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Quando a lista de tarefas chega à cama: como a pressão afeta o sono

Homem acordado durante a madrugada com dificuldade para dormir
Ansiedade e pressão podem dificultar o descanso — Imagem gerada com uso de IA

Pesquisadora do Instituto do Sono detalha a relação entre ansiedade e noites mal dormidas

Conforme os meses avançam, compromissos assumidos no início do ano passam a dividir espaço com novas demandas, enquanto algumas metas pessoais, profissionais ou acadêmicas ainda aguardam para sair do papel. A combinação entre prazos, tarefas acumuladas e a percepção de que há cada vez mais a fazer pode aumentar a sensação de cobrança e ansiedade, com reflexos que muitas vezes aparecem justamente na hora de dormir.

Para a Dra. Luciana Palombini, pneumologista e pesquisadora do Instituto do Sono/Afip, períodos de maior pressão podem manter o cérebro em estado de alerta e dificultar a desaceleração necessária para dormir. “À noite, quando temos menos ocupações e tarefas a serem realizadas, as preocupações podem aparecer com mais força. Em quem já tem predisposição à insônia, esse excesso de pensamentos e de atividade mental pode dificultar ainda mais o início do sono”, explica.

A relação entre ansiedade e dificuldade para dormir é bidirecional. De acordo com a pesquisadora, enquanto o estado de ansiedade pode dificultar o descanso, uma noite de sono insuficiente pode provocar cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração no dia seguinte. Com menor disposição para lidar com as demandas cotidianas, a sensação de sobrecarga pode aumentar.

“A falta de sono piora a ansiedade e a ansiedade piora o sono. Quando a pessoa acorda cansada, encontra mais dificuldade para realizar as atividades do dia, o que pode aumentar a sensação de que não dará conta das demandas. Uma condição acaba alimentando a outra”, afirma Palombini.

Mudanças na rotina também podem contribuir para esse cenário. Quem passou recentemente por um período de descanso, em que houve excesso de estímulos à noite, pode ter uma desregulação do relógio biológico. A situação ocorre, sobretudo, com pessoas com tendência à vespertinidade, ou seja, que naturalmente preferem dormir e despertar mais tarde. Segundo a especialista, com a retomada consistente de horários do sono e hábitos regulares, o organismo pode levar de uma a duas semanas para se readaptar.

Na tentativa de compensar noites ruins, alguns comportamentos podem acabar prolongando o problema. Permanecer na cama até mais tarde, consumir cafeína em excesso, cochilar por longos períodos, trabalhar à noite ou recorrer às telas quando o sono não chega estão entre os hábitos que podem contribuir para a manutenção da insônia. Além disso, dormir por mais horas nos fins de semana pode proporcionar alívio pontual, mas não compensa de forma sistemática noites insuficientes ao longo da semana.

Como manter um sono saudável

Para atravessar momentos de maior cobrança, é recomendado analisar a rotina como um todo. Manter horários de sono relativamente regulares, praticar atividade física, fazer pausas ao longo do dia, reduzir o excesso de estímulos à noite e organizar as tarefas por prioridade podem ajudar a evitar que as preocupações se prolonguem até a hora de dormir.

A desaceleração nas horas que antecedem o sono também é importante. Atividades como uma leitura leve, ouvir uma música tranquila ou praticar meditação podem ajudar a reduzir a ativação mental. A especialista recomenda ainda diminuir o uso de telas antes de dormir e evitar a tentativa de “forçar” o sono quando ele demora a chegar.

“É importante entender o próprio limite e não criar a expectativa de resolver tudo de uma vez. Em períodos de maior pressão e ansiedade, organizar prioridades e preservar hábitos saudáveis ajuda a manter esse equilíbrio”, orienta.

Uma sequência de noites ruins em um período de maior pressão não significa necessariamente que a pessoa tenha insônia. O problema merece atenção quando a dificuldade para dormir se torna frequente e passa a afetar o funcionamento durante o dia. Nesses casos, a orientação é buscar avaliação profissional.

Sobre o Instituto do Sono

Fundado em 1992 pelo Professor Dr. Sergio Tufik, o Instituto do Sono — uma das unidades da Afip — é um centro de referência em pesquisa, ensino, diagnóstico e tratamento dos distúrbios de sono. Pioneiro e líder na América Latina em Medicina do Sono, reúne um grupo diversificado de pesquisadores, contando com mais de 1.500 artigos publicados. É responsável pelo EPISONO, um dos maiores e mais relevantes estudos epidemiológicos sobre distúrbios de sono no mundo. Com uma equipe multidisciplinar, oferece atendimento especializado por meio de consultas e exames, tendo superado a marca de 480.000 polissonografias. Destaca-se ainda por sua atuação na área de ensino, com a capacitação de mais de 6.000 alunos de todo o país. Para informações adicionais, acesse o site www.institutodosono.com.

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