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Síndrome das pernas inquietas: estudo recente reforça papel da cannabis medicinal no alívio dos sintomas

Pesquisa publicada no Journal of Neurology acompanhou pacientes por três meses e observou melhora consistente, mas cientistas pedem cautela até novos estudos

Créditos: Divulgação
Um estudo publicado recentemente no Journal of Neurology, conduzido por pesquisadores do Serviço de Neurologia do Hospital Universitário de Getafe, vinculado à Universidade Europeia de Madrid, na Espanha, aponta que uma combinação de THC e CBD pode reduzir a gravidade dos sintomas da síndrome das pernas inquietas. A pesquisa acompanhou pacientes com o distúrbio durante três meses e observou melhora consistente ao longo do período.
A síndrome das pernas inquietas é uma condição neurológica caracterizada por uma necessidade quase incontrolável de movimentar as pernas, geralmente acompanhada de formigamento, arrepios ou outras sensações de desconforto. Os sintomas tendem a surgir ou se intensificar durante o repouso, especialmente à noite, comprometendo a qualidade do sono.
Na prática, isso pode atrapalhar desde a rotina de trabalho até momentos simples do dia a dia, como assistir a um filme ou fazer uma viagem mais longa de carro ou avião. Em alguns casos, ela pode estar associada a outras doenças neurológicas, como a esclerose múltipla.
O estudo, do tipo exploratório e aberto, acompanhou 18 pacientes com a síndrome, dos quais 16 tinham esclerose múltipla. Os participantes receberam uma formulação contendo 2,7 mg de THC e 2,5 mg de CBD, com possibilidade de ajuste da dose após quatro semanas. A escolha da combinação foi baseada na hipótese de que os canabinoides, por inibirem a liberação de glutamato no estriado, possam representar uma alternativa terapêutica para a condição.
A gravidade dos sintomas foi avaliada antes do tratamento e novamente após um e três meses, pela escala internacional utilizada para a síndrome (IRLS). Além da melhora observada nesse período, os pesquisadores verificaram que 66,66% dos participantes permaneceram utilizando a terapia após um ano, mantendo a redução da gravidade dos sintomas. Apesar disso, os autores ressaltam que os resultados precisam ser confirmados em estudos maiores, randomizados e controlados por placebo.
A avaliação é compartilhada por Mariana Maciel, médica à frente da biotech canadense Thronus Medical [link site], empresa com foco em desenvolvimento de nanofármacos à base de cannabis. “O principal mérito deste estudo não é apenas a melhora observada, mas o fato de ele estimular novas pesquisas sobre um sintoma para o qual muitos pacientes ainda têm poucas opções terapêuticas.Mas é preciso interpretar esses dados com cautela. Estamos falando de um estudo pequeno, sem grupo placebo e com participantes bastante específicos. Ele abre um caminho para novas pesquisas, mas ainda não muda a prática clínica”, afirma.
Outro ponto importante, segundo Dra. Mariana, é que a resposta ao tratamento varia de acordo com as características de cada paciente. “Não existe uma dose única que funcione para todos. A escolha da formulação, o ajuste da dose e o acompanhamento da resposta ao tratamento precisam ser individualizados. O acompanhamento médico é o que permite avaliar tanto a eficácia quanto a segurança da terapia”, explica.

Nanotecnologia busca aumentar a eficiência da cannabis medicinal

Além da pesquisa clínica, outra frente de investigação tenta tornar os tratamentos com cannabis medicinal mais eficientes. Uma das estratégias estudadas é a nanotecnologia, que reduz o tamanho das partículas para favorecer a absorção pelo organismo.
É o caso da Power Nano™, da Thronus Medical, que reduz as partículas de cannabis a cerca de 17 nanômetros, encapsulando-as em solução hidrossolúvel. Segundo a empresa, essa abordagem pode favorecer a absorção dos princípios ativos e o início de ação dos canabinoides. A tecnologia foi a primeira formulação nanofarmacêutica à base de cannabis possível de importação para o Brasil e está presente no mercado brasileiro há seis anos.
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