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Mitos e verdades sobre cânceres ginecológicos

Mês de conscientização sobre os cânceres ginecológicos chama atenção para sintomas, desafios até o diagnóstico, alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 e possibilidades de tratamento¹’³

Este mês é marcado pelo Setembro em Flor, campanha de conscientização sobre os cânceres ginecológicos que busca ampliar o conhecimento da população sobre tumores que atingem o colo do útero, os ovários, o endométrio, a vagina e a vulva¹. A mobilização chama atenção para a importância de conhecer sinais e sintomas e buscar avaliação médica diante de alterações persistentes ou incomuns, além de ampliar o debate sobre diagnóstico e cuidado dessas doenças.

Entre os cânceres ginecológicos estão os tumores de ovário e de endométrio. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima, para cada ano do triênio 2026–2028, 8.020 novos casos de câncer de ovário e 9.650 casos de câncer do corpo do útero². O câncer de endométrio é a neoplasia maligna mais comum do corpo do útero².

Apesar dos avanços no conhecimento dessas doenças, ainda existem dúvidas sobre seus sinais, fatores de risco, diagnóstico, papel da genética e possibilidades de tratamento. No câncer de ovário, por exemplo, os sinais podem ser pouco específicos, contribuindo para uma jornada diagnóstica complexa³. Já no câncer de endométrio, o sangramento vaginal anormal, especialmente após a menopausa, é um sinal que deve motivar investigação médica⁴.

“A conscientização é uma ferramenta importante para reduzir barreiras na jornada das pacientes. Manter o acompanhamento periódico da saúde, estar atento aos sinais do corpo e investigar sintomas persistentes são atitudes que podem contribuir para identificar alterações mais cedo e favorecer melhores desfechos. Além disso, os avanços no diagnóstico permitem caracterizar com mais precisão alguns tumores, apoiando uma conversa mais informada entre a mulher e sua equipe médica. Cada caso, no entanto, deve ser avaliado individualmente, considerando as características da paciente e da doença”, afirma a mestre em Oncologia e doutora em Ciência Maria Del Pilar Estevez Diz, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

Neste Setembro em Flor, confira seis mitos e verdades que ajudam a esclarecer questões importantes sobre câncer de ovário e endométrio, da jornada até o diagnóstico às novas possibilidades de tratamento.

O câncer de ovário é prevalente em todas as idades

Mito: Embora o câncer de ovário possa ocorrer em diferentes faixas etárias, sua incidência aumenta com o avanço da idade². Dados do programa SEER, do National Cancer Institute (NCI), mostram que a mediana de idade ao diagnóstico é de 63 anos⁵. Independentemente da idade, é importante estar atenta a alterações persistentes e fora do padrão habitual, incluindo sintomas abdominais ou pélvicos, que devem ser discutidos com um profissional de saúde³. Como esses sinais podem ser pouco específicos, a doença pode ser difícil de identificar precocemente³. Atualmente, não há evidências de benefício em mortalidade com o rastreamento populacional por CA-125 e ultrassonografia transvaginal em mulheres assintomáticas de risco habitual³. Por isso, a avaliação médica deve considerar sintomas, idade, histórico pessoal e familiar e, quando indicado, exames complementares³˒⁶.

Sangramento depois da menopausa pode ser apenas uma alteração normal da idade

Mito: Sangramento vaginal anormal é um dos principais sinais associados ao câncer de endométrio e deve ser investigado, especialmente após a menopausa⁴. O câncer de endométrio é o tipo mais comum de câncer do corpo do útero e acomete principalmente mulheres na pós-menopausa, embora possa ocorrer em outras faixas etárias²˒⁴. A presença de sangramento não significa necessariamente câncer, já que existem outras possíveis causas. No entanto, procurar avaliação médica permite investigar sua origem e, quando necessário, realizar exames específicos para estabelecer o diagnóstico⁴.

O uso de anticoncepcional pode influenciar o risco de desenvolver câncer de ovário

Verdade: Estudos observacionais mostram que o uso de contraceptivos orais está associado a um menor risco de câncer de ovário. Segundo o NCI, mulheres que já utilizaram contraceptivos orais apresentam risco de câncer de ovário de 30% a 50% menor em comparação àquelas que nunca os utilizaram, e essa associação tende a ser maior quanto maior o tempo de uso⁷. O efeito foi observado por muitos anos após a interrupção do contraceptivo⁷. Isso não significa, porém, que o anticoncepcional deva ser utilizado com a finalidade de prevenir o câncer de ovário. A escolha do método contraceptivo deve ser individualizada e discutida com um profissional de saúde, considerando potenciais riscos e benefícios para cada mulher⁷.

