Estudo da Sanchez avalia o novo modelo de anúncios da OpenAI e alerta para desafios relacionados à jornada do usuário, geração de leads e retorno sobre investimento

São Paulo, setembro 2026 – Desde seu lançamento, em 2022, o ChatGPT transformou a maneira como milhões de pessoas pesquisam informações, produzem conteúdo e interagem com a internet.
Agora, a OpenAI busca transformar também a publicidade digital com o lançamento do ChatGPT Ads, plataforma que permite a inserção de anúncios diretamente nas respostas geradas pela inteligência artificial.
A novidade tem despertado a atenção de empresas, agências e anunciantes de todo o mundo, levantando uma pergunta inevitável: os anúncios em IA generativa podem se tornar uma ameaça real para gigantes como Google e Meta?
Para Rafael Sanches, CEO da Sanchez, agência especializada em marketing imobiliário e inteligência de dados, a resposta ainda é não.
Em estudo realizado pela empresa, o especialista analisa os impactos da nova plataforma da OpenAI e aponta que, apesar do potencial de inovação, o modelo ainda enfrenta limitações importantes para se consolidar como uma ferramenta de performance capaz de competir com os principais canais de mídia digital do mercado.
“O ChatGPT revolucionou a forma como as pessoas consomem informação, mas isso não significa que tenha revolucionado a forma como elas consomem publicidade. Existe uma diferença importante entre a intenção de buscar uma resposta e a intenção de realizar uma compra. É justamente nessa diferença que está o principal desafio do ChatGPT Ads”, afirma Rafael Sanches.
Segundo o levantamento, a proposta da OpenAI se assemelha ao modelo das campanhas de pesquisa, conectando anúncios ao contexto das perguntas realizadas pelos usuários. No entanto, diferentemente dos mecanismos tradicionais de busca, a experiência dentro das plataformas de IA é construída para entregar respostas rápidas, objetivas e personalizadas, reduzindo naturalmente a atenção dedicada a elementos promocionais.
O estudo destaca um fenômeno conhecido no marketing digital como “cegueira por desatenção”, comportamento que faz com que usuários ignorem elementos publicitários considerados irrelevantes ou invasivos durante sua navegação.
“Quando uma pessoa acessa uma ferramenta de IA, ela espera uma solução imediata para um problema específico. Qualquer elemento que interrompa essa experiência corre o risco de ser percebido como ruído. Isso reduz significativamente o potencial de conversão desses anúncios quando comparados a formatos mais maduros e otimizados”, explica Sanches.
Outro ponto levantado pela pesquisa é o custo operacional da plataforma. Embora a OpenAI apresente o ChatGPT Ads como uma nova fronteira para anunciantes, a ferramenta ainda exige investimentos superiores aos praticados por canais consolidados, como Google Ads e Meta Ads, sem apresentar, até o momento, evidências robustas de desempenho em larga escala.
Para o CEO da Sanchez, o cenário atual sugere cautela por parte das empresas.
“Existe um entusiasmo natural sempre que surge uma nova tecnologia. Mas marketing não é sobre novidade; é sobre resultado. Hoje, o ChatGPT Ads pode funcionar como um canal complementar dentro de uma estratégia de comunicação, principalmente para ações de awareness e posicionamento de marca. Porém, ainda não existem evidências suficientes para tratá-lo como um substituto dos canais tradicionais de geração de demanda”, avalia.
O estudo também ressalta que a própria evolução da inteligência artificial generativa ainda enfrenta desafios relacionados à confiabilidade das informações produzidas. Fenômenos conhecidos como ‘alucinações’, quando modelos de IA geram respostas incorretas ou desconectadas do contexto, continuam sendo uma preocupação em aplicações que exigem alto grau de especialização e precisão.
Na avaliação da Sanchez, o futuro da publicidade em ambientes de IA dependerá menos da tecnologia em si e mais da capacidade das plataformas de compreender e respeitar a jornada do consumidor.
“A inovação não está apenas em criar novos espaços publicitários, mas em entender quando e como o usuário está disposto a interagir com uma marca. Quem conseguir equilibrar relevância, contexto e experiência terá uma vantagem competitiva real nos próximos anos”, conclui Rafael Sanches.
Embora o mercado acompanhe com expectativa os próximos passos da OpenAI, a conclusão do estudo é clara: o ChatGPT Ads representa uma evolução interessante para o ecossistema digital, mas ainda está distante de ser a ‘bala de prata’ prometida por parte da indústria de marketing e tecnologia.
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