Pular para o conteúdo

IA ajuda a identificar alterações no cérebro antes dos primeiros sinais de Alzheimer

Aplicada à ressonância magnética, tecnologia mede estruturas ligadas à memória e acrescenta dados objetivos à avaliação médica de doenças neurodegenerativas

Esquecimentos frequentes, dificuldade para encontrar palavras, repetição de perguntas e desorientação estão entre os sinais mais conhecidos do Alzheimer. Mas as alterações provocadas pela doença podem começar no cérebro antes de esses sintomas se tornarem evidentes.

É justamente nesse intervalo que novas tecnologias vêm ampliando a capacidade de investigação médica. Sistemas de Inteligência Artificial aplicados à ressonância magnética conseguem analisar diferentes estruturas cerebrais, calcular seus volumes e comparar os resultados com padrões esperados para pessoas da mesma idade e sexo.

Análise cerebral com Inteligência Artificial aplicada a exames de ressonância magnética
Análise cerebral: sistemas de Inteligência Artificial conseguem medir estruturas como o hipocampo e comparar os resultados com parâmetros de referência.

No Brasil, essa tecnologia já faz parte da rotina de hospitais e clínicas por meio de plataformas como o Agent Neuro, desenvolvido pela Entelai, healthtech especializada em Inteligência Artificial aplicada ao diagnóstico por imagem. A solução utiliza IA para apoiar radiologistas e neurologistas na análise quantitativa de ressonâncias magnéticas cerebrais e transformar imagens em dados que complementam a avaliação médica.

“Na análise convencional, o radiologista avalia as características anatômicas do cérebro. Com a Inteligência Artificial, conseguimos acrescentar medidas objetivas a essa interpretação. Em vez de apenas observar uma possível alteração, podemos quantificá-la e acompanhar sua evolução”, explica Mauricio Farez, neurologista, CEO e cofundador da Entelai.

O avanço ganha relevância diante do crescimento das demências em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 57 milhões de pessoas viviam com demência em 2021 e quase 10 milhões de novos casos surgem a cada ano. O Alzheimer é a forma mais comum e responde por aproximadamente 60% a 70% dos casos.

O cérebro transformado em dados

Uma das aplicações da Inteligência Artificial nesse campo está na volumetria cerebral automatizada. A partir da ressonância magnética, algoritmos conseguem segmentar estruturas do cérebro e calcular seus volumes.

Entre elas está o hipocampo, região diretamente relacionada à memória e particularmente relevante na investigação de doenças neurodegenerativas. Os resultados podem ser comparados com bases normativas de indivíduos da mesma faixa etária e sexo, ajudando o especialista a avaliar se determinadas medidas estão dentro ou fora dos padrões esperados.

Imagens de ressonância magnética do cérebro analisadas com auxílio de Inteligência Artificial
Ferramentas desenvolvidas pela Entelai já participam da análise de mais de 150 mil pacientes por mês na América Latina.

Quando existem exames anteriores, a tecnologia também permite comparar essas informações ao longo do tempo e acompanhar mudanças nas estruturas cerebrais.

É justamente essa análise realizada pelo Agent Neuro. A plataforma da Entelai segmenta automaticamente diferentes regiões do cérebro, calcula seus volumes e apresenta informações quantitativas que podem ser incorporadas à interpretação do especialista.

Fundada na Argentina em 2017 e presente no Brasil desde 2020, a Entelai desenvolve soluções de Inteligência Artificial para diagnóstico por imagem, possui tecnologias certificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e participa atualmente da análise de mais de 150 mil pacientes por mês na América Latina.

O que mostram os estudos

O potencial da combinação entre Inteligência Artificial e exames de imagem também vem sendo investigado pela ciência.

Estudos com ressonância magnética e modelos de aprendizado de máquina têm demonstrado capacidade de reconhecer padrões cerebrais associados à progressão de comprometimento cognitivo leve para demência por Alzheimer.

Uma pesquisa publicada na revista Alzheimer’s & Dementia, da Alzheimer’s Association, utilizou ressonâncias magnéticas de mais de 2 mil indivíduos para desenvolver e validar um modelo de deep learning voltado à estimativa do risco de progressão para demência por Alzheimer.

Outros trabalhos científicos também vêm investigando a volumetria do hipocampo associada à Inteligência Artificial como ferramenta complementar na avaliação de pacientes com Alzheimer e comprometimento cognitivo leve.

Para Farez, o avanço está justamente na possibilidade de acrescentar uma camada de informação que não depende apenas da percepção visual do exame.

Mauricio Farez neurologista CEO e cofundador da Entelai
Mauricio Farez, neurologista, CEO e cofundador da Entelai, destaca o potencial da Inteligência Artificial para ampliar a análise de exames e apoiar decisões médicas.

“Não estamos falando de um algoritmo dizendo que determinado paciente tem Alzheimer. Estamos falando de oferecer ao especialista mais informações sobre aquele cérebro. É a combinação entre tecnologia, exames e conhecimento médico que torna a avaliação mais completa”, afirma.

Informação complementar ao diagnóstico

Apesar dos avanços, uma alteração identificada pela Inteligência Artificial não significa que o paciente tenha Alzheimer.

O cérebro se modifica naturalmente ao longo da vida, e a avaliação das doenças neurodegenerativas envolve diferentes informações. Histórico clínico, testes cognitivos, exames laboratoriais, métodos de imagem e, quando indicados, outros biomarcadores fazem parte da investigação.

A Inteligência Artificial funciona como ferramenta de apoio ao especialista, oferecendo medidas objetivas que podem ser analisadas em conjunto com esses dados.

A possibilidade de comparar exames realizados em diferentes momentos também pode ser relevante. Em pacientes sob investigação ou acompanhamento, o médico consegue observar se determinadas estruturas permanecem estáveis ou apresentam mudanças que merecem atenção.

Ganhar tempo na investigação

O Alzheimer ainda não tem cura, mas reconhecer alterações em fases iniciais pode ampliar as possibilidades de investigação, acompanhamento e planejamento do cuidado.

Em um cenário de envelhecimento da população e crescimento do número de pessoas vivendo com demência, tecnologias capazes de extrair mais informações dos exames já realizados na rotina médica ganham espaço como ferramentas de apoio à decisão.

“O objetivo não é substituir o especialista nem antecipar um diagnóstico de forma isolada. É permitir que o médico tenha mais informações para avaliar aquele paciente. Quanto mais cedo conseguimos reconhecer mudanças relevantes e compreender sua evolução, maiores são as possibilidades de investigação, acompanhamento e planejamento do cuidado”, conclui Farez.

Saiba mais: conheça o Agent Neuro e outras soluções de Inteligência Artificial desenvolvidas pela Entelai para apoiar o diagnóstico por imagem no @entelaibrasil e em entelai.com.

Entelai
Conteúdo enviado pela assessoria de comunicação.

Feed principal

Últimas notícias

Carregando mais notícias…