Empresas usam compras estratégicas para acessar clientes incorporar capacidades e acelerar a entrada em novas regiões

Em 2026, a aquisição de empresas ganhou peso como instrumento para ampliar presença geográfica, fortalecer operações e incorporar capacidades já desenvolvidas. Pesquisa da KPMG com 700 profissionais de fusões e aquisições em 20 países mostra que 58% apontam a entrada em outras regiões como uma das principais motivações para realizar transações, à frente do fortalecimento do negócio principal, citado por 57%, e da incorporação de tecnologia ou talentos, mencionada por 46%. No Brasil, 610 operações movimentaram R$ 195 bilhões apenas no primeiro semestre.
Para Franco Scornavacca, conhecido como Kiko do KLB, empresário, fundador da MD1 Nexus, aceleradora de negócios que conecta investidores a oportunidades empresariais nos Estados Unidos, os números refletem uma mudança importante na lógica da expansão. “A aquisição de empresas pode entregar algo que o capital sozinho não consegue criar rapidamente: histórico, relacionamento com clientes, conhecimento local, equipe e capacidade operacional. Em muitos casos, o comprador está adquirindo também o tempo investido na construção daquele negócio”, afirma.
Comprar tempo virou parte da estratégia
Crescer de forma orgânica exige desenvolver uma série de ativos simultaneamente. É preciso conquistar consumidores, contratar profissionais, estabelecer fornecedores, estruturar processos, construir reputação e compreender particularidades da região escolhida. Uma operação existente pode reunir parte desses elementos antes mesmo da entrada do novo controlador.
Esse é um dos motivos pelos quais fusões e aquisições passaram a ocupar espaço nas estratégias corporativas de companhias que buscam acelerar determinadas etapas. A lógica não significa substituir a expansão orgânica, mas avaliar quando construir internamente e quando incorporar uma estrutura existente produz melhor relação entre tempo, capital e retorno.
“O ponto central não é comprar porque existe uma companhia disponível. É identificar quais capacidades faltam para alcançar determinado objetivo e analisar se faz mais sentido desenvolvê-las internamente ou adquiri-las. Essa é uma decisão de alocação de capital e de estratégia empresarial”, ressalta o empresário.
O que economias maduras fazem diferente
Nos Estados Unidos, aquisições fazem parte do repertório utilizado por companhias para ampliar escala, entrar em outras regiões, incorporar tecnologia e reorganizar portfólios. Pesquisa da KPMG com CEOs americanos mostra que 63% pretendem buscar ativamente novos negócios em 2026, mesmo diante das incertezas econômicas e geopolíticas.
Um exemplo recente ajuda a dimensionar essa lógica. Em julho, a Uber anunciou uma oferta de US$ 14,8 bilhões pela Delivery Hero. Caso seja concluída, a combinação pode levar a plataforma a uma presença total de 99 países. Mais do que o tamanho da transação, o movimento ilustra como uma compra pode agregar rapidamente usuários, parceiros, tecnologia e posições geográficas que levariam anos para serem desenvolvidas separadamente.
Para o fundador da MD1 Nexus, é essa lógica que merece maior atenção entre os empresários brasileiros. “Quando companhias maduras avaliam uma compra, o faturamento é apenas uma parte da equação. Elas olham para o que aquele ativo acrescenta à estratégia: distribuição, clientes, capacidade produtiva, tecnologia, pessoas ou acesso a uma determinada região. É essa leitura que transforma uma transação em ferramenta de expansão”, observa.
O movimento também aparece nos números brasileiros. As 610 operações registradas no primeiro semestre de 2026 representaram queda de 35% em quantidade diante do mesmo período de 2025, mas o valor movimentado aumentou 22,3%, para R$ 195 bilhões, segundo a KPMG. Mais de 85% desse montante ficou concentrado em negócios acima de R$ 1 bilhão.
