Levantamento mostra que 30% já abriram mão de uma boa noite de sono por preocupação com dinheiro; 29% adiaram estudos e 24%, consultas médicas

As preocupações com dinheiro não ficam restritas ao orçamento e já afetam o bem-estar emocional e a rotina dos brasileiros. É o que aponta uma pesquisa da 99Pay, conta digital da 99, segundo a qual 87% dos brasileiros afirmam que sua situação financeira impactou negativamente seu bem-estar emocional em algum grau nos últimos 12 meses. O levantamento revela ainda diferenças relevantes entre gerações e classes socioeconômicas, tanto na intensidade desse impacto quanto nas principais fontes de preocupação.
Entre as principais fontes de desgaste emocional estão sinais concretos de insegurança financeira. O atraso no pagamento de contas e a dificuldade de guardar dinheiro lideram a lista, ambos citados por 37% dos brasileiros. Em seguida aparecem o medo de enfrentar um gasto inesperado (33%), o crescimento das dívidas (31%) e a necessidade de pedir dinheiro emprestado (29%).
Quando surge um imprevisto financeiro, o impacto emocional fica ainda mais evidente. Diante de um gasto não previsto que afeta o orçamento, a ansiedade é o sentimento mais citado (46%), seguida por frustração (40%) e insegurança (33%). Tristeza (26%), medo (24%) e impotência (23%) também aparecem entre as principais reações.
Os efeitos chegam também a outras dimensões da vida. Quase um terço dos brasileiros já abriu mão de dormir bem (30%) ou de fazer algum curso ou investir nos estudos (29%) por preocupação com dinheiro, enquanto 24% adiaram ou deixaram de realizar consultas médicas. Outros 15% deixaram de buscar atendimento psicológico.
Segurança financeira vai além de organizar as contas
Quando questionados sobre o que ajudaria a construir uma relação mais tranquila e saudável com o dinheiro, os brasileiros priorizam fatores ligados à disponibilidade e ao crescimento dos próprios recursos. Ter uma reserva financeira aparece em primeiro lugar, com 57%, praticamente empatado com fazer o dinheiro render mais, citado por 56%. Já aprender mais sobre como organizar e cuidar do dinheiro é mencionado por 35%.
Os dados também revelam uma tensão entre reconhecer a importância do conhecimento financeiro e colocá-lo entre as prioridades. Ter uma reserva e fazer o dinheiro render aparecem no topo das prioridades dos brasileiros, enquanto o conhecimento sobre organização financeira, uma etapa de base para a construção de um dinheiro separado para emergências, é citado por uma parcela menor. Ao mesmo tempo, 63% afirmam que saber que seu dinheiro está rendendo traz mais segurança em relação ao futuro, reforçando a conexão percebida entre crescimento do dinheiro e tranquilidade financeira.
Quando precisam escolher apenas uma mudança na vida financeira que teria maior impacto sobre o bem-estar emocional, ter uma fonte adicional de renda lidera as respostas, com 25%, à frente de quitar dívidas (20%) e fazer o dinheiro render mais (18%). O dado reforça que, para uma parcela relevante da população, melhorar a relação emocional com as finanças passa não apenas pela forma de administrar os recursos disponíveis, mas também pela possibilidade de ampliar a renda.
Gerações sentem a pressão financeira de formas diferentes
Embora o impacto esteja presente entre diferentes faixas etárias, a pesquisa mostra que as fontes de desgaste mudam de acordo com a geração. Quando considerados os impactos moderado e intenso, 72% da Geração Z afirmam que sua situação financeira afetou negativamente seu bem-estar emocional, ao menos de forma moderada, ante 69% dos Millennials e 59% dos Boomers.
Entre os mais jovens, um dos destaques é o peso da comparação financeira. Um em cada quatro integrantes da Geração Z (25%) afirma sentir desgaste emocional ao comparar sua situação financeira com a de outras pessoas, percentual significativamente superior aos 15% registrados na Geração X e aos 8% entre os Boomers.
Os efeitos também chegam aos cuidados com o próprio bem-estar. A Geração Z é significativamente mais propensa do que todas as gerações mais velhas a ter deixado de buscar atendimento psicológico por questões financeiras: 20% relatam essa situação, ante 15% dos Millennials e 8% tanto na Geração X quanto entre os Boomers.
Já entre os grupos mais velhos, os imprevistos financeiros ganham maior peso. O medo de enfrentar uma despesa inesperada é fonte de desgaste emocional para 51% dos Boomers, ante 35% dos Millennials e 23% da Geração Z. A Geração X, por sua vez, é significativamente mais propensa a citar o atraso no pagamento de contas (49%) do que a Geração Z (34%) e os Millennials (37%).
Classes D e E sentem impacto mais intenso no bem-estar
A condição socioeconômica também evidencia diferenças na intensidade com que as finanças afetam o bem-estar emocional. Entre as classes D e E, 48% afirmam que sua situação financeira afetou “muito” seu bem-estar nos últimos 12 meses. O percentual é significativamente superior aos registrados nas classes A (26%), B (31%) e C (38%).
As restrições financeiras também interferem mais intensamente em aspectos essenciais do cotidiano desse grupo. Nas classes D-E, 38% deixaram de fazer cursos ou investir nos estudos e 33% adiaram ou deixaram de realizar consultas médicas por questões financeiras, percentuais significativamente superiores aos observados nas classes A, B e C.
Sobre a pesquisa
A pesquisa sobre saúde mental foi realizada por meio de questionário online, em agosto de 2026, com 1.503 pessoas com 18 anos ou mais, no Brasil. O levantamento buscou compreender a relação entre a situação financeira dos brasileiros e seu bem-estar emocional, explorando os impactos das preocupações com dinheiro no cotidiano e as diferentes percepções sobre segurança financeira.
Sobre a 99
A 99 é uma empresa de tecnologia voltada à conveniência e soluções para as necessidades do dia a dia dos brasileiros. Parte do grupo global de mobilidade DiDi Global Inc., a 99 conecta milhões de pessoas em todo o Brasil com serviços de transporte, pagamentos e delivery — tudo em um só app.
