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Atenção às complicações oculares da Artrite Reumatoide

Caracterizada por rigidez e dor nas articulações, doença autoimune afeta cerca de 2 milhões de brasileiros e pode desencadear processos inflamatórios nos olhos

Profissional de saúde com uniforme azul segurando e examinando o cotovelo de uma pessoa

Quando ouvimos falar em artrite reumatoide, a primeira imagem que costuma vir à mente é a de dores nas articulações, rigidez matinal e dificuldades nos movimentos das mãos ou dos pés. No entanto, por ser uma doença autoimune sistêmica, ou seja, em que o sistema imunológico ataca por engano os tecidos saudáveis do próprio corpo, os impactos podem ir muito além do aparelho locomotor.

Entre os órgãos mais vulneráveis fora das articulações estão os olhos.

Quem faz o alerta é a Dra. Myrna Serapião, especialista em doenças da superfície ocular e diretora médica da Rede Vision One. De acordo com a médica, “o tecido conjuntivo está presente tanto nas articulações quanto em várias estruturas oculares, como a esclera (a parte branca dos olhos) e a úvea”.

“Quando o processo inflamatório crônico da artrite reumatoide é ativado, anticorpos e células de defesa acabam circulando pela corrente sanguínea e atingindo esses tecidos oculares, desencadeando quadros inflamatórios que exigem atenção médica imediata. As principais complicações associadas são: Esclerite, Uveíte, e Síndrome do Olho Seco”, completa a médica.

Dra. Myrna Serapião dá mais detalhes sobre as complicações oculares:

Esclerite

É uma das manifestações mais sérias e dolorosas relacionadas à artrite reumatoide. Trata-se de uma inflamação grave da esclera (a camada branca e resistente que dá forma ao globo ocular).

Como se desenvolve: Ocorre devido a uma reação imunológica que compromete os vasos sanguíneos da esclera, provocando inflamação profunda e destruição tecidual nos casos mais graves.

Sintomas: Dor ocular profunda e latejante , vermelhidão intensa em um ou ambos os olhos, sensibilidade à luz (fotofobia), lacrimejamento e, em situações graves, visão embaçada.

Uveíte

É a inflamação da úvea, a camada média do olho que inclui a íris, o corpo ciliar e a coroide.

Como se desenvolve: A inflamação sistêmica atinge essa região rica em vasos sanguíneos, muitas vezes associada a fatores genéticos e marcadores imunológicos presentes em doenças reumáticas.

Sintomas: Olhos vermelhos, dor ocular, visão turva ou borrada, moscas volantes (pequenas manchas que parecem flutuar no campo visual) e forte sensibilidade à luz. Se não tratada corretamente, pode levar a complicações como glaucoma ou catarata secundária.

Síndrome do Olho Seco

Além das inflamações estruturais, pacientes com artrite reumatoide frequentemente apresentam quadros severos de olho seco (muitas vezes associados à Síndrome de Sjögren secundária).

Como se desenvolve: O sistema imune danifica as glândulas lacrimais, reduzindo drasticamente a produção de lágrimas ou alterando a qualidade da película lacrimal que protege a superfície do olho.

Sintomas: Sensação de areia ou corpo estranho nos olhos, ardência, coceira, vermelhidão e visão oscilante. Em casos extremos, a falta de lubrificação pode causar pequenas lesões na córnea (ceratite).

Quando deixam de ser acompanhadas, as complicações oculares podem evoluir de forma silenciosa e avançar para quadros mais sérios. Para quem convive com a artrite reumatoide, Dra. Myrna Serapião recomenda consultar regularmente o oftalmologista, mesmo na ausência de sintomas aparentes. Porém, alguns sinais exigem avaliação médica urgente:

  • Vermelhidão persistente que não melhora com colírios lubrificantes comuns.
  • Dor ocular constante ou latejante.
  • Queda repentina na nitidez ou visão embaçada.
  • Dor de cabeça associada à sensibilidade extrema à luz.

A Sociedade Brasileira de Reumatologia estima que 2 milhões de brasileiros sofram de artrite reumatoide. A doença tem sua conscientização reforçada em 30/10, Dia da Luta contra o Reumatismo, e é mais comum na faixa dos 35 aos 60 anos, embora possa surgir em qualquer idade. O diagnóstico precoce e o alinhamento estreito entre reumatologista e oftalmologista são essenciais para controlar a inflamação sistêmica, preservar a saúde ocular e garantir a qualidade de vida do paciente.

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