Número de consumidores negativados cresce 2,95% em 12 meses, enquanto o de empresas inadimplentes avança 10,76%; dados do SPC Brasil mostram o cenário regional em agosto de 2026

O Sudeste chegou a agosto de 2026 com uma estimativa de 31,31 milhões de consumidores negativados, o equivalente a 43,58% da população adulta da região. O número de devedores cresceu 2,95% em relação a agosto de 2025, a menor alta entre as cinco regiões brasileiras. Ainda assim, o Sudeste reúne o maior contingente de consumidores inadimplentes do país.
Os dados fazem parte do Indicador de Inadimplência de Pessoas Físicas do SPC Brasil, que acompanha mensalmente a evolução do número de consumidores negativados e das dívidas em atraso registradas nas bases às quais a entidade tem acesso.
O resultado revela duas dimensões do cenário regional: o crescimento do número de devedores foi menos intenso que nas demais regiões, mas a inadimplência alcança mais de quatro em cada dez adultos no Sudeste. Essa proporção ficou abaixo dos 43,90% estimados para o Brasil.
Na comparação anual, o número de consumidores inadimplentes avançou 8,32% no Sul, 6,38% no Norte, 5,06% no Centro-Oeste e 2,98% no Nordeste. No Brasil, a alta foi de 5,02%. Entre julho e agosto de 2026, o Sudeste registrou queda de 2,71% no número de devedores, a maior redução mensal entre as regiões.
Inadimplência também avança entre as empresas
Entre as empresas, o Sudeste registrou crescimento de 10,76% no número de CNPJs inadimplentes em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025. Apesar de ser a menor alta regional, o resultado mostra que a inadimplência empresarial continuou avançando em ritmo de dois dígitos.
No Brasil, o aumento foi de 12,82%. O Centro-Oeste liderou a variação anual, com 17,44%, seguido pelo Sul, com 17,19%, Norte, com 13,18%, e Nordeste, com 11,35%. Na comparação com julho, o número de empresas inadimplentes no Sudeste subiu 0,13%.
Quando a análise considera a quantidade de dívidas empresariais em atraso, o Sudeste apresentou alta de 12,54% em 12 meses, abaixo dos 14,72% registrados no Brasil. Na passagem de julho para agosto, o avanço regional foi de 0,18%.
No cenário nacional, cada empresa negativada devia, em média, R$ 7.030,71 em agosto, considerando a soma de todas as suas dívidas, e possuía compromissos em atraso com uma média de 1,79 empresa credora. Esses valores se referem ao Brasil, e não especificamente ao Sudeste.
Os indicadores mostram que a menor expansão regional não significa recuo da inadimplência na comparação anual. Tanto o número de empresas devedoras quanto a quantidade de dívidas empresariais em atraso aumentaram no Sudeste.
Dívidas de consumidores crescem mais que o número de devedores
Entre as pessoas físicas, a quantidade de dívidas em atraso no Sudeste aumentou 8,32% em relação a agosto de 2025. O avanço foi superior ao crescimento de 2,95% no número de consumidores negativados na região.
A diferença entre os dois indicadores mostra que a evolução da inadimplência não se resume à quantidade de pessoas com restrição. É importante observar também o número de compromissos em atraso, sem confundir essa medida com o valor financeiro das dívidas.
No Brasil, a quantidade de dívidas de consumidores cresceu 10,28% em 12 meses. Na comparação mensal, o Sudeste registrou redução de 3,02%, enquanto a queda nacional foi de 2,04%.
Para as empresas que vendem a prazo, acompanhar essas duas dimensões ajuda a compreender o ambiente em que as negociações acontecem. Os dados regionais oferecem contexto, mas não substituem a avaliação de cada cliente.
Para quem vende a prazo, conhecer o cliente ganha ainda mais importância
Os indicadores regionais ajudam a dimensionar o ambiente econômico, mas a decisão de conceder crédito acontece no nível de cada negociação.
Para empresas que vendem a prazo, ampliar a carteira ou aumentar o faturamento sem critérios adequados de análise pode elevar também a exposição à inadimplência. Nesse contexto, conhecer melhor quem está do outro lado da negociação faz parte da gestão comercial.
Informações cadastrais, histórico de pagamento, pendências financeiras e valores já em aberto com o próprio estabelecimento podem complementar a avaliação de pessoas e empresas antes da definição de limites e condições comerciais. Uma informação isolada nem sempre é suficiente para compreender o risco da operação.
O SPC Brasil atua com inteligência de dados aplicada ao crédito. Suas soluções de Análise de Clientes apoiam empresas na avaliação de informações sobre clientes, oferecendo elementos para decisões comerciais mais consistentes.
A proposta é ajustar limites e prazos ao perfil de cada negociação e à capacidade do negócio de financiar suas vendas. O acompanhamento dos recebimentos depois da concessão também ajuda a identificar mudanças e revisar condições, sem transformar a prevenção da inadimplência em restrição indiscriminada de crédito.
Dados regionais ajudam a enxergar além da média nacional
A fotografia de agosto mostra por que observar apenas os indicadores nacionais pode esconder movimentos relevantes. No Sudeste, o número de consumidores e de empresas inadimplentes cresceu menos que nas demais regiões, mas ambos os indicadores permaneceram em alta na comparação anual.
Os resultados abrangem o conjunto de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Por isso, não devem ser interpretados como uma medida específica da inadimplência em Guaíra ou em qualquer outro município da região.
Para as empresas que atuam nesse mercado, acompanhar o cenário e combiná-lo com informações sobre os próprios clientes pode contribuir para revisar políticas comerciais, avaliar riscos e proteger o fluxo de caixa.
Fonte dos dados: SPC Brasil – Indicadores de Inadimplência de Pessoas Físicas e de Pessoas Jurídicas, agosto de 2026.