Ter uma mutação em BRCA1 ou BRCA2 significa que a mulher necessariamente desenvolverá câncer de ovário

Mito: Variantes patogênicas hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2 aumentam significativamente o risco de alguns tipos de câncer, incluindo o câncer de ovário, mas não significam que a doença necessariamente irá se desenvolver⁶. Segundo o National Cancer Institute (NCI), estima-se que aproximadamente 39% a 58% das mulheres com uma variante hereditária prejudicial em BRCA1 e 13% a 29% daquelas com alteração em BRCA2 desenvolvam câncer de ovário ao longo da vida, em comparação com cerca de 1,1% das mulheres na população geral⁶. BRCA1 e BRCA2 são genes que produzem proteínas envolvidas no reparo de danos ao DNA. Determinadas alterações nesses genes podem comprometer esse processo⁶. Por isso, conhecer o status de BRCA pode trazer informações relevantes para a avaliação do risco hereditário e, em pacientes já diagnosticadas, também pode ter implicações para a definição do cuidado em determinados contextos⁶.

O histórico familiar pode influenciar a investigação do câncer de ovário

Verdade: Conhecer o histórico de câncer na família é importante porque alguns casos de câncer de ovário podem estar relacionados a alterações genéticas hereditárias. Essas alterações, também chamadas de mutações ou variantes patogênicas, são mudanças no material genético que podem afetar o funcionamento de determinados genes⁶. Entre os genes associados ao câncer de ovário estão os genes BRCA1 e BRCA2. Alterações nesses genes podem ser herdadas, chamadas de germinativas, ou podem surgir ao longo da vida e ser identificadas no próprio tumor, chamadas de somáticas⁶.

Por isso, informações sobre casos de câncer na família podem ajudar a equipe médica na avaliação do risco e da necessidade de investigação genética. Ao mesmo tempo, a ausência de histórico familiar não exclui a possibilidade de uma alteração em BRCA. Em pacientes com câncer, alterações encontradas no tumor também podem fornecer informações relevantes para determinadas decisões relacionadas ao cuidado⁶. A indicação e a interpretação dos testes devem ser feitas por profissionais capacitados, com aconselhamento genético quando apropriado⁶.

Os tratamentos para câncer de ovário e endométrio continuam basicamente os mesmos de anos atrás

MITO: Cirurgia e quimioterapia continuam tendo papel importante no tratamento dos cânceres ginecológicos, de acordo com o tipo, estágio e características da doença. No entanto, o avanço do conhecimento sobre a biologia dos tumores vem ampliando as possibilidades terapêuticas³˒⁸. No câncer de ovário, terapias-alvo, incluindo os inibidores de PARP, passaram a fazer parte das possibilidades de tratamento em determinados cenários, e características moleculares, como alterações em BRCA, podem ser consideradas na definição de estratégias específicas³˒⁶. No câncer de endométrio, a classificação molecular também vem modificando a compreensão da doença e contribuindo para decisões terapêuticas em determinados contextos⁸. Características moleculares, incluindo alterações relacionadas ao reparo do DNA, podem fornecer informações relevantes sobre o tumor e orientar estratégias de cuidado para algumas pacientes⁸. A imunoterapia, de acordo com as características do tumor e o cenário clínico, também está entre os avanços que ampliaram as possibilidades de tratamento para determinadas pacientes com câncer de endométrio avançado ou recorrente⁸.

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Com sede em Cambridge, Reino Unido, a AstraZeneca opera em mais de 100 países e seus medicamentos inovadores são usados por milhões de pacientes em todo o mundo.

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Referências:

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. Setembro em Flor: FEBRASGO alerta para sintomas do câncer ginecológico. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/campanhas-informativas/setembro-em-flor-2/. Acesso em: 24 ago. 2026.

Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer – INCA. Estimativa 2026. Incidência de Câncer no Brasil. Disponível em: https://ninho.inca.gov.br/jspui/handle/123456789/17914. Acesso em: 24 de ago. de 2026.

NATIONAL CANCER INSTITUTE. Ovarian epithelial, fallopian tube, and primary peritoneal cancer treatment (PDQ®). Disponível em: Ovarian Epithelial, Fallopian Tube, and Primary Peritoneal Cancer Treatment (PDQ®)–Health Professional Version. Disponível em: https://www.cancer.gov/types/ovarian/hp/ovarian-epithelial-treatment-pdq Acesso em: 21 ago. 2026.

NATIONAL CANCER INSTITUTE. Endometrial cancer treatment (PDQ®) – Health professional version. Bethesda: NCI, 2025. Disponível em: https://www.cancer.gov. Acesso em: 21 ago. 2026.

NATIONAL CANCER INSTITUTE. SEER Cancer Statistics Review 1975–2017: Table 1.11 – Median age of cancer patients at diagnosis, 2013–2017: by primary cancer site, race and sex. Disponível em: https://seer.cancer.gov/archive/csr/1975_2017/results_merged/topic_med_age.pdf. Acesso em: 24 de ago. de 2026.

NATIONAL CANCER INSTITUTE. BRCA Gene Changes: Cancer Risk and Genetic Testing. Disponível em: https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/genetics/brca-fact-sheet. Acesso em: 24 ago. 2026.

NATIONAL CANCER INSTITUTE. Oral Contraceptives and Cancer Risk. Disponível em: Oral Contraceptives and Cancer Risk. Disponível em: https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/hormones/oral-contraceptives-fact-sheet Acesso em: 24 ago. 2026.

Material destinado a veículos de imprensa. BR-54031. Aprovado em setembro de 2026.

Propriedade da AstraZeneca Brasil.

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