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Dificuldade na mensuração do ROI de inteligência artificial restringe expansão de projetos corporativos

Levantamentos do Gartner preveem que investimento global em IA chegará a US$ 2,7 trilhões em 2026, mas que 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até 2027 por falta de ROI claro; CEO da e-Core detalha caminhos para estruturar métricas claras de valor

Como a Inteligência Artificial generativa impactou o mercado de desenvolvimento de software – Créditos: da-kuk/iStock

O avanço da inteligência artificial (IA) nas empresas atingiu um ponto de inflexão em que a experimentação cede espaço à cobrança por retorno financeiro. Segundo publicação da consultoria Gartner, de setembro de 2026, o investimento global em IA deve atingir US$ 2,7 trilhões neste ano — crescimento de 49,5% em relação ao anterior.

Apesar do volume expressivo, o mesmo relatório posiciona a IA generativa em uma fase de desencanto, em que as expectativas iniciais cedem lugar à pressão por resultados concretos: os primeiros projetos falharam em entregar impacto financeiro mensurável, e executivos de finanças e tecnologia passaram a exigir comprovação prévia de ROI operacional antes de aprovar a escala das soluções.

A fragilidade na mensuração de valor e a imprevisibilidade de custos têm levado à descontinuação de iniciativas em fase inicial. Mais de 40% dos projetos de inteligência artificial agêntica serão cancelados ou abandonados até o final de 2027, aponta outro relatório do Gartner, publicado em junho de 2025.

O estudo indica como causas centrais o valor de negócio pouco claro, os custos escalantes de implantação e os controles de risco e governança insuficientes.Esse cenário expõe que a aplicação de modelos tradicionais de métricas de TI a projetos de IA limita a percepção dos ganhos reais. Enquanto sistemas convencionais possuem custos previsíveis e retornos lineares, a inteligência artificial exige a avaliação de impactos indiretos e de médio prazo na operação.

“A maioria das empresas mede IA pelo ganho de quem usa a ferramenta. Esse ganho é real, mas fica no indivíduo. O ROI aparece quando o processo inteiro é redesenhado e o ganho passa a ser da operação”, analisa Vinícius Pinheiro, CEO da e-Core, consultoria que apoia empresas na utilização da tecnologia de forma estratégica.

“Projetos de IA têm custo dinâmico. Sem dados organizados e governança clara, o custo de sustentação consome o ganho da fase inicial.”

Pilares para quantificação de valor

A necessidade de reestruturar a avaliação de valor é reforçada por dados da McKinsey & Company. Segundo o relatório global “The state of AI in 2025: Agents, innovation, and transformation”, divulgado ao final de 2025, embora 88% das organizações utilizem IA regularmente em ao menos uma função de negócio, apenas 39% relatam algum impacto mensurável da tecnologia sobre o seu lucro operacional (EBIT), e entre essas, a maioria aponta ganhos de menos de 5%.

Para reverter esse quadro e estruturar a medição do ROI em ambientes corporativos, o executivo da e-Core indica a divisão da avaliação em três frentes metodológicas:

Eficiência operacional direta: medição quantitativa da redução do tempo de ciclo de processos, diminuição de erros manuais e volume de tarefas automatizadas;

Ganhos de produtividade qualitativa: aceleração do tempo de lançamento de produtos (time-to-market), aumento da capacidade de atendimento e ganhos na velocidade de entrega de software;

Custo Total de Propriedade (TCO): inclusão de variáveis como governança de dados, conformidade regulatória, consumo de infraestrutura em nuvem, manutenção de modelos e treinamento de equipes.

Para Pinheiro, a mensuração contínua exige também que o progresso seja avaliado em ciclos iterativos, ajustando as metas operacionais à medida que a maturidade dos dados evolui.

“Projetos de IA possuem estrutura de custos dinâmica. Sem uma base de dados limpa e governança clara, o custo de sustentação da tecnologia consome os ganhos operacionais obtidos na fase inicial de implantação”, pontua Pinheiro. “A quantificação do valor exige acompanhar a evolução da maturidade operacional da empresa ao longo do tempo.”

Sobre a e-Core

A e-Core é uma consultoria global de tecnologia que transforma empresas por meio de estratégias digitais capazes de gerar eficiência, inovação e crescimento sustentável.

Com mais de 26 anos de experiência e presença no Brasil, México e Estados Unidos, a e-Core oferece soluções em inteligência artificial, dados, modernização de aplicações, cloud, agilidade corporativa e cibersegurança, incluindo gestão estratégica de portfólio e DevOps em parceria com a Atlassian e AWS, apoiando organizações da estratégia à operação.

A e-Core conta com mais de 300 clientes ativos e está presente em 1 a cada 2 das maiores empresas do Brasil, que confiam na empresa para seus projetos de tecnologia mais críticos.

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