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Cremesp restringe cirurgias plásticas planejadas para durar seis horas ou mais

Mulher com touca cirúrgica tendo marcações pontilhadas no rosto enquanto mãos com luvas azuis seguram seu queixo e caneta

Cirurgias plásticas estéticas com previsão inicial de seis horas ou mais não podem ser agendadas em um único ato operatório no estado de São Paulo, salvo apenas em situações de extrema necessidade, com justificativa técnica detalhada no prontuário. A regra consta da Resolução nº 400/2026 do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), publicada em junho, e estabelece critérios de segurança para procedimentos extensos, múltiplos ou combinados. Entre eles está o Mommy Makeover, nome dado à associação de cirurgias como abdominoplastia, lipoaspiração e intervenções nas mamas, geralmente procurada por pacientes após a gestação. A norma não proíbe essa combinação, mas exige atenção ao tempo previsto e aos riscos individuais.

Para Daniel Rodrigues, cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em Mommy Makeover, concentrar diferentes intervenções em uma única operação exige avaliar mais do que a conveniência de passar por apenas uma recuperação. “É compreensível que o paciente queira resolver diferentes questões em uma única cirurgia, mas essa decisão não pode ser tomada apenas pela praticidade. Precisamos avaliar o porte dos procedimentos, o tempo estimado, as condições clínicas e a capacidade de recuperação de cada pessoa”, afirma.

O tema ganha dimensão em um país que realizou cerca de 2,35 milhões de cirurgias plásticas estéticas em 2024, segundo levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). A pesquisa coloca o Brasil à frente dos demais países em número estimado de procedimentos cirúrgicos realizados por cirurgiões plásticos. Em operações combinadas, a análise precisa considerar o efeito acumulado das intervenções, e não apenas o risco de cada técnica isoladamente.

Pela resolução, procedimentos extensos ou associados devem ser planejados em etapas distintas sempre que isso for possível e tecnicamente viável. A avaliação pré-operatória deve levar em conta fatores como idade, índice de massa corporal, doenças preexistentes, risco de trombose, volume previsto de lipoaspiração e tempo anestésico estimado. O limite de seis horas se refere ao planejamento, de modo que uma cirurgia inicialmente prevista para durar menos pode ultrapassar esse período diante de uma complicação ou necessidade técnica, desde que a situação e as medidas adotadas sejam registradas no prontuário.

A estrutura hospitalar também faz parte das exigências. A norma prevê equipe multiprofissional habilitada, suporte anestésico adequado, monitoramento durante o procedimento, protocolos de prevenção de trombose e retaguarda laboratorial e de terapia intensiva. Para quem considera combinar cirurgias, isso significa discutir antecipadamente com o médico quais procedimentos serão realizados, por que podem ser associados e em quais circunstâncias seria mais seguro separá-los.

Ao comentar as novas exigências, Rodrigues destaca que o planejamento deve incluir o pós-operatório e a possibilidade de rever a proposta inicial após a avaliação clínica. “O objetivo não é fazer o maior número de procedimentos de uma vez, mas definir o que pode ser realizado com segurança para aquele paciente. Às vezes, dividir a cirurgia em etapas é a decisão mais adequada, mesmo que isso signifique mais de um período de recuperação”, conclui.

Sobre a Pezzi Rodrigues

Localizada em Americana (SP), a Pezzi Rodrigues é uma clínica especializada em cirurgia plástica, conduzida pelos cirurgiões Daniel Rodrigues e Flávia Pezzi Rodrigues. A clínica atua em procedimentos corporais, mamários e faciais, com atendimento individualizado e acompanhamento pré e pós-operatório por equipe multidisciplinar. Mais informações em www.pezzirodrigues.com.br

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