Distrações durante a relação sexual podem dificultar a manutenção da ereção; especialista explica por que ambiente e foco fazem diferença para homens com TDAH

Para alguns homens, perder a ereção durante o sexo pode ter menos relação com falta de desejo e mais com a dificuldade de manter o foco. No caso de quem tem TDAH, o excesso de estímulos, do barulho ou dos próprios pensamentos, pode competir com a atenção necessária para a experiência sexual e interferir na excitação.
“Um homem pode estar com desejo, atraído pela parceira e ainda assim ter a atenção desviada por uma série de estímulos. Ele começa a pensar no trabalho, percebe um barulho, sente calor ou frio, lembra de alguma situação e, quando olha, já saiu daquele momento”, explica Lucimar Ghelfi, psicóloga, psicoterapeuta sexual e cofundadora da Lucy, empresa especializada em terapia cognitivo-comportamental para saúde sexual masculina.
Segundo a especialista, o TDAH não significa simplesmente “falta de atenção”. A dificuldade está também na regulação e no direcionamento da atenção. Durante o sexo, isso pode fazer com que estímulos externos e pensamentos aleatórios disputem espaço com os estímulos eróticos.
Além disso, a preocupação com o próprio desempenho pode intensificar o problema. Pensamentos como “será que vou conseguir manter a ereção?” ou “vou broxar?” deslocam a atenção para o próprio desempenho e podem aumentar a ansiedade.
Ambiente pode fazer diferença
Uma das estratégias é reduzir estímulos desnecessários antes e durante a relação. A ideia não é criar um ambiente “perfeito”, mas diminuir distrações que podem tirar o homem do momento. Entre os ajustes recomendados estão:
Temperatura: manter o quarto confortável, evitando frio ou calor excessivos, que podem se tornar fontes de distração.
Iluminação: optar por uma luz indireta e mais quente, em vez de uma iluminação muito forte ou desconfortável.
Som: utilizar uma música ambiente que não provoque associações ou distrações e que também ajude a abafar ruídos externos.
Cheiros: evitar aromas muito fortes, como incensos, velas aromáticas e perfumes de ambiente, que podem competir com outros estímulos.
Celular: deixar o aparelho fora do quarto ou, pelo menos, desativar notificações e evitar a rolagem de conteúdos antes da relação.
Um dos momentos mais importantes, porém, acontece antes mesmo do sexo. “O cérebro precisa de um período de transição. Se o homem sai de uma reunião, responde mensagens, resolve problemas e imediatamente vai para a relação sexual, é mais difícil desligar essa sequência de pensamentos”, explica Lucimar.
Por isso, reservar de 20 a 30 minutos para desacelerar pode ajudar nesse processo. Um banho morno, respiração consciente, uma conversa tranquila ou simplesmente alguns minutos longe do celular são estratégias que podem reduzir a sobrecarga de estímulos e facilitar a concentração no momento.
“Vale lembrar que episódios de dificuldade de ereção podem ter diferentes causas e não devem ser automaticamente relacionados ao TDAH. Quando o problema é frequente ou causa sofrimento, a avaliação de um profissional de saúde é importante para identificar os fatores envolvidos”, conclui Lucimar.
Sobre a Lucy
A Lucy é uma empresa de saúde sexual masculina fundada por Lucimar Ghelfi, Bernardo Saleme, Waldemar Krueger e Thiago Pereira, com o propósito de melhorar a qualidade de vida sexual dos homens por meio de protocolos terapêuticos baseados em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A empresa aplica o método Ghelfi, desenvolvido ao longo de 40 anos pela psicóloga e psicoterapeuta sexual masculina Lucimar Ghelfi. Um método científico voltado ao tratamento de disfunções e inadequações sexuais de causa psicogênica e oferece, por meio de aplicativo próprio, um acompanhamento estruturado, com anamnese digital baseada em critérios clínicos reconhecidos internacionalmente e orientações para que os usuários conheçam melhor o próprio corpo, identifiquem os mecanismos envolvidos na ejaculação, reduzam a ansiedade sexual, aumentem a autoconfiança e melhorem a qualidade da ereção. Desde sua fundação, a Lucy já atendeu mais de 34 mil usuários. Seu método é validado pela Sociedade Brasileira de Urologia e já foi apresentado no Congresso Brasileiro de Urologia e no Congresso Americano de Urologia em Washington.
