Alimentação, preservação muscular e comportamento ajudam a orientar ajustes individuais durante o acompanhamento

A interrupção da perda de peso após a cirurgia bariátrica pode gerar dúvidas sobre o resultado da operação e levar pacientes a restringir ainda mais a alimentação. Conhecida como platô, essa estabilização exige avaliar a evolução clínica e os hábitos de vida e, se necessário, ajustar a dieta.
Em orientação atualizada em maio de 2026, a Mayo Clinic recomenda investigar as possíveis causas com a equipe médica e esclarece que uma resposta abaixo da esperada pode ocorrer mesmo quando o procedimento funciona corretamente.
Para Bruna Makluf, nutricionista e diretora de Nutrição da WeFit, empresa brasileira de saúde personalizada com acompanhamento nutricional remoto, o principal equívoco é considerar que o cuidado termina com a operação.
Com especializações em Nutrição Clínica e Nutrição Comportamental, a profissional considera exames, alimentação e hábitos de vida na avaliação. “O platô após a bariátrica não deve levar automaticamente a uma dieta mais restritiva. Primeiro, precisamos entender a trajetória do paciente e verificar se suas necessidades nutricionais estão sendo atendidas”, afirma.
A estabilização, a perda insuficiente e o reganho exigem análises diferentes. O tempo desde o procedimento e a evolução clínica ajudam a distinguir essas situações e a definir o que precisa ser investigado, pois um período sem redução não deve ser interpretado da mesma forma que um aumento persistente após atingir o menor peso.
Uma revisão publicada em abril de 2026 na revista científica Nutrition & Metabolism descreve fatores hormonais, metabólicos e comportamentais envolvidos no reganho, após uma redução importante, adaptações do organismo podem diminuir o gasto energético e favorecer o aumento do apetite. Esses mecanismos reforçam a necessidade de acompanhamento, mas não permitem determinar a causa da estagnação em cada pessoa sem avaliação individual.
O que revisar quando a balança para
A revisão começa por mudanças concretas na alimentação: se há proteína suficiente, se algum alimento causa desconforto e se aumenta o consumo de bebidas calóricas ou o hábito de beliscar. Exames e uso da suplementação prescrita também entram nessa análise, a suplementação consiste no uso de nutrientes, como vitaminas e minerais, para complementar a alimentação conforme a necessidade.
Na rotina, é importante verificar como estão o sono e a atividade física, além das dificuldades para organizar as refeições e comparecer às consultas. Episódios de perda de controle ao comer devem ser acolhidos e podem indicar a necessidade de apoio psicológico. Esses pontos ajudam a identificar obstáculos que não aparecem no número da balança.
A especialista também considera sintomas digestivos que dificultam a alimentação, a microbiota intestinal, conjunto de microrganismos que habitam o intestino, é estudada em relação à evolução do peso.
A individualização permite transformar essas informações em orientações viáveis. “Se uma pessoa evita determinados alimentos porque sente desconforto ou não consegue organizar as refeições durante o trabalho, precisamos considerar essas dificuldades. O plano deve atender às necessidades nutricionais e ser possível de manter”, destaca a nutricionista.
O acompanhamento continua depois da perda inicial
As recomendações da edição 2026 da Obesity Medicine Association preveem consultas ao menos anuais a partir do segundo ano, com maior frequência para pacientes de maior risco. Também incluem monitoramento laboratorial e suplementação de vitaminas e minerais ao longo da vida, especialmente nos procedimentos que reduzem a absorção de nutrientes.
A atuação nutricional integra esse cuidado com a equipe responsável pela cirurgia. A revisão da dieta deve considerar as necessidades atuais e os resultados da investigação médica. “A consulta não deve servir apenas para conferir quantos quilos foram eliminados. É também o momento de identificar dificuldades, avaliar a qualidade da alimentação e decidir quais ajustes são necessários”, conclui a diretora de Nutrição.
Sobre Bruna Makluf
Bruna Makluf é nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Com mais de 15 anos de experiência, atuou por nove anos na saúde pública, onde participou da implantação de equipes e políticas públicas voltadas à assistência nutricional. Posteriormente, integrou por seis anos a Clínica Seven, exercendo as funções de nutricionista e gestora da equipe de nutrição. Atualmente, lidera a área de Nutrição da WeFit, sendo responsável pelo desenvolvimento dos protocolos nutricionais personalizados da empresa.
Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
Para mais informações, acesse: Instagram | YouTube
Sobre a WeFit
A WeFit é uma healthtech brasileira especializada em saúde personalizada e nutrição de precisão. A empresa desenvolveu um protocolo que integra testes genéticos, análise da microbiota intestinal, inteligência artificial, monitoramento contínuo de indicadores de saúde e acompanhamento nutricional remoto para criar estratégias individualizadas voltadas à melhora da saúde metabólica e da qualidade de vida.
Com atendimento 100% digital, a WeFit atende pacientes em todo o Brasil por meio de uma equipe especializada em nutrição, que acompanha cada jornada de forma personalizada com base nas características biológicas, na rotina e nos objetivos individuais. Quando necessário, os pacientes são encaminhados para outras especialidades, ampliando o cuidado de forma integrada. A proposta da empresa é utilizar ciência, tecnologia e personalização para transformar a forma como as pessoas cuidam da saúde.
Para mais informações, acesse: Site
Fontes de Pesquisa
Mayo Clinic. Orientações sobre cirurgia bariátrica e investigação da interrupção do emagrecimento.https://www.mayoclinic.org/tests-procedures/bariatric-surgery/about/pac-20394258
Nutrition & Metabolism. Revisão sobre mecanismos do reganho de peso após cirurgia bariátrica.https://link.springer.com/article/10.1186/s12986-026-01115-2
Obesity Reviews. Revisão sistemática sobre músculos, força e desempenho físico após cirurgia bariátrica.https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42014968/
Obesity Medicine Association. Recomendações de acompanhamento e monitoramento nutricional.https://eguideline.guidelinecentral.com/i/1544295-obesity-bariatric-surgery-2026/17
