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Reforma Tributária: seu escritório pode parar em janeiro se esquecer as mudanças práticas

Por Heverton Gentilim, CEO da OneFlow

homem calvo sorrindo com camisa polo preta com logotipo 'oneflow', em escritório com divisórias de vidro e plantas ao fundo

Faltam pouco mais de 40 dias úteis para a transição da reforma tributária. Nesse intervalo, boa parte dos escritórios de contabilidade se dedica a estudar os novos impostos, as mudanças previstas e o processo de digitalização. Não estou dizendo que saber o que é CBS, IBS e IS não seja importante. Nem que saber as melhores estratégias para cada tipo de negócio seja inútil. O estudo é necessário, mas já não basta. Falta, em muitos casos, o preparo prático.

Uma coisa que percebi recentemente é que algumas questões técnicas de sistema vão atrapalhar muitos escritórios apenas durante a implementação. São questões que vão levar não horas, nem dias, mas meses para resolver. Enquanto isso, a discussão no empresariado ainda é, em grande parte, genérica, e é nesse ponto que os contadores correm risco e, com isso, as empresas vão se prejudicar junto.

Um exemplo mostra a dimensão do problema. Para acessar os dados da apuração assistida da Receita Federal, será preciso cadastrar as chaves de acesso de cada empresa. A exigência vem da própria Receita e vale para todos os escritórios, qualquer que seja o sistema utilizado. Com 500 clientes, são mais de 12 cadastros por dia útil até o fim do prazo. Quem não começar agora chegará a janeiro sem conseguir trabalhar, e o escritório para. Essa informação não consta de nenhum discurso oficial. Nós a encontramos na OneFlow ao codificar o sistema, e a conversa com contadores sobre o tema costuma causar surpresa.

A primeira solução é iniciar o cadastro imediatamente. Ele já pode ser feito, e cada dia de espera aumenta o volume diário necessário. Existe o risco de as regras mudarem no meio do caminho e exigirem retrabalho, mas esse custo é menor que o de chegar a janeiro sem as chaves. A segunda é transformar a tarefa em rotina, com meta diária, responsável definido e controle por cliente. Nesse ponto, a tecnologia ajuda: o OneFlow trabalha para facilitar o cadastramento dentro do sistema. A obrigação, porém, continua sendo do escritório.

A terceira é buscar o que mais falta. A chave de acesso é apenas uma das pegadinhas que ninguém está vendo, e há outras. Cada escritório deve perguntar ao fornecedor do sistema que exigências técnicas a implementação traz e testar o que puder antes de janeiro. Quanto mais cedo o levantamento for feito, maior a margem para corrigir o rumo.

Estar preparado precisa deixar de ser uma frase genérica e virar uma lista de tarefas. O mercado repete as mesmas frases, mas, quando se senta para trabalhar, percebe-se que falta muita coisa. Estudar a reforma continua importante. Com pouco mais de 40 dias úteis, porém, o que define quem trabalhará normalmente em janeiro é o que se faz agora. Então comece a cadastrar, conferir e testar, de preferência, imediatamente. A reforma não espera o discurso ficar pronto.

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