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El Niño coloca resiliência do sistema elétrico no centro do debate sobre a expansão das renováveis

  • CLIMA

Painéis solares, subestação elétrica e torres de transmissão com turbinas eólicas ao fundo sob céu com pôr do sol e nuvens de tempestade

O avanço do El Niño em 2026 trouxe novamente para o centro das discussões do setor elétrico brasileiro os impactos dos eventos climáticos sobre a geração e a operação do sistema. Alterações nos regimes de chuvas e ventos podem afetar diferentes fontes de geração e aumentar a complexidade de equilibrar oferta e demanda em um sistema que incorpora, cada vez mais, fontes renováveis variáveis. O tema já mobiliza órgãos como ONS, MME e ANEEL, que vêm discutindo medidas de preparação e reforço da resiliência do Sistema Interligado Nacional (SIN).

As projeções para os próximos meses também colocam no radar a combinação entre temperaturas elevadas, períodos de menor umidade e maior ocorrência de eventos extremos. De acordo com análises da Climatempo e da Nottus, o avanço do El Niño pode alterar os regimes de chuva em diferentes regiões do país, além de favorecer ondas de calor e períodos mais secos. Para o setor elétrico, esse cenário pode significar aumento da demanda por energia, especialmente em momentos de temperaturas acima da média, ao mesmo tempo em que amplia a exposição da infraestrutura a ocorrências como queimadas, temporais e outros eventos capazes de afetar redes de transmissão e distribuição.

“O El Niño não afeta o setor elétrico brasileiro de uma única forma. Seus impactos variam entre as regiões e ao longo das estações, alterando padrões de chuva, temperatura e circulação atmosférica e, consequentemente, a disponibilidade dos diferentes recursos energéticos. Em um sistema com participação crescente de fontes renováveis, compreender antecipadamente essas mudanças é fundamental para o planejamento da geração e para uma operação mais resiliente e segura”, afirma Marcely Sondermann, Customer Sucess do Climatempo.

O risco, portanto, não está apenas nos efeitos isolados do fenômeno climático, mas na possibilidade de diferentes fatores atuarem simultaneamente sobre o sistema. Queimadas próximas a linhas de transmissão, por exemplo, podem provocar desligamentos e interrupções, enquanto picos de demanda associados às ondas de calor aumentam a pressão sobre a operação. Nesse contexto, o planejamento do setor passa a exigir uma visão integrada entre previsão climática, expansão das renováveis, reforço da infraestrutura e capacidade de resposta a cenários de maior variabilidade e instabilidade.

“Com a expansão das fontes renováveis, a informação climática passa a ter um papel cada vez mais estratégico na operação do setor elétrico. Não basta saber se haverá mais ou menos chuva ou vento: é preciso traduzir as condições meteorológicas e climáticas em impactos para a geração, para os ativos e para a operação. Na Climatempo, trabalhamos justamente nessa integração, combinando previsão, monitoramento e análise de risco para apoiar decisões desde o planejamento até a resposta a eventos severos”, completa Marcely.

Como o setor deve se preparar para um cenário em que clima, geração renovável e segurança energética estão cada vez mais conectados? Essa discussão estará entre os temas da

Brazil Windpower 2026, que acontece de 27 a 29 de outubro, no São Paulo Expo, em São Paulo. Especialistas e representantes do setor discutirão os efeitos das mudanças climáticas sobre o sistema elétrico, os desafios para a integração das renováveis e as soluções necessárias para garantir flexibilidade, confiabilidade e segurança no fornecimento.

O debate ganha ainda mais relevância diante de um cenário em que o Brasil precisa, simultaneamente, ampliar a participação de fontes renováveis, lidar com a variabilidade climática e preparar sua infraestrutura para uma demanda crescente. Para o setor, isso significa olhar não apenas para a expansão da capacidade instalada, mas também para transmissão, armazenamento, flexibilidade operacional e novas formas de gestão da oferta e da demanda.

A pauta pode abordar:

· Como o El Niño pode afetar diferentes fontes de geração e a operação do sistema;

· O que eventos climáticos extremos significam para a segurança energética;

· Como aumentar a flexibilidade de um sistema com maior participação de eólica e solar;

· O papel de armazenamento, transmissão e novas tecnologias na adaptação do setor;

· O que precisa mudar no planejamento energético diante de cenários climáticos mais extremos.

Serviço

Brazil Windpower 2026

Data: 27 a 29 de outubro de 2026, das 10h às 20h
Local: São Paulo Expo – São Paulo (SP)
Endereço: São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Vila Água Funda, São Paulo (SP)

Link para credenciamento: https://www.brazilwindpower.com.br/

Realização: Informa Markets (promotora e organizadora), com coorganização da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) e do Global Wind Energy Council (GWEC)

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