São Paulo, setembro de 2019 – A cânfora é uma molécula normalmente extraída da árvore Cinnamomum camphora, conhecida como canforeiro, e é largamente utilizada na medicina tradicional.

Essa substância apresenta uma série de propriedades que podem ser benéficas, desde que o produto que a contenha tenha sido desenvolvido para determinados fins, sob os devidos processos de avaliação de segurança e usado da forma correta, com acompanhamento médico.

“Esse ingrediente já foi amplamente utilizado em crianças para tratar sintomas de resfriado, como descongestionamento nasal, apesar de ter tal eficácia colocada em dúvida pela comunidade científica. Hoje, a substância é proibida em produtos cosméticos para crianças abaixo de 3 anos e só é permitida em cosméticos para crianças entre 3 e 7 anos se usada em concentrações bem baixas. Essas restrições, juntamente com diversas outras aplicadas por Parecer Técnico da ANVISA, são necessárias para proteger o consumidor dos efeitos adversos causados pela cânfora”, explica a Dra. Maria Inês Harris, Diretora Executiva do Instituto Harris.

A cânfora é um ingrediente rubefaciente, ou seja, que produz uma vasodilatação local nos tecidos, que pode ser visível com a vermelhidão da pele. Ela é rapidamente absorvida através da pele, e pode ser extremamente tóxica se ingerida. Ao ser usada diretamente no peito para tratar sintomas de um resfriado, por exemplo, traz um falso alívio na respiração.

O uso tópico da cânfora pode ocasionar desde náuseas e vômitos até convulsões, intoxicação de rins e falência respiratória após a exposição a quantidades elevadas.

“Quando pensamos no longo prazo, os efeitos podem ser ainda mais drásticos para o público infantil. Principalmente em crianças, a intoxicação por cânfora pode impulsionar quadros de febre, taquicardia, alterações respiratórias, vômitos e náuseas, hepatite tóxica e inflamação nos músculos, podendo inclusive levar o paciente a óbito.

Portanto, desaconselha-se manipular cânfora para uso direto na pele, especialmente em crianças, gestantes e lactantes”, alerta a especialista.

Capaz de atravessar a barreira placentária, a cânfora pode gerar riscos ao feto. Já nas lactantes, ela pode afetar a saúde do bebê e gerar danos nas estruturas do Sistema Nervoso Central, uma vez que a substância pode ser passada pelo leite materno.

Óleo essencial – O óleo essencial da cânfora é amplamente utilizado em receitas caseiras para a produção de repelentes, inseticidas e até para tratar problemas de pele como lesões, eczemas e acne. No entanto, vale lembrar que o óleo essencial apresenta concentrações elevadas da molécula e pode acabar trazendo mais complicações do que benefícios.

“O uso de receitas caseiras contendo óleo essencial de cânfora não deve ser estimulado, pois as dosagens não são tão exatas e seguras quando comparadas com as dosagens presentes em produtos farmacêuticos, que seguem as restrições da ANVISA à risca”, avalia a Dra. Harris.

Sobre a Dra. Maria Inês Harris – Diretora Executiva do Instituto Harris, a Dra. Maria Inês Harris é Química, com Ph.D. em Química (UNICAMP) e Pós-Doutorado em Toxicologia Celular e Molecular de Radicais Livres (UNICAMP) e em Lesões de Ácidos Nucleicos (CNRS, França) e é certificada no curso “Avaliação da Segurança dos Cosméticos na UE” (Universidade de Bruxelas, Bélgica). Atuou como gerente técnica de Pesquisa Clínica na Alergia Pesquisa Dermatocosmética, gerente de segurança de produtos da Natura e especialista em métodos HPLC (High Performance Liquid Chromatography) na Alcon Laboratórios. Também foi professora do Curso de Especialização em Cosmetologia das Faculdades Oswaldo Cruz (São Paulo) por 19 anos e coordenadora de Pesquisa Institucional da Universidade Bandeirantes (atual Anhanguera) no Brasil. É autora dos livros “Pele – Estrutura, Propriedades e Envelhecimento” e “Pele – do Nascimento à Maturidade”.

Sobre o Instituto Harris – Exclusivamente voltado à avaliação de segurança dos ingredientes e produtos cosméticos – desde seu desenvolvimento até a produção –, assim como à consultoria científica e aos programas de treinamento e capacitação profissional relacionados às Boas Práticas da Fabricação (BPF), o Instituto Harris é referência em serviços de avaliação de riscos. Sua equipe experiente oferece suporte às atividades de criação de ativos e de produtos cosméticos desenvolvidos sob os mais altos critérios de segurança, sem o uso de testes em animais, para empresas nacionais e internacionais. Para mais informações, acesse o site, FB, Instagram e Youtube, ou entre em contato pelo tel. (11) 3129-5398 ou e-mail contato@harris.com.br .