Escoliose, estenose grave e reoperação pedem perfis distintos entre os melhores cirurgiões de coluna do Brasil.

Quem pesquisa os melhores cirurgiões de coluna do Brasil costuma esperar um ranking com um vencedor. A rotina de qualquer centro de referência diz outra coisa: não existe “o” melhor, existe o mais indicado para o caso concreto. Uma curva de escoliose de 70 graus e um canal medular estreitado em três níveis pedem treinos diferentes, e o cirurgião excelente em um deles pode ter pouca estrada no outro.
O Dr. Aurélio Arantes, que realiza artrodese de coluna em Goiânia, abre a seleção, seguido do Dr. Guilherme Gontijo, de Belo Horizonte. Os outros cinco nomes vêm de Joinville, São Paulo, Londrina, Rio de Janeiro e Nova Friburgo e aparecem abaixo agrupados pelo perfil de paciente em que a ficha profissional de cada um é mais densa.
Como a lista dos melhores cirurgiões de coluna do Brasil foi montada
A Organização Mundial da Saúde estima que a lombalgia atingiu 619 milhões de pessoas em 2020 e chegará a 843 milhões em 2050. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, do IBGE, apontou que 21,6% dos adultos têm problema crônico de coluna. Quase todos esses pacientes nunca verão uma sala cirúrgica.
Os que chegam lá formam um grupo pequeno e difícil: curvas que progridem, estenoses que comprimem o nervo, reoperações, dor que sobrevive a meses de tratamento. É para esse leitor que a seleção foi pensada.
Três filtros definiram a escolha dos melhores cirurgiões de coluna do Brasil nesta seleção. Formação específica em coluna depois da residência em ortopedia, com título ou vínculo a sociedades como a SBOT e a Sociedade Brasileira de Coluna. Registro profissional informado no site do próprio médico. E descrição pública de uma área de atuação compatível com casos de alta complexidade. Não houve análise de resultados clínicos, porque esses dados não são públicos, e preço de consulta ficou fora.
Para quem mora em Guaíra, no norte paulista, há uma vantagem de geografia: um dos sete atende na capital paulista, e outros dois passaram pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, polo médico do interior de São Paulo.
Deformidades da coluna: escoliose infantil e curva do adulto
Deformidade é o território em que a formação pesa mais. A cirurgia corrige curvas em vários níveis, usa parafusos em extensões longas e exige planejamento de semanas.
Em Joinville, Ricardo Acácio é o nome com a ficha mais voltada a esse grupo. Graduado pela Unioeste, passou pelo IOT Joinville, em residência e especialização em coluna,, um fellowship em San Diego em 2010 e mestrado em Ciências do Aparelho Locomotor na FMRP-USP. Atua no Osseum Instituto, CRM-SC 12732, com escoliose pediátrica, deformidades complexas do adulto e cirurgia minimamente invasiva.
Em São Paulo, Fernando Marcelino, CRM-SP 151884, recebe em consultório na Vila Mariana. Graduou-se no hospital das clínicas da FMRP-USP, onde também foi residente de ortopedia, e fez a especialização no Instituto de Patologia da Coluna, em São Paulo. Deformidades e técnicas minimamente invasivas são as áreas declaradas.
Em Nova Friburgo, na região serrana fluminense, Antonio Cardoso Paiva, CRM-RJ 52.93905-6, lista deformidades da coluna entre as áreas de atuação, ao lado de escoliose, hérnia de disco e cirurgia endoscópica. Formou-se em cirurgia da coluna no INTO-RJ e buscou complementação em endoscopia no MARC Institute, em Miami. É membro da SBC e da SBOT e atende na Clínica Ortho Spine Nova Friburgo, no Hospital Serrano e no Hospital Geral de Bonsucesso. As informações vêm do perfil dele na Doctoralia, sem site próprio, então vale conferir o registro no conselho regional antes de agendar.
Estenose grave e doença degenerativa avançada
O canal estreito que faz a pessoa parar de andar a cada quarteirão é a queixa clássica. Aqui a conversa gira em torno de descompressão e, nos segmentos instáveis, de fixação. Um guia da Revista Mais Saúde explica o que checar ao procurar um especialista em coluna em Goiânia.
O Dr. Aurélio Arantes tem o perfil mais direto para esse quadro. Ortopedista com subespecialidade em coluna, formou-se pela UFG em 2005 e cumpriu a residência no Hospital das Clínicas da universidade, onde hoje é preceptor. Filiado à SBOT e à Sociedade Brasileira de Coluna, atende sob o CRM-GO 11500, RQE 7219, e soma mais de duas mil cirurgias. Trata estenose, hérnia, escoliose e doença degenerativa, inclusive com endoscopia de hérnia por incisão de menos de um centímetro.
