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Fralía inspira crescimento de indústrias B2B

Expansão da processadora mineira de cacau mostra como inovação, relacionamento com clientes, controle de custos e gestão integrada podem apoiar o avanço de indústrias em mercados competitivos.

Fruto de cacau aberto, grãos e cacau em pó em primeiro plano, com equipamentos industriais ao fundo.
imagem ilustrativa gerada por IA

A expansão da Fralía Cacau Brasil tem chamado atenção no setor de alimentos e bebidas por unir crescimento industrial, inovação em produtos e estratégia de relacionamento com clientes. A empresa mineira, especializada na transformação de cacau em insumos para a indústria alimentícia, foi destaque em reportagem da Exame sobre a construção de uma nova planta industrial em São Gonçalo do Rio Abaixo, Minas Gerais.

Segundo a publicação, a Fralía cresceu mais de 400% nos últimos dez anos, atende 250 clientes ativos no Brasil e na América do Sul e busca alcançar R$ 300 milhões em faturamento na próxima década. A nova fábrica foi projetada para operar com alto nível de automação, eficiência energética e foco em produtos de maior valor agregado.

O movimento também foi noticiado pelo Diário do Comércio, que destacou a meta de triplicar a produção da empresa, alcançando até 1.000 toneladas mensais de produtos acabados até o fim de 2026. A expansão inclui investimento de R$ 20 milhões, aumento da área construída, novo laboratório de pesquisa e desenvolvimento, hub logístico ligado à BR-381 e lançamento de novos derivados de cacau.

O caso ocorre em um momento de transformação da cadeia brasileira do cacau. De acordo com a FIEMG, a Fralía também passou a defender o conceito de CacauTech, abordagem que une tecnologia, inovação e biotecnologia para ampliar o aproveitamento do fruto e gerar mais valor econômico a partir da cadeia produtiva.

Para outras indústrias B2B que buscam crescer de forma sustentável, o avanço da Fralía aponta algumas lições práticas. A primeira é estruturar a operação antes de a demanda pressionar a fábrica. Crescer exige capacidade produtiva, mas também planejamento, previsibilidade e integração entre compras, estoque, produção, logística e financeiro.

A segunda lição é transformar inovação em proposta de valor. A Fralía não está ampliando apenas volume produtivo; a empresa também aposta em produtos de maior valor agregado, aplicações para panificação e lácteos e novas formas de aproveitamento do cacau. Em mercados industriais, inovar não significa apenas lançar produtos, mas entender novas dores dos clientes e responder com soluções mais úteis.

A terceira lição está na proteção de margens. Em um setor exposto à volatilidade do cacau, a empresa criou o Fralía Escudo, programa voltado a oferecer previsibilidade nos custos, segurança no abastecimento e estabilidade para clientes industriais. Para negócios B2B, esse tipo de estratégia mostra que relacionamento comercial também pode ser ferramenta de gestão de risco.

A quarta lição é manter proximidade com clientes. Segundo a Exame, a Fralía opera no modelo direto ao consumidor industrial, sem distribuidores intermediários, e possui um funil digital interno que integra vendas e relacionamento comercial. A reportagem também informa que 98% das entregas são gerenciadas por equipes internas, o que amplia o controle sobre margens e experiência de compra.

A quinta lição é sustentar o crescimento com gestão integrada. Quando uma indústria aumenta volume, portfólio, clientes e complexidade logística, a operação precisa ser acompanhada por sistemas capazes de organizar dados e processos. No caso da Fralía, cliente da Nomus, o uso de um ERP industrial aparece como parte dessa estrutura de gestão, apoiando a integração entre áreas e a organização das informações necessárias para crescer com mais controle.

Para Thiago Leão, diretor da Nomus, empresas industriais que crescem rápido precisam evitar que a gestão fique para trás. “Quando a indústria expande clientes, produtos e capacidade produtiva, o risco é continuar tomando decisões com processos antigos. Crescer com segurança exige dados confiáveis, custos acompanhados e áreas trabalhando de forma integrada”, afirma.

A digitalização industrial também reforça esse caminho. Dados da Pintec Semestral 2024, divulgados pelo IBGE, mostram que 89,1% das empresas industriais investigadas utilizaram ao menos uma das tecnologias digitais avançadas, como big data, computação em nuvem, inteligência artificial, internet das coisas, manufatura aditiva ou robótica.

Na prática, o exemplo da Fralía mostra que o sucesso industrial não depende de um único fator. Ele envolve visão de mercado, inovação, gestão de custos, proximidade com clientes, logística eficiente e capacidade de transformar dados em decisões. Para fábricas que desejam seguir caminho semelhante, a principal pergunta não é apenas como vender mais, mas como preparar a operação para crescer sem perder controle.

“Escalar uma indústria exige mais do que ampliar máquinas ou área construída. É preciso garantir que a operação consiga planejar, produzir, entregar, medir custos e aprender com os dados. Essa é a diferença entre crescer em volume e crescer com gestão”, conclui Leão.

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