Recuperação mais rápida pode antecipar a volta à rotina em casos selecionados, mas resultado e cicatrização seguem o tempo do organismo

A proximidade do verão costuma colocar procedimentos de contorno corporal novamente no radar de quem deseja tratar gordura localizada. No Brasil, que aparece entre os maiores mercados mundiais de cirurgia estética, a lipoaspiração permanece entre as operações mais realizadas. A pesquisa mais recente disponível da International Society of Aesthetic Plastic Surgery, a ISAPS, contabilizou 2,35 milhões de procedimentos cirúrgicos estéticos no país em 2024. Os dados referentes a 2025 serão divulgados pela entidade em 29 de setembro de 2026.
Para o cirurgião plástico Marco Dallegrave, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e médico com 21 anos de atuação na especialidade, setembro e os meses que antecedem a estação mais quente podem ser usados para planejar a cirurgia sem transformar a chegada do verão em uma corrida contra o relógio. Entre os procedimentos realizados pelo médico está a Mini Lipo de recuperação rápida, indicada para pacientes selecionados que buscam tratar áreas específicas de gordura localizada.
“Quando a paciente pensa no verão, muitas vezes olha primeiro para a data em que gostaria de estar com o corpo recuperado. O raciocínio precisa ser o contrário: é preciso começar pela avaliação, entender o que realmente tem indicação cirúrgica e respeitar o período necessário para o organismo se recuperar”, afirma Dallegrave.

A lipoaspiração é um procedimento de contorno corporal destinado à retirada de depósitos localizados de gordura subcutânea e não deve ser confundida com um método de emagrecimento. A própria ISAPS destaca que fatores como extensão das áreas tratadas, volume retirado e técnica utilizada interferem tanto na duração da cirurgia quanto na recuperação.
Recuperação rápida não é recuperação instantânea
Na Mini Lipo, a proposta de uma recuperação mais rápida está relacionada à possibilidade de retorno antecipado a determinadas atividades em pacientes selecionados e de acordo com a extensão do procedimento. Isso, porém, não significa que o processo de cicatrização terminou quando a pessoa volta ao trabalho ou aos compromissos cotidianos.
“Existe uma diferença importante entre estar apta a retomar parte da rotina e estar completamente recuperada. Mesmo que a paciente esteja se sentindo bem poucos dias depois, os tecidos continuam em reparação. É justamente por isso que o pós operatório não pode ser acelerado apenas porque existe uma viagem, uma festa ou uma data marcada”, explica o cirurgião.
Segundo a ISAPS, após uma lipoaspiração podem ocorrer inchaço, hematomas, sensibilidade e alterações temporárias no contorno. A entidade informa ainda que muitos pacientes conseguem retornar a trabalhos leves dentro de alguns dias até aproximadamente duas semanas, a depender da extensão da cirurgia e da atividade profissional. Exercícios intensos devem ser retomados gradualmente e somente conforme orientação médica.
O resultado não acompanha a agenda das férias
Outro ponto que costuma gerar expectativa é imaginar que a aparência observada logo após a operação será definitiva. Parte do edema pode diminuir nas primeiras semanas, mas alterações mais discretas dos tecidos podem permanecer durante meses, segundo a ISAPS.
Por isso, marcar uma cirurgia muito próxima de uma viagem ou de um compromisso importante pode criar uma expectativa incompatível com o processo biológico. O planejamento também precisa considerar consultas de acompanhamento, uso de cinta quando indicado, restrições temporárias de esforço físico e os cuidados definidos individualmente pelo cirurgião.
“Recuperação rápida não quer dizer ausência de recuperação. A vantagem é conseguir voltar antes a determinadas tarefas quando a cirurgia permite, sem pular etapas importantes do pós operatório. O calendário pode ajudar no planejamento, mas nunca deve determinar a velocidade da cicatrização”, ressalta Dallegrave.
Quem pode fazer Mini Lipo
Nem toda pessoa incomodada com determinada região corporal terá indicação para uma Mini Lipo. Quantidade e localização da gordura, qualidade da pele, condições clínicas, extensão da área que será tratada e resultado esperado precisam ser avaliados antes da definição da técnica.
A lipoaspiração também não corrige de maneira previsível uma flacidez cutânea importante. Nesses casos, outros procedimentos podem ser necessários para tratar o excesso de pele, conforme explica a ISAPS.
“Uma cirurgia menor não significa uma indicação mais simples. O procedimento precisa fazer sentido para aquele corpo e para aquilo que a paciente deseja melhorar. Quando existe indicação correta, conseguimos discutir técnica, recuperação e expectativa de resultado de maneira muito mais objetiva”, afirma o médico.
Com a chegada dos meses mais quentes, portanto, a vantagem de começar o planejamento antes não está em correr para realizar a cirurgia, mas justamente no contrário: ter tempo para avaliar a indicação, organizar o pós operatório e permitir que o corpo cumpra cada etapa da recuperação antes dos compromissos de verão.
Sobre Marco Dallegrave
Dr. Marco Dallegrave é médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEMPAR), com residência em Cirurgia Geral pela Santa Casa de Curitiba e residência em Cirurgia Plástica pelo Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR). Também possui pós-graduação em Psiquiatria pelo CENBRAP, formação que complementa sua visão sobre os aspectos emocionais e psicológicos envolvidos na relação dos pacientes com a própria imagem.
Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), atua há 21 anos na especialidade e já realizou mais de 5 mil cirurgias. Sua prática é voltada à cirurgia plástica estética, com ênfase em procedimentos de contorno corporal, mini lipoaspiração de recuperação rápida e cirurgias das mamas.
Ao longo da carreira, consolidou uma abordagem que alia excelência técnica, segurança e atendimento humanizado. Defende que a cirurgia deve respeitar a individualidade de cada paciente e ser compreendida como parte de um cuidado integral com a saúde e o bem-estar, e não apenas como uma transformação estética.