Nem toda companhia à venda serve para expandir
O crescimento por aquisição, contudo, depende de uma definição clara do que se pretende alcançar. Ganhar presença em uma região, incorporar tecnologia, acessar determinado perfil de consumidor, ampliar distribuição ou aumentar capacidade produtiva são objetivos distintos e exigem critérios diferentes na escolha do ativo.
Por isso, Scornavacca considera que a procura por uma companhia deve começar somente depois da definição da tese de crescimento. Uma operação com bom faturamento pode ser pouco relevante para determinado comprador, enquanto outra de menor porte pode oferecer exatamente a estrutura necessária para executar seus planos.
“Uma boa aquisição começa antes de aparecer a oportunidade. O empresário precisa saber onde pretende chegar, o que falta para isso e quanto tempo levaria para construir essa capacidade. Depois dessas respostas, é possível avaliar se comprar uma operação existente realmente encurta o caminho”, aponta.
A boa compra começa antes da negociação
Essa análise ganha importância também para empresários que avaliam oportunidades nos Estados Unidos. Além dos números financeiros, localização e tamanho da companhia, é necessário compreender como o ativo se encaixa no projeto do investidor e o que poderá ser aproveitado depois da transação.
Na MD1 Nexus, Scornavacca atua na conexão entre investidores e oportunidades empresariais nos Estados Unidos, com foco em estratégias de expansão e na identificação de negócios aderentes aos objetivos de cada comprador.
A lógica parte de uma premissa: a empresa adquirida não deve definir a estratégia. É a estratégia que deve determinar qual empresa faz sentido adquirir.
Sobre Kiko – Franco Scornavacca
Franco Scornavacca, conhecido nacionalmente como Kiko do KLB, é empresário, fundador da MD1 Nexus e atua há mais de três décadas na construção de conexões empresariais entre Brasil e Estados Unidos. Com trajetória consolidada no ambiente internacional de negócios, desenvolveu atuação voltada à aceleração empresarial, expansão internacional e criação de oportunidades estratégicas para empresários que buscam ampliar operações, acessar novos mercados e fortalecer sua presença global.
Ao longo da carreira, construiu uma rede de relacionamento entre empreendedores, investidores e lideranças empresariais, com foco na geração de conexões qualificadas e no desenvolvimento de negócios entre diferentes mercados. Sua experiência une visão empresarial, networking estratégico e conhecimento prático sobre internacionalização, crescimento patrimonial e expansão de negócios.
Sobre a MD1 Nexus
A MD1 Nexus é uma empresa especializada em aceleração de negócios, conexões empresariais e expansão internacional, com atuação voltada a empresários que buscam desenvolver operações, ampliar networking estratégico e acessar oportunidades em mercados globais. Com presença entre Brasil e Estados Unidos, a empresa atua conectando empreendedores, investidores e lideranças em iniciativas voltadas ao crescimento empresarial e posicionamento internacional.
A companhia desenvolve experiências, projetos e conexões estratégicas para empresários interessados em internacionalização, expansão comercial, fortalecimento de marca e geração de novas oportunidades de negócio. Seu modelo de atuação combina relacionamento empresarial, inteligência de mercado e acesso a ecossistemas globais de negócios.
Para mais informações, acesse o site da MD1 Nexus e Instagram.
Fontes de Pesquisa
Global M&A Outlook 2026https://kpmg.com/xx/en/media/press-releases/2026/03/kpmg-survey-of-global-dealmakers-reveals-rising-m-and-a-expectations.html
Pesquisa Trimestral de M&A 2º trimestre de 2026 https://kpmg.com/br/pt/insights/2026/08/pesquisa-trimestral-m-a-2-trimestre-2026.html
2026 M&A Deal Market Study https://kpmg.com/us/en/articles/2026/kpmg-2026-m-a-outlook.html
Uber Announces Acquisition Offer for Delivery Herohttps://investor.uber.com/news-events/news/press-release-details/2026/Uber-Announces-Acquisition-Offer-for-Delivery-Hero/default.aspx
