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Diabetes avança entre adultos jovens e pode provocar complicações graves antes dos 30 anos

mãos de uma pessoa segurando um glicosímetro branco contra o dedo indicador; estojo azul aberto no colo

  •  Às vésperas do Dia Mundial do Diabetes, estudos mostram que, no Brasil, a proporção de pessoas de 25 a 34 anos com diagnóstico da doença mais que triplicou entre 2006 e 2024.
  • Especialistas do Sírio-Libanês alertam para os riscos cardiovasculares, renais e neurológicos e destacam avanços no tratamento

São Paulo, novembro de 2026 – O número de pessoas entre 25 e 34 anos vivendo com diabetes no Brasil mais que triplicou entre 2006 e 2024, passando de 1,1% para 3,7%, segundo dados de 2024 do Vigitel, do Ministério da Saúde1. A tendência também é observada mundialmente em um estudo publicado no British Medical Journal2, que identificou um crescimento de 56% na incidência de diabetes tipo 2 entre pessoas de 15 a 39 anos, de 1990 a 2019.

Por ocasião do Dia Mundial do Diabetes, em 14 de novembro, especialistas do Sírio-Libanês alertam que a exposição precoce às alterações metabólicas pode levar a complicações cardiovasculares, renais e neurológicas graves antes dos 50 anos.

“Quanto mais cedo o diabetes começa, maior pode ser o dano causado ao organismo pela glicose elevada e demais alterações metabólicas associadas”, explica Guilherme A. B. Cunha, endocrinologista do Sírio-Libanês.”

Há riscos de doença renal diabética, alterações nos nervos e comprometimento da retina, além da hipertensão arterial. Esses foram os principais problemas identificados por um estudo, publicado no New England Journal of Medicine3, que acompanhou 500 pacientes com diabetes tipo 2 na juventude. Pelo menos 60,1% deles apresentaram uma dessas complicações quando tinham, em média, apenas 26 anos.”

O endocrinologista ressalta que o diabetes tipo 2 de início precoce pode ainda apresentar uma evolução mais agressiva, com deterioração mais rápida da capacidade do pâncreas de produzir insulina.

“Isso também foi corroborado por uma publicação da revista científica The Lancet4, de 2025, que apontou a progressão acelerada da doença e o maior risco de complicações vasculares e morte prematura entre pessoas diagnosticadas antes dos 40 anos”, destaca. “A presença de obesidade, hipertensão e alterações do colesterol também contribui para aumentar o risco de lesões vasculares”, explica o endocrinologista Guilherme.

Fernanda Salles, endocrinologista do Sírio-Libanês, acrescenta que o aumento do diabetes entre adultos jovens está associado a uma combinação de fatores. “

A obesidade, principalmente o acúmulo de gordura abdominal, tem papel importante, mas não explica isoladamente o crescimento dos casos. A redução da atividade física, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, a privação de sono e a predisposição genética também contribuem para o desenvolvimento da doença.”

A médica lembra que a rotina da população ficou mais sedentária nos últimos anos. “

Reduzimos a atividade física no dia a dia, como ir à padaria a pé, usando o carro para todos os deslocamentos. E o aumento do uso de telas reduziu as horas de sono. O costume de jantar mais cedo, ver um pouquinho de televisão e ir para a cama foi substituído por refeições tardias e uso do celular até tarde. Só que dormir pouco e mal aumenta a resistência insulínica e a fome no dia seguinte”, diz. “A alimentação caseira e em família foi substituída por lanches e refeições rápidas, feitas sem atenção, e que geralmente são mais calóricas.”

Além de adotar hábitos mais saudáveis, como cardápios mais equilibrados, atividades físicas regulares, manutenção do peso adequado e horários regulares para descanso, os especialistas reforçam a importância do acompanhamento preventivo, para identificar a doença antes do aparecimento dos sintomas ou complicações.

As diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes recomendam o rastreamento universal a partir dos 35 anos, ou antes, quando existem fatores de risco5.

A investigação pode incluir glicemia de jejum, hemoglobina glicada e, em situações específicas, o teste oral de tolerância à glicose, capaz de identificar alterações que não aparecem nos exames iniciais.

Considerando todos os riscos envolvidos na progressão do diabetes, a abordagem para o tratamento também evoluiu, como ressalta Guilherme Cunha.

