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Pausas e ajustes na rotina aliviam estresse no trabalho

Ambiente tóxico saiu caro: nova NR-1 entra em vigor e obriga empresas a mapearem riscos à saúde mental sob pena de autuação  (DKCom)

Cansaço persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações no sono e sensação constante de sobrecarga podem ser sinais de que a rotina profissional começa a afetar a saúde mental. De acordo com a psicóloga da Hapvida, Cristiane Aparecida Viana dos Santos, medidas simples ajudam a aliviar o estresse no trabalho, como fazer pequenas pausas, organizar as tarefas por prioridade e reduzir interrupções.

Sinais de desgaste

Segundo a especialista, os sinais de desgaste podem aparecer no corpo, nas emoções e no comportamento.

“Tensão muscular, dores de cabeça, queda no rendimento e sensação constante de sobrecarga são alguns exemplos. Também pode haver dificuldade de se desligar mentalmente do trabalho fora do expediente ou a percepção de que atividades antes habituais passaram a exigir um esforço muito maior”, detalha.

Momentos que melhoram o bem-estar

Pequenas pausas podem favorecer a recuperação após períodos prolongados de concentração ou tensão e podem reduzir a fadiga ao longo do expediente.

“Não precisam ser pausas longas: levantar-se por alguns minutos, alongar o corpo, beber água, caminhar um pouco ou afastar-se da tela por um breve período já são possibilidades. O importante é que a pausa permita uma interrupção da atividade. Trocar a tela do computador pela do celular e continuar recebendo uma grande quantidade de estímulos pode não proporcionar o mesmo tipo de descanso”, avisa a psicóloga.

Respeitar os horários de alimentação, manter-se hidratado e evitar muitas horas na mesma posição também contribuem para o bem-estar.

“Outra atitude importante é diferenciar aquilo que é urgente daquilo que apenas parece urgente. Quando tudo é tratado como prioridade, a pessoa permanece em estado constante de alerta e tende a experimentar maior sensação de sobrecarga. Também vale observar o nível de exigência consigo mesmo. Fazer um bom trabalho é diferente de estabelecer para si um padrão de desempenho impossível de sustentar”, analisa.

Organização e foco reduzem a sobrecarga

Anotar as atividades, definir prioridades e dividir tarefas maiores em etapas menores pode tornar a rotina mais administrável.

“Organização ajuda a administrar uma carga de trabalho possível, mas não transforma uma quantidade objetivamente excessiva de demandas em uma rotina saudável”, alerta.

Notificações, mensagens e interrupções em excesso também podem elevar o estresse ao dificultar a concentração e criar uma sensação de disponibilidade permanente. Quando a atividade permitir, a orientação é silenciar alertas não essenciais, estabelecer horários para verificar mensagens e preservar períodos com menos interrupções.

Recuperação sustenta a concentração e o rendimento

O descanso é uma das condições para manter a produtividade de maneira sustentável. Sono adequado e períodos de recuperação contribuem para a atenção, a memória, a tomada de decisões e a regulação emocional. Cristiane lembra ainda que o rendimento e a disposição variam ao longo do dia e que reconhecer essas oscilações pode ajudar na organização das demandas.

“Mas é importante ampliar essa discussão. Saúde mental no trabalho não pode ser entendida apenas como responsabilidade do trabalhador. Nos últimos anos, esse tema ganhou maior espaço nas normas de segurança e saúde ocupacional. Desde maio deste ano, a nova redação da NR-1 passou a incluir os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento dos riscos ocupacionais das organizações. As estratégias individuais são importantes e podem contribuir para o bem-estar cotidiano, mas precisam caminhar junto com ambientes e formas de organização do trabalho que favoreçam a saúde”, lembra Cristiane.

“Quando o sofrimento se torna persistente ou começa a comprometer significativamente a vida profissional, pessoal ou social, é importante buscar avaliação e acompanhamento de um profissional de saúde”, finaliza a especialista.

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