Especialista explica como reputação, conteúdo e presença em fontes externas podem aumentar a relevância das marcas nas buscas por IA

A forma como consumidores e empresas buscam informações está mudando. Além do Google, ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude passaram a ser utilizadas para pesquisar produtos, comparar empresas, entender mercados e descobrir quem são as referências em determinado assunto. Com isso, uma nova pergunta começa a entrar no planejamento de comunicação das organizações: o que é preciso fazer para que uma empresa seja encontrada e reconhecida nas respostas geradas por Inteligência Artificial?
Não existe uma fórmula capaz de garantir que uma marca será mencionada. As plataformas utilizam modelos e mecanismos diferentes, as respostas podem variar e os critérios mudam rapidamente. Mas pesquisas recentes começam a dar pistas sobre quais fontes aparecem nesse novo ecossistema de informação.
Com base em pesquisa recente da Muck Rack, que analisou mais de 25 milhões de links citados por sistemas generativos, Fernando Oller, especialista em Comunicação Empresarial e COO da Trópico Comunicação, reúne oito frentes que empresas podem trabalhar para fortalecer sua autoridade nesse novo ambiente, da imprensa e veículos especializados a pesquisas próprias, especialistas, comunidades e conteúdo corporativo.
Os resultados da pequisa mostram que cada plataforma se comporta de maneira diferente e que o tipo de pergunta interfere diretamente nas fontes utilizadas. Por isso, mais do que tentar encontrar um “truque” para aparecer na IA, as empresas precisam pensar em como construir um ecossistema consistente de autoridade digital.
A seguir, veja oito fontes e frentes que merecem atenção nessa estratégia.
1. Imprensa e veículos jornalísticos
Reportagens, entrevistas e matérias continuam sendo fontes relevantes para sistemas generativos. O levantamento da Muck Rack encontrou citações jornalísticas provenientes de mais de 20 mil veículos, mostrando que não são apenas as grandes publicações nacionais que importam. Veículos regionais, especializados e de nicho também fazem parte desse universo.
Para as empresas, isso reforça a importância de construir relacionamento com a imprensa e posicionar executivos e especialistas como fontes qualificadas nos assuntos relacionados ao negócio.
2. Veículos especializados no setor da empresa
Uma publicação não precisa ter milhões de leitores para ser relevante nesse novo ambiente. Dependendo do assunto pesquisado, fontes especializadas podem ganhar destaque. A pesquisa identificou, por exemplo, mídias especializadas em saúde, tecnologia, finanças, entre outras.
A dica é simples: não pense apenas nos veículos de maior audiência. Identifique quais fontes possuem autoridade especificamente no mercado em que sua empresa atua.
3. Site e conteúdo próprio
O site corporativo continua sendo uma peça importante. Páginas de produtos e serviços, conteúdos educativos, FAQs, estudos, artigos e informações institucionais ajudam a explicar claramente quem é a empresa, o que ela faz e quais assuntos domina.
Segundo a Muck Rack, o peso do conteúdo próprio varia entre as plataformas, e o Gemini demonstrou maior propensão a citar sites das próprias marcas do que ChatGPT e Claude. Conteúdos próprios também aparecem com relevância em perguntas educacionais, comparações e FAQs. Portanto, manter informações claras, atualizadas e realmente úteis no site é parte da construção de presença em IA.
4. Pesquisas, estudos e dados próprios
Empresas acumulam informações que muitas vezes nunca chegam ao público: pesquisas com consumidores, tendências de compra, comportamento de usuários, levantamentos internos e análises de mercado.
Transformar esse conhecimento em dados públicos pode ajudar a empresa a deixar de ser apenas participante de uma discussão para se tornar fonte de informação sobre ela.
Além disso, algumas plataformas apresentam maior presença de fontes acadêmicas e de pesquisa. A Muck Rack observou, por exemplo, uma inclinação maior do Claude para esse tipo de referência.
5. Especialistas e executivos
Toda empresa possui conhecimento acumulado em seus profissionais. O problema é que boa parte dele permanece restrita a reuniões, apresentações e conversas internas. Transformar executivos e especialistas em fontes públicas de conhecimento, por meio de entrevistas, artigos, análises, palestras, pesquisas e conteúdos, ajuda a construir uma associação entre pessoa, empresa e tema de autoridade.
Mais do que publicar em grande volume, o objetivo deve ser criar consistência. Se a empresa deseja ser reconhecida por Inteligência Artificial, sustentabilidade ou cibersegurança, por exemplo, precisa existir um histórico público que sustente essa associação.
6. Redes sociais, comunidades e conteúdo gerado por usuários
LinkedIn, Reddit, YouTube e outros ambientes sociais também aparecem entre as fontes utilizadas em respostas generativas, mas seu peso varia significativamente de acordo com a plataforma.
A pesquisa da Muck Rack mostra que o Gemini tem forte presença de fontes como Reddit e YouTube, enquanto ChatGPT, Claude e Gemini apresentam padrões distintos de citação.
Isso reforça uma mudança importante: a reputação de uma empresa não é formada apenas pelo que ela publica, mas também pelo que outras pessoas dizem sobre ela.
7. Fontes enciclopédicas e bases de referência
Wikipedia e outras fontes que organizam conhecimento também fazem parte desse ecossistema. Na análise da Muck Rack, a Wikipedia aparece com destaque especialmente entre fontes citadas por ChatGPT e Claude.
Aqui, porém, é preciso cuidado. Wikipedia não deve ser tratada como espaço publicitário nem manipulada como ferramenta de marketing. A própria dinâmica editorial da plataforma depende de verificabilidade e fontes independentes.
Para as empresas, a lição é outra: construir um histórico público suficientemente consistente para que informações sobre a organização possam ser verificadas externamente.
8. Press releases e informações atualizadas
A Muck Rack identificou maior presença de releases em respostas relacionadas a tendências de mercado, enquanto eles aparecem menos em comparações, recomendações e perguntas do tipo “como fazer”. A pesquisa também encontrou uma preferência relevante por informações recentes: mais da metade das citações jornalísticas analisadas veio de conteúdos publicados nos 12 meses anteriores.
Isso reforça a importância de manter uma presença pública contínua. Uma empresa que comunicou muito há três anos, mas deixou de produzir notícias, dados e análises relevantes, pode ter um patrimônio digital importante, porém pouco conectado às discussões atuais.
Autoridade não se constrói em um único canal
O principal aprendizado é que não existe uma fonte isolada capaz de garantir presença nas respostas de Inteligência Artificial. Cada plataforma consulta e cita fontes de maneiras diferentes. O ChatGPT, por exemplo, apresentou a Wikipedia como domínio mais citado na análise da Muck Rack; no Gemini, o destaque foi Reddit; e, no Claude, PubMed Central. Além disso, o tipo de pergunta feita altera significativamente as fontes apresentadas.
Por isso, uma estratégia de GEO — Generative Engine Optimization, precisa ir além da produção de conteúdos pensados especificamente para mecanismos generativos. É necessário construir uma presença coerente entre site, imprensa, veículos especializados, especialistas, pesquisas, redes, comunidades e fontes independentes.
Antes de perguntar “como fazer minha empresa aparecer no ChatGPT?”, portanto, vale fazer um exercício mais estratégico: se uma Inteligência Artificial procurar hoje evidências de que sua empresa é referência no assunto que pretende liderar, o que ela encontrará? A resposta pode ser um excelente ponto de partida para entender como está a autoridade digital da marca.