“A principal mudança foi compreender que não basta apenas baixar a glicose. Precisamos também proteger o coração, preservar a função dos rins, controlar o peso e reduzir o risco de complicações futuras. E medicamentos como os inibidores de SGLT2, que ajudam a eliminar o excesso de açúcar do sangue através da urina, e os agonistas do receptor de GLP-1, conhecidos hoje como as canetas emagrecedoras, já oferecem benefícios que vão além do controle glicêmico para pacientes com indicações específicas”, indica o endocrinologista.

O tratamento iniciado precocemente também pode favorecer a remissão do diabetes tipo 2 em determinados pacientes.

No estudo britânico DiRECT6, publicado na revista The Lancet, em 2018, 46% dos participantes submetidos a um programa intensivo de controle de peso alcançaram remissão após um ano, ante 4% no grupo de comparação.

A condição é caracterizada pela manutenção da hemoglobina glicada abaixo de 6,5% por pelo menos três meses, sem o uso de medicamentos para reduzir a glicose.

“Os principais fatores que favorecem a remissão do diabetes tipo 2 são o diagnóstico precoce e a capacidade de alcançar e manter a perda de peso, com redução de 10% a 15% do peso corporal”, reforça Fernanda.

“É importante esclarecer que a remissão não representa a cura da doença, pois ela pode voltar com a obesidade ou o avanço da idade. Por isso, o acompanhamento médico, a alimentação adequada e a atividade física devem ser mantidos mesmo após a normalização dos exames.”

O Sírio-Libanês também desenvolve, em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), um programa de assistência gratuita e especializada para pacientes com diabetes tipo 2 atendidos pelo SUS.

A iniciativa é voltada a adultos entre 45 e 65 anos e oferece acompanhamento multidisciplinar durante 12 meses, com foco na adoção de hábitos saudáveis, no autocuidado e na prevenção de complicações da doença.

O programa inclui exames como bioimpedância, avaliação digital do fundo de olho e análise especializada da pisada, além de acompanhamento integrado entre as duas instituições.

Sobre o Sírio-Libanês

A Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês, instituição filantrópica que completou 100 anos em 2021, atua diariamente para oferecer e compartilhar com a sociedade uma assistência médico-hospitalar de excelência, com atendimento humanizado e individualizado em mais de 60 especialidades. Desde 2007, é reconhecida pela Joint Commission International (JCI), principal órgão mundial em qualidade e segurança hospitalar, e é a única instituição no Brasil a possuir também a acreditação da JCI em Atenção Primária à Saúde.

Por meio da Faculdade Sírio-Libanês, contribui para a formação de profissionais de saúde éticos e preparados para atuar com base em boas práticas, além de fomentar o desenvolvimento científico com estudos e pesquisas nacionais e internacionais. A instituição oferece graduação, pós-graduação lato sensu e stricto sensu, residências médicas e multiprofissionais, cursos de atualização, estágios, seminários e reuniões científicas.

O Sírio-Libanês foi pioneiro na criação de programas de Saúde Populacional, que reúnem empresas, operadoras e equipes de Atenção Primária no cuidado contínuo e qualificado, apoiando a gestão do benefício do plano de saúde e promovendo qualidade de vida e produtividade. Atualmente, está presente com dois hospitais e cinco unidades em São Paulo e Brasília.

Saiba mais em nosso site: https://hospitalsiriolibanes.org.br/

Referências:
1. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2006–2024: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2006-2024.pdf/view/ 2. Global burden of type 2 diabetes in adolescents and young adults, 1990–2019: systematic analysis of the Global Burden of Disease Study 2019. The BMJ. 2022. https://www.bmj.com/content/379/bmj-2022-072385 3. TODAY Study Group. Long-Term Complications in Youth-Onset Type 2 Diabetes. New England Journal of Medicine. 2021. https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMoa2100165 4. Early-onset type 2 diabetes: the next major diabetes transition. The Lancet. 2025. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(25)00830-X 5. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes — Rastreamento e diagnóstico do diabetes mellitus tipo 2. 2026. https://diretriz.diabetes.org.br/ 6. Lean MEJ, Leslie WS, Barnes AC, et al. Primary care-led weight management for remission of type 2 diabetes (DiRECT): an open-label, cluster-randomised trial. The Lancet. 2018. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29221645/

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