procedimentos apenas pelo tempo de duração pode levar a expectativas irreais e escolhas inadequadas.
“Os procedimentos minimamente invasivos e a cirurgia não competem entre si. Cada abordagem tem uma finalidade específica. O erro é acreditar que existe um tratamento universal para todos os casos. A escolha deve considerar a anatomia facial, os objetivos do paciente e a indicação médica individualizada”, afirma.
Cirurgia e procedimentos não são concorrentes
Nos últimos anos, a medicina estética passou por uma transformação importante. Se antes grande parte da procura estava concentrada em suavizar rugas ou adicionar volume, hoje pacientes de diferentes faixas etárias buscam tratamentos que preservem a identidade facial, respeitem as proporções do rosto e entreguem resultados naturais, seja para corrigir características anatômicas, seja para tratar alterações decorrentes do processo natural de envelhecimento.
Danielle explica que procedimentos como toxina botulínica, bioestimuladores de colágeno, ultrassom microfocado e preenchimentos continuam tendo papel importante na prevenção e no tratamento de diversas alterações faciais. Em geral, apresentam recuperação rápida e exigem manutenções periódicas, cuja frequência varia conforme a técnica utilizada, o metabolismo de cada paciente e o produto empregado.
Já a cirurgia plástica facial atua diretamente sobre as estruturas anatômicas da face, podendo reposicionar tecidos, corrigir alterações estruturais, tratar flacidez quando presente ou melhorar proporções faciais de acordo com a necessidade de cada paciente. Por isso, sua indicação vai muito além do envelhecimento e pode beneficiar pessoas mais jovens com características genéticas ou alterações que comprometem a harmonia facial.
“A cirurgia não deve ser associada apenas ao envelhecimento. Existem pacientes jovens que apresentam excesso de pele nas pálpebras por predisposição genética, alterações estruturais do nariz, queda das sobrancelhas ou outras características faciais que podem ser corrigidas cirurgicamente. O fator determinante não é a idade, mas a indicação adequada para cada caso”, explica a especialista.
O custo vai além do valor inicial
Outro aspecto frequentemente desconsiderado pelos pacientes é o custo acumulado ao longo do tempo. Embora os procedimentos minimamente invasivos normalmente representem um investimento inicial menor e permitam retorno mais rápido às atividades, eles exigem reaplicações para manutenção dos resultados.
A cirurgia, por sua vez, costuma demandar um investimento inicial mais elevado e um período de recuperação maior, mas oferece resultados mais duradouros ao tratar estruturas que os procedimentos não conseguem modificar. Dependendo do planejamento terapêutico e da frequência das manutenções, anos de tratamentos não cirúrgicos podem representar um investimento semelhante ou até superior ao de uma cirurgia.
“Não existe uma resposta baseada apenas em custo ou durabilidade. O que faz sentido para um paciente pode não ser a melhor opção para outro. A decisão precisa considerar diagnóstico, expectativa, segurança e o resultado que se pretende alcançar”, ressalta Danielle.
A melhor escolha é a que respeita a individualidade
Para a cirurgiã, um dos maiores equívocos é tratar cirurgia e procedimentos como alternativas excludentes. Na prática, ambas as abordagens podem ser utilizadas em momentos diferentes ou até de forma complementar, sempre de acordo com a avaliação médica.
“A medicina evoluiu para oferecer tratamentos cada vez mais personalizados. Em alguns pacientes, um procedimento minimamente invasivo resolve completamente a necessidade. Em outros, insistir em aplicações sucessivas apenas adia uma indicação cirúrgica que proporcionaria um resultado mais natural, harmônico e duradouro. O mais importante é entender que não existe um tratamento melhor de forma absoluta, existe o tratamento mais adequado para cada pessoa”, conclui.
A especialista observa que a evolução das técnicas cirúrgicas também mudou a percepção sobre a cirurgia facial. Procedimentos modernos priorizam a preservação da identidade, respeitam as características individuais e buscam resultados discretos, afastando a ideia de transformações artificiais. Mais do que modificar a aparência, o objetivo atual da cirurgia plástica facial é restaurar equilíbrio, funcionalidade e harmonia de forma personalizada.
Diante de tantas possibilidades, a cirurgiã orienta que a decisão nunca seja tomada apenas com base em relatos de redes sociais, no preço ou na experiência de outras pessoas. Segundo ela, uma avaliação presencial é indispensável para identificar as características anatômicas, entender as expectativas do paciente e definir a estratégia mais adequada.

Sobre Danielle Gondim
Dra. Danielle é cirurgiã plástica especializada em face, com reconhecimento internacional. Desde a infância interessada pelas artes, formou-se no Instituto Ivo Pitanguy, onde também atuou como docente por quase cinco anos. Ao longo da carreira, realizou fellowships nos principais serviços de cirurgia plástica do mundo, incluindo centros liderados por Dr. Nayak e Ben Talei, nos Estados Unidos, e por Dr. Francisco Bravo, em Madri.
Membro das associações Internacional, Americana e Brasileira de Cirurgia Plástica, é frequentemente convidada a palestrar em congressos relevantes da especialidade no Brasil e no exterior.
Em 2025, foi premiada por seu trabalho no Congresso Mundial de Cirurgia Plástica da ISAPS, realizado em Singapura, reconhecimento concedido a um grupo restrito de especialistas. Criadora da técnica Singular Restore®, alia ciência e arte para alcançar resultados naturais, nos quais a jovialidade se destaca sem evidência de intervenção cirúrgica. Seu trabalho é pautado pela individualidade facial e pela preservação da identidade de cada paciente.
Procurada por pacientes de diferentes países, também recebe semanalmente médicos do Brasil e do exterior interessados em conhecer sua abordagem técnica.
Para mais informações, acesse o site, instagram ou pelo Linkedin.
Fonte de pesquisa:
International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) – Global Survey https://www.isaps.org/discover/about-isaps/global-statistics/global-survey-2024-full-report-and-press-releases/