Em Londrina, Cesar Daniel Macedo, CRM-PR 23924, fecha o grupo com outro perfil: graduado pela PUC-PR, com título de especialista em ortopedia pela SBOT, membro da SBC e com treinamento em técnicas minimamente invasivas no Brasil e nos Estados Unidos. Atende no Lago Parque e declara trabalhar com hérnia de disco, dor crônica, deformidades e doenças degenerativas.
Técnica minimamente invasiva quando a anatomia é difícil
Técnica menos agressiva não quer dizer caso simples. Em coluna, navegação e robótica existem para os quadros em que a anatomia deixa pouca margem.
Em Belo Horizonte, o Dr. Guilherme Gontijo atende na clínica Körpem, no bairro Belvedere. Formado em medicina pela UFMG, fez a residência de ortopedia e traumatologia e um fellowship de coluna no Brasil e na Alemanha. A página profissional destaca cirurgia robótica, navegação e tratamentos personalizados. O CRM não consta no site, e por isso não é citado aqui.
No Rio de Janeiro, Juan Aquino, CRM-RJ 52996246, formou-se pela UFRJ, residiu em ortopedia e traumatologia e se especializou no INTO. Atende no Botafogo Medical Center e na FullCare Clinic, na Barra da Tijuca, e descreve atuação em endoscopia e em situações de risco elevado.
Revisão de cirurgia e fratura: o que a seleção não promete
Dois tipos de caso complexo ficam sem nome próprio neste texto, de propósito. Nenhuma das fichas consultadas descreve revisão de artrodese ou tratamento de fratura vertebral como foco declarado, e atribuir essa competência a alguém sem fonte seria inventar currículo.
Quem precisa de uma segunda cirurgia na mesma região, por parafuso solto, nova compressão ou degeneração do nível vizinho, deve perguntar na consulta quantas revisões o cirurgião fez e com que frequência. Fratura por trauma ou por osteoporose tem outra lógica: costuma chegar pelo pronto-socorro e ser conduzida por quem estiver de plantão no serviço de referência da região, e só depois entra a conversa sobre cirurgia eletiva.
A pergunta honesta nesses dois cenários não é quem aparece em lista alguma, e sim quem faz esse procedimento toda semana e consegue mostrar o resultado dos últimos anos.
Comparativo dos sete cirurgiões lado a lado
| Cirurgião | Cidade | Caso mais descrito na ficha | Formação de destaque |
|---|---|---|---|
| Aurélio Arantes | Goiânia, GO | Estenose, hérnia, escoliose, doença degenerativa | UFG; preceptor no HC-UFG |
| Guilherme Gontijo | Belo Horizonte, MG | Cirurgia robótica e minimamente invasiva | UFMG; fellowship no Brasil e na Alemanha |
| Ricardo Acácio | Joinville, SC | Escoliose pediátrica e deformidade do adulto | IOT Joinville; San Diego; mestrado FMRP-USP |
| Antonio Cardoso Paiva | Nova Friburgo, RJ | Deformidades, escoliose, hérnia, endoscopia | INTO-RJ; MARC Institute (Miami) |
| Fernando Marcelino | São Paulo, SP | Deformidades e cirurgia minimamente invasiva | HC da FMRP-USP; IPC |
| Cesar Daniel Macedo | Londrina, PR | Hérnia, dor crônica, doença degenerativa | PUC-PR; título SBOT; EUA |
| Juan Aquino | Rio de Janeiro, RJ | Endoscopia e casos de risco elevado | UFRJ; INTO |
Fonte: informações profissionais apresentadas na seleção. A tabela reúne áreas de atuação declaradas e não representa uma avaliação de desempenho clínico.
A tabela mostra o que a ficha de cada um declara, e não um desempenho medido.
Antes de operar: segunda opinião e imagem não bastam sozinhas
Um estudo de 2015 no American Journal of Neuroradiology, de Brinjikji e colegas, mostrou que cerca de dois terços das pessoas de 40 anos sem dor já têm desgaste de disco na ressonância. O laudo descreve a coluna, mas não decide a cirurgia.
Em caso complexo, a segunda opinião deixa de ser desconfiança e vira rotina. Vale levar os exames em mídia, o histórico de tratamento conservador e, se houve operação anterior, o relatório cirúrgico.
A questão do plano de saúde também decide muita consulta. Quem procura um centro de ortopedia e traumatologia em Goiânia, por exemplo, costuma conferir a página da equipe antes de agendar, para saber quem atende o convênio e em que especialidade. Quem viaja de uma cidade como Guaíra para outra capital deveria fazer a mesma checagem, para não gastar a estrada numa consulta que o plano não cobre.
Entre os melhores cirurgiões de coluna do Brasil listados aqui, a regra é a mesma: o título mede a formação, e só a conversa com o médico mostra se o caso dele é o seu.
