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NR-01: Nova regra de saúde mental pede alterações nas empresas

O trabalho ocupa uma parte importante das nossas vidas, por isso, é importante termos uma atenção à saúde mental também neste ambiente, destaca o psicanalista, mestre em neurociências e Gestor de Projetos Científicos do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, Adriel Silva Weber

Créditos: Divulgação


A saúde mental passou a ocupar oficialmente um espaço ainda mais central nas relações de trabalho brasileiras. A partir de 26 de maio, as empresas terão de se adequar às novas exigências da Portaria MTE nº 1.419, que atualizou a Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01), responsável pelas diretrizes de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. A mudança amplia o olhar sobre os riscos presentes no ambiente corporativo ao incluir fatores psicossociais, como pressão excessiva, metas abusivas, jornadas estressantes e sobrecarga emocional, além disso, aspectos ergonômicos também passam a receber maior atenção dentro das avaliações obrigatórias.

Segundo dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, cerca de 30% das pessoas ocupadas no Brasil sofrem com síndrome de burnout, quadro relacionado ao esgotamento físico e emocional provocado pelo trabalho.

Para o psicanalista, mestre em neurociências e Gestor de Projetos Científicos do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, Adriel Silva Weber, a atualização reflete uma mudança importante na forma como o ambiente profissional é compreendido.

“Durante muito tempo, a saúde ocupacional ficou centrada quase exclusivamente nos riscos físicos. Hoje existe uma compreensão maior de que fatores emocionais e psicológicos também impactam diretamente a saúde, a produtividade e a qualidade de vida dos trabalhadores”, afirma.

Pressão constante e excesso de estímulos

A nova norma estabelece que empresas passem a considerar oficialmente elementos ligados ao sofrimento emocional dentro da rotina profissional. Isso inclui pressão psicológica excessiva, ambientes hostis, jornadas desgastantes e situações de sobrecarga contínua. De acordo com Adriel Silva Weber, esses fatores podem gerar impactos profundos no funcionamento mental e cognitivo.

“O cérebro humano não foi projetado para permanecer em estado constante de alerta e pressão. Quando isso se torna permanente, há aumento do cortisol, desgaste emocional, piora da atenção, da memória e maior risco de ansiedade, burnout e depressão”, explica.

“Muitas vezes o problema não reside apenas em desenvolver a capacidade de adaptação da pessoa, mas também na própria estrutura organizacional e nos padrões de funcionamento do ambiente corporativo”, comenta.

Pequenas empresas também serão afetadas

As novas regras atingem empresas de diferentes portes, embora as obrigações variem conforme o perfil das atividades exercidas.

De acordo com informações divulgadas pela Agência Sebrae de Notícias, microempreendedores individuais (MEIs) continuam dispensados da elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Já microempresas e empresas de pequeno porte poderão ser dispensadas do documento formal caso não atuem em atividades classificadas como de alto risco pela NR-04. Mesmo assim, os pequenos negócios também precisarão avaliar e registrar fatores psicossociais e ergonômicos em uma nova declaração digital.

Saúde mental deixa de ser secundária

A atualização da NR-01 acompanha uma transformação global na percepção sobre trabalho e saúde mental, especialmente após o aumento dos índices de ansiedade, esgotamento e adoecimento emocional nos últimos anos.

Para Adriel Silva Weber, o passo mais importante representado pela mudança é o fato de que a saúde mental relacionada a o trabalho passa a ser vista com mais seriedade, e não como uma sensibilidade particular.

“Existe uma tendência de enxergar sofrimento emocional como fraqueza individual, quando, na verdade, ele frequentemente está relacionado a contextos de pressão contínua e ausência de equilíbrio. A saúde mental precisa ser compreendida como parte da saúde integral do trabalhador”, afirma.

“Quando o ambiente reduz o desgaste constante e favorece a segurança emocional, o cérebro consegue funcionar de forma mais equilibrada, com maior capacidade de concentração, adaptação e tomada de decisão”, conclui.

 

Sobre Adriel Silva Weber

Adriel Silva Weber é psicanalista, escritor, pesquisador e palestrante, com formação em Física pela Unisinos e MBAs em Gestão de Projetos e Pessoas. Atualmente, cursa Psicologia na Uniftec e um mestrado em Neuropsicologia pela Universidad Europea del Atlántico. É Gestor de Projetos Científicos do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, atuando em projetos como Gifted Debate, Neurogenomic, RG-TEA, entre outros. Trabalha como Senior Technical Support na SAP Labs Latin America e foi líder de CSR por cinco anos. Membro da Mensa Brasil e do CPAH, apresenta seminários e participa de grupos de pesquisa. Possui dupla excepcionalidade, sendo superdotado e autista, e é autor de livros que exploram neurodiversidade e desenvolvimento infantil.